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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 807 / 2015

04/02/2015 - 06:40:00

JORGE OLIVEIRA

A vaca já está tossindo no brejo

Maceió - Ao deixar de ir no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, para prestigiar à cerimonia de posse de Evo Morales, reeleito pela terceira vez presidente da Bolívia, depois de manipular a Constituição, a presidente Dilma, finalmente, demarcou seu território como estadista tupiniquim: não quer discutir o Brasil com a elite política e econômica das grandes nações. Prefere o aconchego do representante boliviano, responsável pela entrada de toneladas e mais toneladas de cocaína no Brasil, que virou a principal rota de tráfico para o mundo.

Ao subestimar o principal fórum de discussão do planeta, a presidente faz a opção de isolar o país das questões econômicas e sociais discutidas pelos principais estadistas do mundo e com os mais representativos homens de negócios, cientistas sociais e defensores do meio ambiente. Tudo indica que a política externa do país está de vez nas mãos do obscuro aspone Marco Aurélio Garcia que, sozinho, decide sobre os rumos do Brasil lá fora. O Itamaraty virou objeto de decoração no governo do PT.

A prova disso é que não paga nem mais as contas de aluguel e dos serviços das embaixadas e dos consulados lá fora. O orçamento – que já era pequeno – caiu pela metade.É triste para um país como o Brasil, uma das maiores potências econômicas do mundo, curvar-se a um bando de idiotas que não enxerga um palmo à frente do nariz do que está ocorrendo no mundo moderno, no mundo em que prevalece o diálogo inteligente e o pragmatismo consequente. Que transforme a política de estado em política de um grupelho partidário retrógrado e o país num latifúndio ideológico dinossáurico.

É difícil imaginar que apenas um assessor medíocre  como Marcos Aurélio Garcia trace as estratégias de política exterior com os países que o Brasil mantém relações econômicas em detrimento do assessoramento diplomático do Itamaraty, hoje, um dos órgãos mais desprestigiados pela presidente.A ausência de Dilma no fórum de Davos acontece no momento em que o Brasil mais necessita de dialogar com a Europa e com os Estados Unidos sob o risco de ficar falando sozinho para encontrar soluções para a crise que bate à sua porta. No momento como esse ouvir apenas um assessor como Marcos Aurélio, travado ideologicamente, é levar o país definitivamente para o fundo do poço. Com consequências irreparáveis.

Aperto

Os banqueiros que dirigem a economia do Brasil, liderados por Joaquim Levy, já estão dessincronizados. Cada um, com as teses mais ortodoxas, tenta salvar o país com aperto fiscal e tributário sob o olhar vigilante da Dilma. Levy, por exemplo, falou que o país entraria em recessão econômica já no primeiro trimestre. Foi obrigado a se desmentir, como fizera o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, ao falar sobre a política do salário mínimo.


No brejo

A verdade, minhas senhoras e meus senhores, é que o país está entrando em parafuso. A vaca começou a tossir antes que a Dilma pudesse tirá-la do brejo. Todos os índices sociais e econômicos são negativos e a taxa de desemprego já é a maior dos últimos cinco anos. E o trabalhador desempregado é sinal de bolso vazio e mesa vazia. O Brasil conhece esse filme: Sarney quase foi degolado por um impeachment, que depois seria aplicado ao Collor pelo povo desesperado com a economia sufocante. É bom que a petezada bote as barbas de molho, porque, antes do que se esperava, a vaca tossiu no brejo.


Aético

João Santana, o marqueteiro da Dilma, não precisa tentar explicar ao Brasil o que o Brasil já sabe: o baixo nível da campanha presidencial. Aliás, Santana, não precisa explicar nada a ninguém. Ele não é filiado ao PT e nem foi candidato a nada. Portanto, quem tem que dar satisfação aos brasileiros pelas mentiras na campanha é a Dilma, personagem central, que se elegeu com promessas falsas e truques ilusionistas para enganar o eleitor que se engasgou com a overdose de firulas na televisão. 


Desabafo

Se o João Santana desabafa no livro “João Santana – um marqueteiro no poder”, escrito pelo jornalista Luiz Maklouf Carvalho, e ataca seus colegas de marketing numa atitude aética, é porque resolveu descarregar a consciência abarrotada de entulho. Olha, com tristeza, que a sua cliente faz exatamente o contrário do que prometeu na campanha. Dizia ela, por exemplo, que nem que a “vaca tussa” mexeria no bolso do trabalhador. Menos de um mês depois de reassumir o segundo mandato, ela manda apertar o pescoço do assalariado e da classe média com medidas draconianas.

Cruz pesada

Santana não quer carregar a pesada cruz da campanha mais baixa e agressiva dos últimos anos no Brasil. Como bom  marqueteiro contra-ataca no livro: “É a acusação mais falsa, mais hipócrita, mais frágil  sem sustentação da história eleitoral brasileira”. Bobagem, Santana. A gente sabe que você não pode nem deve carregar esse fardo sozinho. O marqueteiro não trabalha isoladamente nem decide uma campanha política num quarto escuro, desprotegido, solitariamente. A ajudá-lo, você sabe disso, existe uma espécie de um conselho para sugerir (ou até mesmo atrapalhar) as promessas que vão para os programas.


Humildade

Não queira, caro Santana, virar o super-homem. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Ninguém vai tirar os seus méritos de excelente marqueteiro. O homem que transformou postes sem luz em personagens políticos como Dilma e Haddad, prefeito de São Paulo. Apenas esse feito já o consagraria como um dos marqueteiros mais habilidosos e competentes do país. 


A pistola

Feio, na verdade, é você, caro Santana, apontar, no livro, sua pistola carregada para o Paulo Vasconcelos, marqueteiro do tucano Aécio, chamando-o de medíocre, um “marqueteiro de segunda divisão (...) que está caindo para a terceira”. Se você tivesse um pouco mais de sobriedade e compreensão, em vez de atacar, estaria enaltecendo a qualidade de seu concorrente que levou Aécio para o segundo turno com menos de três minutos de televisão. E por pouco, muito pouco, não ganhou as eleições. Se isso tivesse ocorrido, caro Santana, a sua estrela deixaria de brilhar dentro do PT, porque é assim que as cosias ocorrem no marketing político: aos vencidos às favas. 


Aprendizado

Aprendi, como marqueteiro, que não devemos otimizar a vitória, mas mantê-la silenciosa. A comemoração pelo sucesso é do candidato, a quem também cabe falar sobre os êxitos. Ao marqueteiro cabe administrar a vitória com parcimônia e humildade para evitar constrangimentos futuro, no caso de uma derrota acachapante. Subestimar o colega de profissão e desqualificá-lo não cabe no figurino de quem, no momento, está no topo da “genialidade” do marketing com três eleições presidenciais vitoriosas. Lembra do seu companheiro Duda Mendonça, com quem você aprendeua fazer campanha? Pois é, a língua o envenenou.


* Jorge Oliveira é autor do livro Campanha Polícia: Regras e dicas – como ganhar uma eleição. Já fez 22 campanhas. A última, de Paulo Hartung, no Espirito Santo, ganhou no primeiro turno.

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