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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 806 / 2015

27/01/2015 - 10:50:00

O professor javanês

IRINEU TORRES Diretor do Sindifisco

Justiça seja feita. O traficante brasileiroMarco Archer não vendia gato por lebre, respeitava o consumidor, não misturava a cocaína com farinha, solvente e soda cáustica. A cocaína apreendida em sua posse lá na Indonésia em 2003 era puríssima. Tipo exportação. Marco Archer teve bom comportamento carcerário.  Marco Archer não transformou o corredor da morte em uma boca de fumo. Como alguém do ramo das drogas ilegais deixa o Brasil, o paraíso dos narcotraficantes, Meca do crack, para ir arriscar o pescoço em Java, terra da eficácia legal, governada por um presidente sincero.

Marco Archer não poderia ter sido fuzilado. Sem dúvida, Marco Archer não estava gozando plenamente de suas faculdades mentais. Pensou que Indonésia fosse o Brasil! Pensou queo presidente indonésio Joko Widodo lançaria mão da prerrogativa de perdoar para converter a pena capital em prisão perpétua, descumpriria o compromisso de campanha eleitoral de não ter clemência com traficantes de drogas, embaixadores da morte de viciados de todas as idades! Certamente que não. Descumprir uma promessa de campanha eleitoral - lá na Indonésia - seria, aos olhos do povo, uma canalhice política. Joko Widodopode não ter coração, mas vergonha na cara ele tem. Deu uma lição de honradez. A honestidade começa pela verdade.

Joko Widodo não é leviano. A vontade do povo consubstanciada nas urnas está acima das prerrogativas da lei. O político eleito que desconsiderar os compromissos eleitorais, inclusive no Brasil, não tem caráter, é um cínico, um hipócrita. Joko Widodo e o povo indonésio não têm nenhum motivo para temer ameaças fúteis. Os anões diplomáticos que vão se estarrecer. A lição foi dada em bom javanês. E, além do mais, pesquisas de opinião pública dão conta que o povo indonésio quer pena de morte também para políticos, gestores e servidores públicos corruptos. 

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