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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 806 / 2015

27/01/2015 - 10:40:00

Saco sem maldades

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

Chego das férias faminto de notícias brasileiras. Durante mais de quinze dias, além do noticiário produzido pela UOL, apenas uma ou outra matéria divulgada pelos jornais espanhóis, e assim mesmo apenas sobre a posse da Presidente Dilma e as dificuldades genéricas da economia brasileira, notadamente quanto à queda do preço do barril de petróleo e, nesse passo, a situação caótica da Petrobras. Chegado aqui, pude alargar os horizontes e aprimorar-me para a crônica. 

O tema escolhido é recorrente, mas a desfaçatez com que a candidata Dilma se houve durante a campanha, o que a Nação vem comprovando e provando-lhe o amargo sabor, é matéria inesgotável à crítica de quem olha e vê. Há, claro, aqueles que, pressurosos companheiros de quem nada sabe, nada veem. O fato inegável, porém, é que a presidente, sem esquentar muito a cadeira novamente conquistada, e sem se ruborizar pela farsa, vem desdizendo a candidata.Acertou – ao menos é essa opinião corrente – ao escolher a equipe econômica.

Esta, sem dúvidas, tem agradado a gregos e troianos e produz o que já se esperava, trilhando ortodoxo caminho para a recuperação do País que se encontra nas cercanias da bancarrota. Ao menos é isso o que dizem prestigiados economistas, e não temos porque duvidar.

O tarifaço, do qual a Dilma candidata advertia a Nação ser a maléfica intenção do candidato da oposição, hoje está na ordem do dia da Dilma Presidente; direitos trabalhistas que seriam – dizia a candidata – ameaçados de desconstituição caso o opositor ganhasse o pleito, são hoje efetivamente por ela desconstituídos, ou reduzidos; a classe média, também iludida, vê o sonho da casa própria desvanecer com a política de juros da Caixa Econômica, que certamente será seguida pelos demais bancos; tarifas de energia elétrica com perspectiva de subir uns trinta por cento ou mais; combustível em alta, o que gerará escalada de preços, além do que dificultará o uso de carro próprio por aqueles que, segundo o governo, ascenderam da classe C à B; alta de impostos, dobra do IOF e a ressuscitação da CPMF, como se anuncia, completam esse saco sem maldades, na expressão do Ministro da Fazenda. 

Claro que ninguém em sã consciência discorda da necessidade de medidas duras, aquelas impopulares, como alertara o candidato Aécio Neves, contestado e demonizado pela Dilma candidata. A situação do país, como disse acima, hoje lindeiro do abismo econômico, requer atitudes firmes. Inquietação do cronista: por que os bancos não sofrem qualquer chamamento à solução dos problemas econômicos nacionais e, ao contrário, ainda sairão lucrando com os altos juros?  E olhem que os bancos já foram, em passado muito recente, os inimigos públicos número um, segundo o petismo de outrora. 

Ademais de tudo isso, impossível esquecer que a culpa tem nome: Dilma, a gerentona. Afinal, quem maquiou a situação econômica, segurando as tarifas de energia elétrica, subsidiou o combustível, comprimiu os juros, e outras coisitas mais? Quem proclamou a excelência da política econômica, abjurando a inflação?  Bem, estive dizendo daquilo que o ministro da Fazenda entende ser saco sem maldades. Fico a indagar-me inquieto como será o saco de maldades que sem dúvidas está por vir.

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