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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 805 / 2015

21/01/2015 - 08:15:00

Renan Filho mantém segundo escalão do governo tucano de Teotonio Vilela

Velhos nomes da política acomodam seus apadrinhados: Celso Luiz, Lessa e Carimbão se espremem em secretarias

Odilon Rios Especial para o EXTRA

O Governo Renan Filho (PMDB) mudou os rostos do secretariado, mas mantém a essência da era Teotonio Vilela Filho (PSDB): no segundo escalão, técnicos, chefes de gabinete, superintendentes e coordenadores de programas, na maioria dos casos, vão sendo mantidos na máquina pública. São postos que dão funcionamento ao secretariado. A justificativa a isso é que o trabalho deles tenha gerado algo de positivo nos últimos oito anos.Porém, existe outro entendimento: “É difícil achar gente com capacidade técnica para preencher estes postos. É uma deficiência existente em Alagoas. Por isso, quem está vai ficando”, disse um dos conselheiros (durante a campanha) de Renan Filho.

Durante a campanha eleitoral existia um acordo de gaveta entre Renan Filho e Téo Vilela, selado pelo pai, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Incluía menos ataques e metas futuras a Vilela, que pode ser candidato ao Senado em 2018, ao lado de Renan-pai.E até a última quarta-feira (14) passavam de 300 a quantidade de nomeados em cargos de comissão, 80% deles ocupados por gente que tinha a mesma função no Governo Téo Vilela.

Ou foram transferidos de uma pasta para outra. É o caso de Rosiane Rodrigues Cavalcanti, que era da Secretaria Estadual de Saúde nos tempos tucanos. Agora, é secretária adjunta da Cultura.A escolha dela não vem ao acaso. Discreta e elogiada internamente, deve ajudar Mellina Freitas - titular da pasta- a administrar o posto. A ex-prefeita de Piranhas enfrenta um desgaste impressionante: acusada de desviar R$ 16 milhões dos cofres da cidade - e salva da prisão por um salvo-conduto expedido pelo Tribunal de Justiça- vê seu nome desfilando em páginas sociais na internet com protestos “Fora Mellina”.

A Cultura pode virar destaque na gestão Mellina, mas por mérito da sub-secretária.Não é diferente na Agricultura e Pesca - entregue ao PTB, do senador Fernando Collor. Ocupada pelo agropecuarista e integrante do Conselho Editorial da Organização Arnon de Mello, Álvaro Vasconcelos, a pasta mantém Hibernon Cavalcante Albuquerque, nomeado na era Ronaldo Lessa (1998-2005), passando pelo Governo Vilela (2006-2014) e mantido por Renan.É dele o mérito de retirar Alagoas da zona de risco desconhecido da aftosa. Também discreto, antes ocupava a Diretoria de Produção e Comercialização; agora é superintendente de Desenvolvimento Agropecuário.Transferido do antigo cargo de adjunto de Gestão na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Adelmo José Martins vai para a Agricultura e Pesca, chefiando o gabinete.  

O adjunto da secretaria é herdado da gestão passada: Carlos Henrique de Amorim Soares, que entende, por exemplo, de economia solidária, um dos pilares da agricultura familiar, conceito que é prioridade na gestão Álvaro Vasconcelos.Um dos nomes é novidade. Derrotado nas eleições, o presidente municipal do PTB, Ferreira Hora, virou superintendente de Desenvolvimento da Pesca. 

Defesa Social
Na segurança pública, o secretário de Defesa Social, Alfredo Gaspar continua a trabalhar com o ex-delegado Geral da Polícia Civil, Carlos Alberto Reis, agora ocupando uma diretoria na PC. Manteve nomes do setor de inteligência da polícia e outros postos. Mudou diretorias. É para imprimir estilo próprio.

Há uma tentativa- ao mesmo tempo- do governo em mostrar que existe menos influência política na indicação de comissionados no segundo escalão. Porém, o Instituto de Metrologia e Qualidade de Alagoas (Inmeq) despertou interesse do prefeito de Canapi, Celso Luiz (PMDB). Ele é responsável pelas indicações.

O presidente - por exemplo- é Luiz Pedro Bezerra Brandão, uma das lideranças do PMDB em Canapi. Outro político foi candidato a vereador em Pilar, Aristeu José Lopes Cavalcanti. Virou chefe de gabinete.O Inmeq é responsável por fiscalização de produtos e serviços - incluindo avaliação de táxis, inspeção de distribuidoras de gás, self services, padarias e postos de combustíveis.Na gestão Ronaldo Lessa, Celso Luiz ficou conhecido por chefiar o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), agora ocupado pelo advogado Antônio Carlos Gouveia, sem indicação eleitoral.

E Lessa é quem manda nas indicações na Secretaria de Trabalho e Emprego. Um dos escolhidos é Ricardo José Lessa Santos Filho, o Ricardinho Lessa, filho do irmão de Ronaldo, o delegado Ricardo, assassinado pelo ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, na década de 90.O deputado federal Givaldo Carimbão (PROS) continua a manter indicados seus na Secretaria da Paz.

Do primeiro escalão (o antigo secretário Jardel Aderico, demitido no Governo Vilela, retorna ao primeiro escalão) ao restante dos comissionados.Marcelo Lima - ex-prefeito de Dois Riachos - assumiu a Agência de Defesa Agropecuária de Alagoas (Adeal). O irmão do prefeito de Palmeira dos Índios, James Ribeiro - Helenildo Ribeiro Neto- foi reconduzido ao Instituto de Desenvolvimento Rural e Abastecimento (Ideral).

Na Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapeal), assume o economista Fábio Guedes, um dos responsáveis pelo plano de gverno- indicado ao cargo pelo governador. No Serviço de Engenharia de Alagoas (Serveal), o ex-deputado Judson Cabral, que é do PT e também é indicação do próprio Renan Filho.

Comissionados têm cortes só no papel

Mesmo em ritmo de fechamento da máquina, existe a expectativa da montagem final do governo, que deverá ter menos indicados no segundo escalão.Promessa de Renan Filho - ao assumir a administração - é que haveria corte de 30% na quantidade de cargos comissionados.Na prática, os cortes só podem acontecer se houver mudança na lei. E o projeto tem de ser encaminhado à Assembleia Legislativa.

Por isso, o governo formou uma Comissão Gestora de Reforma Administrativa- que tem até junho para “apresentar proposta de reorganização do modelo administrativo estadual”.Por enquanto, ficará a critério do chefe do Executivo nomear os 2.748 cargos existentes. Ele quer enxugar para 1.924 funçõesSó que parte destes cargos – não as indicações - foi transferida para as secretarias. A de Pesca, por exemplo, não existe mais. Tinha 44 cargos.

Quarenta e três foram transferidos para a nova Secretaria de Estado da Agricultura, Pesca e Aquicultura (antes Agricultura e Desenvolvimento Agrário), que já tinha 172 cargos. Ao todo, ficou com 216.A Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplande) tinha 200 cargos.

104 deles foram para o Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur).Ficam sobrando os 66 cargos em comissão da antiga Secretaria de Turismo, que deve ser extinta. O destino destas funções não ficou definido.Da antiga Seplande, sobraram 96 funções; 95 delas ficam na Secretaria de Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag).Parte das funções da Seplag era da Secretaria de Gestão Pública na era Vilela.

A Gestão Pública deve ser extinta. Hoje tem 220 cargos.A Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) tinha 381 cargos na era Vilela. Criada na gestão tucana, deixa de existir no Governo Renan Filho; 380 cargos foram para a nova Secretaria de Defesa Social e Ressocialização (Sedres).A antiga Defesa Social tinha 210 cargos em comissão. Somando com os cargos herdados da Seris, ficou com 590 cargos.

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