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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 805 / 2015

21/01/2015 - 08:13:00

Metástase agrava estado de saúde de Suruagy

Médicos liberam ex-governador para continuar tratamento em casa e ao lado da família

Vera Alves [email protected]

Um dos últimos baluartes da política com ética de Alagoas, o ex-governador Divaldo Suruagy, 77 anos, teve seu estado de saúde agravado nos últimos dias e, com autorização médica, foi liberado para continuar em casa e ao lado da família o tratamento de uma metástase. Protagonista de um dos episódios mais conturbados da história recente do estado,  que ficou conhecido como O Levante de 17 de Julho, ele já havia sido diagnosticado com câncer de próstata há alguns anos e em agosto do ano passado passou por cirurgia no Hospital Sírio-Libanês (SP) após a descoberta de um tumor no intestino grosso.

A doença, segundo amigos, já teria comprometido também o estômago.Natural de São Luiz do Quitunde, Divaldo Suruagy nasceu a 5 de março de 1937 e dedicou toda sua vida à política. Funcionário da Prefeitura de Maceió, trabalhou como servente, auxiliar de escritório e escriturário até se formar em Economia pela Universidade Federal de Alagoas em 1959, e a seguir chefiar a Divisão de Impostos Prediais e Territoriais. Professor universitário, chefiou a Fundação Educacional e, por fim, chegou ao posto de secretário-geral do município de Maceió em 1962.

Afilhado político do governador Luiz Cavalcante, foi por ele nomeado secretário da Fazenda, cargo do qual se afastou para disputar a eleição de prefeito da capital pelo PSD, em 1965, naquela que seria a última votação popular para o cargo ao longo de 18 anos de ditadura militar. Ingressou na Arena e em 1970 foi eleito deputado estadual. Líder da bancada e do governo Afrânio Lages, foi também presidente da Assembleia Legislativa.Em 1974 assumiu seu primeiro mandato de governador do Estado, escolhido que fora para o cargo pelo general Ernesto Geisel, então na presidência da República.

Eram os anos de chumbo da ditadura, durante os quais governadores, senadores e prefeitos eram cargos biônicos, ou seja, a escolha não se dava pelo voto popular, mas sim pelo próprio regime militar. Quatro anos depois, é eleito deputado federal. Com a reforma política de 1980, que voltou a permitir o pluripartidarismo, se filia ao PDS e em 1982 é eleito governador pelo voto popular após uma campanha em que era evidente seu favoritismo.

Por todo o estado, o que mais se via eram pessoas portando um coração no peito, símbolo de sua candidatura.O sucesso de sua segunda gestão, durante a qual se filiou ao PFL e declarou apoio à candidatura de Tancredo Neves para a Presidência da República reforçou sua imagem junto ao eleitorado e ele foi eleito senador constituinte.

Em 1990, assume o segundo mandato de senador. Na eleição seguinte, em 1994, já no PMDB, se consagra como o governador proporcionalmente mais votado em todo o país e assume em 1995 pela terceira vez o comando do Executivo, que seria obrigado a deixar em 1997 diante da ameaça de impeachment em meio a uma das piores crises políticas do estado.

Eleito suplente de deputado federal em 1998, assumiu o mandato em 2001, na vaga de Albérico Cordeiro, após as eleições municipais de 2000. No ano passado, decidiu retomar a carreira política e se candidatou a uma vaga na Assembleia Legislativa pelo PPS, mas teve sua candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral, a pedido do Ministério Público Eleitoral, com base em uma condenação pelo Tribunal de Justiça de Alagoas.A ação que condenou Suruagy foi julgada pelo TJ em 2010.

A Segunda Câmara Cível manteve a condenação do ex-governador e da Sheck Participações S/A, sucessora do Banco Maxi-Divisa S/A, pela operação das chamadas “letras podres” do tesouro estadual – que ocasionaram à época um prejuízo financeiro de R$ 537,3 milhões aos cofres públicos do Estado.Os desembargadores rejeitaram por unanimidade os últimos recursos apresentados pelas partes (embargos de declaração) contra decisão de mérito da Segunda Câmara Cível, que manteve integralmente a sentença de primeira instância.

O ato de colocação, circulação e venda de Letras Financeiras do Tesouro do Estado de Alagoas apenas poderia ser utilizado para pagamento de precatórios judiciais (forma de execução para pagamento de dívidas da Fazenda Pública) o que foi descumprindo pelo governador na época.Mesmo antes de ter a candidatura indeferida, Suruagy já dava mostras de estar com a saúde debilitada e chegou a desmaiar, no Clube Fênix, no comício de lançamento da candidatura ao governo do Estado de Benedito de Lira (PP), a quem apoiou nas eleições do ano passado.

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