Acompanhe nas redes sociais:

18 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 805 / 2015

21/01/2015 - 08:11:00

17 de Julho

O levante que mudou a história de Alagoas

vera alves [email protected]

Três vezes governador, senador e deputado federal, Divaldo Suruagy esteve no centro de uma das piores crises políticas da história recente de Alagoas, o levante de 17 de julho de 1997, quando foi obrigado a renunciar ao cargo de chefe de Executivo para evitar o derramamento de sangue. Naquele dia, era iminente o confronto entre soldados do Exército e policiais civis e militares, os últimos inconformados com os mais de oito meses de salários atrasados.

O Exército havia sido convocado para reforçar a segurança da Assembleia Legislativa depois que PMs e policiais civis decidiram cruzar os braços e se juntaram aos milhares de servidores que já estavam parados e se mantinham em sucessivas vigílias à frente do Palácio dos Martírios e da sede do Legislativo.

Dias antes das cenas de guerra que tomariam o noticiário de todo o país, servidores públicos já haviam protagonizado um embate em frente ao Palácio do governo, quando, ao final de mais uma mal sucedida negociação entre Suruagy e sindicalistas, um protesto terminou em confronto com os poucos militares que não estavam em greve. A explosão de uma bomba de efeito moral na mão de um servidor acirrou ainda mais os ânimos.Com oito meses de salários atrasados, o funcionalismo vivia um clima de comoção depois de terem sido noticiados ao menos quatro suicídios motivados pela crise financeira.

O mais chocante de todos foi o do soldado da Polícia Militar Leandro Alves do Carmo, que tinha 30 anos e que estava sem receber salários havia cinco meses. Na madrugada do dia 29 de abril de 1997, ele matou a mulher, Vitória, 37, a enteada Vitória Régia, 15, e a filha Fernanda, 8, e se matou, depois de ter atirado também contra o filho de 10 anos, que sobreviveu.Hospitais parados, delegacias fechadas, estudantes sem aulas e o comércio com as vendas estagnadas eram o retrato da crise que assolava o Estado e que nem mesmo o PDV (Programa de Demissão Voluntária) implantado por Suruagy no final de dezembro de 1996 conseguira reverter.

Para implantar o programa, o Estado recebeu um aporte de R$ 300 milhões do governo federal, mas a adesão foi tão grande que muitos dos que haviam aderido ficaram sem receber, agravando ainda mais a crise.

Com bombeiros, policiais civis e militares em greve, o governo recorreu ao Exército para reforçar a segurança dos prédios públicos. Os servidores exigiam a saída do governador e no dia 17 de julho de 1997 a Praça Dom Pedro II se transformou em palco de guerra; uma multidão ameaçava invadir a Assembleia Legislativa exigindo que os deputados estaduais, então acuados, votassem o impeachment do governador. Após horas de confinamento no Palácio, Suruagy aceitou renunciar e passou o cargo ao vice, Manoel Gomes de Barros.Era o fim de uma trajetória política de sucesso, de um homem público que nunca foi acusado de enriquecimento ilícito, como provam suas declarações de bens.

Formado também em Filosofia e História, professor universitário e escritor, Divaldo Suruagy, na avaliação dos que o conhecem, foi vítima do excesso de confiança depositado em alguns de seus principais auxiliares da época. Um homem culto cuja postura ética contrasta com a da maioria dos políticos da atualidade.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia