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Edição nº 805 / 2015

21/01/2015 - 07:54:00

Mau cheiro na orla de Maceió ameaça turismo

Prefeitura encontra, por semana, até seis ligações de esgoto clandestinas

José Martins Especial para o EXTRA

Sol, água de coco e cheiro de esgoto. Uma combinação nada ideal tem feito o turista não só torcer o nariz para Maceió, mas também tapá-lo durante caminhada pela orla. Os motivos vão de lixo ao apodrecimento de algas na areia da praia. Quem atende esse público coleciona reclamações.

É o caso do proprietário de restaurante localizado no bairro Pajuçara, Eduardo Salles. “A orla carece de manutenção. O mau cheiro da praia faz com que o turista acredite que a água está poluída”, pontuou. Mas, está. Conforme o último laudo de análises de balneabilidade das praias de Alagoas, expedido no mês passado pelo Instituto de Meio Ambiente (IMA), trechos das praias da Cruz das Almas, Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara encontram-se impróprios para o banho, o que significa que há altos índices de coliformes na água.

Na Pajuçara, da avenida Dr. Antônio Gouveia com interseção com a Rua João Carneiro, por exemplo, foram detectados 5.400 Coliformes Termotolerantes por 100 mL, enquanto em outras praias aptas para o banho, esse valor é inferior a 18.Além do esgoto, outra reclamação de empresas que vivem do turismo da orla de Maceió é sobre o acúmulo do sargaço, alga marinha comum em regiões tropicais que costuma crescer grudado em rochas à beira-mar. Frequentemente encontrado nas areias das praias mais visitadas da capital, à primeira vista seu tom amarronzado é encarado como poluição pelos turistas.

A sensação de sujeira se confirma quando esse material orgânico está em fase de decomposição.Como o odor do apodrecimento se assimila ao do esgoto, o sargaço virou um empecilho àqueles que viajam milhares de quilômetros para curtir o mar da capital. O diretor de operações da Superintendência Municipal de Limpeza Urbana (Slum), Pablo Angelo de Almeida, explicou ao EXTRA que a remoção do sargaço da faixa de areia é feita periodicamente apenas quando as algas se encontram em decomposição.

“Temos uma programação para fazer o recolhimento porque autoridades ambientais declaram que extrair o sargaço causaria desequilíbrio à natureza”, explicou.A retirada do material orgânico já rendeu notificações à Prefeitura de Maceió. “Geralmente, a limpeza é feita à noite quando a maré está baixa e com poucas pessoas na praia. O cheiro da decomposição do sargaço não está vinculado à poluição, apesar de alguns edifícios burlarem a lei acoplando descartando o esgoto nas redes pluviais”.

Contudo, o mau cheiro do sargaço é o que menos preocupa da Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma). A cada semana é de praxe que durante fiscalização a pasta encontre de quatro a seis ligações de esgoto clandestinas poluindo as redes pluviais. Os infratores, na maioria das vezes, são prédios da faixa litorânea.“Apesar desses casos, a maior poluidora é a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal).

Hoje, a estrutura existente não comporta a quantidade de esgoto produzido pela capital”, disse a agente de fiscalização Graciete Gomes. A falta de infraestrutura desencadeia na poluição do mar, principal atrativo turístico da cidade, ainda mais em horários de pico.Se o turista aproveita a parte da tarde para curtir o mar de Maceió, é nesse horário que a maior concentração de esgoto chega até a água do mar. “É a partir das 13h que a poluição começa a fluir.

Com muita gente em suas casas, o volume descartado de água não é comportado da forma ideal. Isso mostra que o emissário submarino não comporta mais”, detalhou a agente.O emissário submarino é uma tubulação para lançamento de esgotos sanitários que aproveita a elevada capacidade de autodepuração das águas marinhas que promovem a diluição, a dispersão e o decaimento de cargas poluentes a elas lançadas. Ano passado, seu funcionamento foi questionado às autoridades.

A Casal informou à reportagem que o emissário submarino está funcionando normalmente e de acordo com a legislação em vigor. “Ano passado houve questionamentos sobre o funcionamento e uma visita de representantes dos poderes e da sociedade civil, bem como dos órgãos de fiscalização ambiental, foi feita para conhecer o emissário submarino e seu funcionamento após 26 anos de inaugurado”, publicou em nota.

A companhia alegou ainda que contratou uma empresa para elaboração de um projeto para implantação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) na área do emissário, como também para elaboração de um diagnóstico sobre a situação atual do emissário. O projeto para a ETE está pronto e o diagnóstico está sendo finalizado.Em Maceió, o esgotamento sanitário atinge 36% da cidade.

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