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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 805 / 2015

21/01/2015 - 07:11:00

Ousadia ao extremo

JORGE MORAIS Jornalista

Diante de tantos acontecimentos que são mostrados pela mídia, fico imaginando o que os bandidos faltam inventar para mostrar as autoridades constituídas desse país que são poderosos. Quando me refiro às autoridades, estou dizendo que são os governos, a justiça e os políticos com mandatos, responsáveis em criar as leis que, depois de aprovadas, são aplicadas de acordo com cada caso.Há poucos dias, pensei que já tinha visto tudo em matéria de traquinagem e de ousadia.

Por ordem de um bandido conhecido como Playboy, 196 motos foram levadas do depósito de uma empresa contratada pelo Governo do Estado, no Rio de Janeiro, para ser a guardiã daqueles veículos. O bandido mandou que os moradores de um morro fossem buscar seus presentinhos de Natal, e eles levaram tudo o que tinha pela frente.

De uma hora para outra, ou melhor, em poucos minutos, o chefão conseguiu arranjar cento e noventa e seis pessoas capacitadas para dirigir motos e quadriciclos, que aguardavam seus verdadeiros proprietários regularizarem os documentos junto ao Departamento Estadual de Trânsito. Sem nenhuma cerimônia, chegaram em bandos organizados, renderam os seguranças e invadiram o local.

Depois, sem capacete ou capuz, e nenhuma preocupação em serem identificados, desfilaram pelas ruas cariocas até chegarem ao destino final: o Morro. Mais do que isso, muitos desses contraventores ainda tiveram tempo de levar amigos e amigas que ganharam carona no desfile. Isso é o que se chama de uma ousadia ao extremo.

O bandido Playboy tem até recompensa da polícia a quem der notícias do seu paradeiro. Mas, até agora, nada. O homem sumiu do mapa e do Morro e ninguém vai dedurar o paradeiro de seu Papai Noel.Nessa história toda, lembrei-me do Robin Hood, que roubava dos ricos e dava aos pobres.

Nesse caso do Rio de Janeiro, ele mandou roubar dos pobres para presentear a outros pobres, entre eles, muitos comprometidos com o crime organizado das favelas, o contrabando e a venda de drogas. Até agora, a polícia só conseguiu recuperar 1/3 dos equipamentos roubados.Na operação da PM, foram encontrados em poder dos bandidos do Morro, alguns carros que também haviam sido roubados anteriormente.

Pergunta-se: Como é que a polícia não agiu antes para descobrir os carros roubados? Como é que, de uma hora para outra, o morro está cheio de veículos e a polícia não procura saber como eles chegaram lá?  Por que esperar uma ação maior como essa, para que o morro seja invadido e outros roubos encontrados?Confesso já ter ouvido falar em muitos tipos de artimanhas, mas igual a esse só vi nos enredos dos filmes produzidos em Hollywood, que ensinam a máfia dos armamentos e das drogas, e todo tipo de contraventores, a praticarem ataques a Casa Branca, a empresas, a pessoas, a sequestrar aviões, e muito mais. De repente, quem sabe se essa ação não serve de inspiração para os filmes americanos.

Até os nossos cineastas, que estão produzindo bons filmes, poderiam transformar esse fato ocorrido no Rio de Janeiro, num grande enredo para o cinema.Sinceramente, começo a achar que não falta mais nada ser produzido pelo crime. Responda: Depois dessa, você acha que já viu tudo? Só era mesmo o que estava faltando, porque assaltos a bancos, delegacias, quartéis, residências, ao comércio em geral e nas ruas, já estamos até cansados dessas notícias. Diariamente, tudo isso é um prato cheio para os telejornais, que apostam nesse tipo de informação para ganhar na audiência.

Por isso, quem falar a pior linguagem do crime organizado; quem mostrar mais sangue; quem apresentar mais notícias ruins, ganha na pesquisa. Como diria o misto de policial e radialista, Gonça Gonçalves, se estivesse vivo, é o mundo “cão” pautando a mídia. Fazer o quê...

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