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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 805 / 2015

20/01/2015 - 18:27:00

JORGE OLIVEIRA

Recado ao crime organizado

Maceió - Renan Filho, o jovem governador de Alagoas, mandou um recado curto e grosso aos agentes públicos – servidores, policiais civis, militares e políticos – que pensam na impunidade ao cometer seus crimes. Decidiu, com muita coragem e espírito democrático, vetar parte do Projeto de Lei aprovado pela Assembleia Legislativa que retirou da 17ª Vara Criminal o poder de julgar crimes contra a administração pública.

A aberração e o entulho do contrabando, aprovado pelos deputados ao apagar das luzes do final do mandato de 2014, é uma vergonha que, felizmente, está sendo corrigido a tempo pelo governador. Não se admite que um órgão da Justiça como a Vara Criminal da Capital, criado para vigiar permanentemente o crime organizado, seja podado de suas funções por meia dúzia de deputados que, ao restringir a sua atuação, está pensando evidentemente enveredar na trilha do crime protegido pela impunidade, palavra tão usual em Alagoas.

Renan Filho vetou a restrição de atuação da Vara Criminal e enviou de volta o projeto para a Assembleia Legislativa que, mais uma vez, está paralisada porque seus funcionários exigem receber os salarios atrasados. Agora, cabe a essa nova Mesa diretora apreciar o veto e votar pela sua permanência ou não. 

Manter o veto do governador é uma prova de maturidade política dos novos deputados que assim estariam sintonizados com a nova linha de modernidade de um governo que promete varrer para o quinto dos infernos o atraso e os privilégios de uma castra que manda e desmanda em Alagoas pela força financeira ou pelo poder político das últimos décadas.

A Assembleia Legislativa tão mal falada no Brasil, estaria dando um exemplo de maturidade política se mantivesse o veto do governador. Caso contrario, mais uma vez os alagoanos estariam condenados a assistir a impunidade dos agentes públicos pelos crimes cometidos contra o estado.

A casa do povo, definitivamente não pode mais ser refúgio de políticos bandidos e sem caráter que se prevalecem da imunidade parlamentar para matar e roubar amparado por leis retrógradas e dessintonizadas com a sociedade, cada dia mais exigente.Ao vetar o projeto que limitaria a atuação da Vara Criminal, Renan Filho demonstra que é pra valer a sua decisão de reduzir a criminalidade em Alagoas, um dos estados mais violentos do país, classificação que envergonha a todos nós.

A intolerância contra a impunidade começa a aparecer como uma marca desse novo governo que, com isso, mostra-se descompromissado com políticos meliantes que ao longo do tempo mantém a população refém da pistolagem, fruto da impunidade que agora parece chegar ao fim com o apoio do governador aos integrantes da principal Vara Criminal da Capital.

Muito prazer...

Com o título “Autobiografia desvenda bastidores do jornalismo”, o jornalista Luiz Carlos Azedo, colunista do Correio Braziliense, publicou a seguinte resenha, do meu livro:“Muito prazer, eu sou a morte, o livro de Jorge Oliveira (Chiado Editora), é um mergulho nos bastidores da imprensa carioca e brasiliense durante os anos mais duros do regime militar. Obra autobiográfica, editada em Portugal (disponível nas livrarias Cultura e Dom Quixote), com 355 páginas e apresentação do jornalista, crítico de cinema e professor José Carlos Monteiro, narra a dura vida de repórter do hoje escritor, marqueteiro e cineasta.


Prêmios

Alagoano radicado em Brasília, ganhador de dois prêmios Esso de Jornalismo, o jornalista também descreve o engajamento da categoria na luta pela democratização do país, num momento em que a imprensa atravessava uma crise que resultou no fechamento de muitos jornais. Num dos anexos, nos brinda com uma rara entrevista do falecido diretor do jornal O Globo e da TV Globo, Evandro Carlos de Andrade, para o jornal Unidade & Ação, do Sindicato dos Jornalista do Rio de Janeiro.Jorge Oliveira revela a dura vida de repórter investigativo durante a ditadura.“— Muito prazer, eu sou a Morte!(…) Antes que eu esboçasse qualquer reação à apresentação tão surpreendente, o doutor Sapucaia, percebendo o clima tenso, desfaz o enigma que me atormenta desde a minha chegada ao aeroporto.— Você conhece esse rapaz? Perguntou o doutor Sapucaia.— Conheço.— Quem é ele?— É o jornalista Jorge Oliveira.— Então diga agora o que você ia fazer com ele.— Eu ia matá-lo.”


Bisbilhoteiro

Natural de Maceió, Alagoas, Oliveira trabalhou no Correio da Manhã, na Última Hora, no Jornal do Brasil, na Rádio JB, no Jornal de Brasília e na Gazeta Mercantil numa época em que o jornalismo se tornava, de fato, uma profissão com direito a carteira assinada, jornada de trabalho regulamentada e algumas prerrogativas inerentes à atividade, como o direito de bisbilhotar os papéis dos órgãos do governo.
DocumentoAo publicar um documento ultrassecreto, da lavra de um general do serviço de informações, com uma lista de políticos e cientistas considerados “inimigos” do programa nuclear brasileiro, ganhou o primeiro prêmio Esso como repórter de economia especializado na área de Energia, ao denunciar as negociações secretas do presidente Ernesto Geisel com a Alemanha para viabilizar o programa nuclear brasileiro, cujo objetivo verdadeiro era dotar o Brasil de um arsenal nuclear, o que lhe valeu um processo com base na Lei de Segurança Nacional. O segundo Esso ganhou com a equipe do Jornal do Brasil um ano depois com a série de reportagem sobre o “Atentado no Riocentro”.


Ameaças

Sua atribulada passagem pelas redações deu à narrativa ares de um thriller noir, com a riqueza de detalhes que somente um experimentado jornalista que passou muitas madrugadas de plantão na reportagem policial poderia relatar. Oliveira nunca renegou suas origens nordestinas. Ainda hoje, volta ao seu estado natal. Ao fazê-lo, algumas vezes, mergulhou no submundo da política local para denúncia o famoso Sindicato do Crime, assim como denunciara, como repórter policial, as atrocidades do famigerado Esquadrão da Morte na Baixada Fluminense. Isso quase lhe custou a vida. 


Onde encontrar?

O livro “Muito prazer, eu sou a morte” está circulando em Portugal, onde foi editado pela editora Chiado, mas em Maceió, por enquanto, já pode ser encontrado nos seguintes endereços:Livraria “Viva”, na Avenida Dr. Antonio Gomes de Barros (antiga Amélia Rocha), 625, loja 8 B, Edifício The Square Park Office, Jatiúca), telefone: 3021 4110, site www.vivalivrariaeditora.com.br ou no Café Good Scent, na Rua José Pontes de Magalhães, 223, lojas 01, 02, Jatiuca, telefone 32352904. Web: www..good-scent.com

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