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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 804 / 2015

13/01/2015 - 07:16:00

A casa mal assombrada

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Vivemos no Brasil, um país lindo, cheio de montanhas, rios, praias, tudo muito bonito. Entretanto, possui uma mancha negra: políticos, empresários, laranjas, atacados pelo vírus da corrupção.   

 Nas últimas eleições houve um excesso de denúncias de ambos os lados. A presidenta, reeleita pelo povo, foi alvo de vários escândalos, mas os eleitores quiseram conservá-la. E, como respeitamos a democracia, teremos que aguentá-la por quatro anos.     

Em vários Estados foram empossados governadores e eleitos deputados cheios de processos, pois a lei da ficha limpa só funcionou para alguns. A Justiça é lenta e quase ninguém foi condenado. Alagoas é um caso atípico: o presidente do TJ, eleito pelos pares, é eivado de denúncias de todo tipo, mas nada impediu que fosse empossado. Ele é vacinado contra ataques públicos.

No Tribunal de Contas há vários ex-deputados acusados de corrupção e para lá foi o presidente da Assembleia Legislativa, que responde por desvio de dinheiro público, perseguição de idosos, divisão de cotas entre os parlamentares e, para completar, fechou o ano enganando os servidores, principalmente os aposentados.

Assumiu nosso Estado um governador novo, cheio de sonhos, que venceu as eleições prometendo consertar Alagoas. Para escolher secretários limpos teve vários problemas e não atingiu o intento, pois ele mesmo responde a algumas ações judiciais.   

 Entre os deputados a festa é grande: uns foram reeleitos, outros elegeram os herdeiros, alguns conseguiram chegar ao Legislativo explorando fatos sociais. A maioria dos parlamentares pensa da mesma maneira e não se preocupa em organizar o quadro de pessoal do Poder.     

O calcanhar de Aquiles do atual governo é a segurança. Alagoas é o Estado mais violento do Brasil. Foi escolhido um promotor público para a Secretaria de Defesa Social. Conheço-o muito pouco, mas já fui inquirida por ele no escândalo da ALE em 2012 e acompanho seu trabalho pela imprensa. Não vai ser fácil unir as facções da segurança estadual, mas rezo para que tudo dê certo.   

 Educação, Saúde, Trabalho, Administração, todas estão na UTI. O governador precisará de bons técnicos, não “mordidos pela mosca azul” para levar as secretarias de volta a um desempenho saudável. Sou sincera: não acredito que um político jovem, devidamente assessorado por velhas raposas, consiga implantar mudanças num rincão viciado como o nosso.     

Para conseguir aprovar os projetos de interesse do Estado, o governador precisará da maioria do Legislativo. Só conseguirá tal façanha se pagar um preço muito caro, isto é, molhando a mão dos deputados com cargos e dinheiro. É o tal “é dando que se recebe”!!!     

Lembro-me de ter encontrado Ronaldo Lessa numa viagem de avião quando foi eleito governador pela primeira vez. Tinha minoria na Assembleia e pensava ser possível governar sem apoio do Legislativo. Alertei-o para o perigo que corria e, menos de três meses depois, já tinha maioria. E seus projetos foram aprovados...     

Palavras de um advogado de empresários implicados no escândalo da Petrobras: “No Brasil, se as empresas não pagarem propina, não conseguem trabalhar”.     

Nada do que narrei aqui é novidade! Há muitos anos o país tropeça em corrupção, assassinatos, desvio de dinheiro público.     E o povo elege os mesmos! Poucos são exceções! A minoria não consegue mudar nada! E lá vamos nós, sonhando com dias melhores, iludidos por promessas de políticos mordidos pelo vírus da corrupção.     Só Deus na causa!

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