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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 803 / 2015

07/01/2015 - 09:34:00

Secretariado de Renan Filho herda piores índices e tem desafio de mudar Alagoas

Novo governador optou por nomes técnicos para setores críticos do estado

Carlos Victor Costa [email protected]

Durante a campanha eleitoral, Renan Filho (PMDB) defendeu como prioridade duas das áreas que mais têm destaque negativo nos noticiários: segurança e educação.

Em seus discursos o agora governador do Estado dizia que o caminho para o desenvolvimento e oportunidade aos alagoanos era a parceria entre todas as secretarias. Para tentar resolver os problemas que Alagoas vem enfrentando há anos, ele optou por mesclar seu secretariado com técnicos da área e indicações políticas. Para a área que mais preocupa os alagoanos, Renan Filho escolheu o promotor de Justiça Alfredo Gaspar de Mendonça Neto.

No  currículo do novo secretário de Defesa Social, a participação nas investigações de inúmeros casos de grande repercussão no Estado, a exemplo do assassinato da deputada federal Ceci Cunha. Ele também compôs o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos e está no exercício do segundo mandato como membro do Conselho Estadual de Segurança Pública, além de ter sido - até a nomeação para secretário - o coordenador do Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (Gecoc), ligado ao Ministério Público Estadual (MPE). À frente da secretaria, Alfredo terá como desafio conseguir tirar de Alagoas o título de estado mais violento do Brasil - promessa de campanha de Renan Filho.

Segundo o último relatório do Mapa da Violência, Alagoas é o Estado onde mais se mata no país, com uma média de 64,6 homicídios a cada cem mil habitantes. Só em janeiro do ano passado foram 220 assassinatos no estado; em fevereiro foram registrados 192; em março, 191; e em abril foram 217. Desse período, os dias de domingo e quarta-feira tiveram o maior número de homicídios.

Um registro alto e que certamente preocupa o novo secretário. Em seus diversos discursos de campanha, o governador Renan Filho deixava claro que o erro da segurança pública em Alagoas era de conceito. Segundo ele não é transferindo a responsabilidade dos problemas da segurança que os alagoanos poderão ter dias melhores na área.  Renan também sempre defendeu o trabalho em parceria entre Exército, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário, um dos motivos que o levou a nomear um membro do MP para a Secretaria de Defesa Social.


EDUCAÇÃO 

Colocada como principal foco da gestão do governador Renan Filho, a educação do estado apresenta os piores índices. O Estado tem o pior índice de analfabetismo do país, com 21,6% da população sem saber ler ou escrever. Além disso, as notas no Índice Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica também não alarmantes. No ensino fundamental, a nota foi de 3,1. Já no nível médio, de responsabilidade da rede estadual de educação, o índice foi ainda menor,  2,6. Para ocupar o cargo de secretário e tentar tirar a educação desta situação caótica, ele escolheu seu vice, Luciano Barbosa, que também foi coordenador da equipe de transição do governo. Luciano Barbosa é engenheiro Civil formado pela Universidade Federal de Alagoas, com mestrado em Economia pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos.

Foi secretário de Educação, de Finanças e de Saúde em Arapiraca. Além disso, também foi  secretário estadual dos Transportes e Obras e de Administração (1995-97), secretário de Planejamento e Orçamento do Ministério da Justiça (1999) e ministro da Integração Nacional (2002-2003). Em 2004 foi eleito  prefeito de Arapiraca e reeleito em 2008, tendo sua administração sido apontada como um dos destaques para o desenvolvimento da cidade do Agreste.

Luciano exerceu também a presidência da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA).O vice-governador foi o responsável  por apresentar os dados coletados pela então equipe de transição, segundo os quais a educação de Alagoas tirou 3.1 no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), incluindo escolas particulares e públicas cuja média nacional foi de 4.2. Já a nota das escolas públicas foi de 2.6, o que para o agora secretário demonstra a qualidade de ensino até então ofertada em Alagoas.

Ainda sobre a educação, Alagoas ocupa a 27ª posição no Brasil, ou seja, é o “lanterninha” com índice de 21,6% de analfabetos. Segundo Luciano Barbosa, Alagoas ter o pior índice do Brasil é constrangedor.

Para ele,  é uma grande dívida social que historicamente o Estado de Alagoas possui com seus filhos. Com o pior Ideb em todas as séries, a maior taxa de analfabetismo do país e ocupando a última posição na pontuação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), a educação em Alagoas só piora a cada dia, conforme a avaliação da equipe que coletou os dados na fase de transição. “A má gestão da pasta pelo governo do Estado tem resultado em uma estrutura precária e também no afastamento dos alunos das salas de aula”, afirma o relatório entregue a Renan Filho.

Só em 2014, Alagoas recebeu R$ 1,95 bilhão somente para a educação básica. Houve também os recursos provenientes do Fundo de Manutenção do Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que destinou R$ 549,82 milhões para a rede estadual. O problema é que não se sabe como esse dinheiro foi usado, pois nada mudou e a Educação do estado continua na mesma situação caótica. Um levantamento em julho do ano passado realizado pela 19ª Promotoria de Justiça da Capital do Ministério Público do Estado apontou que mais de 80 mil alunos da rede pública estadual em Maceió foram prejudicados pelo ensino precário oferecido em 2013.

Esse número foi resultado de inspeções realizadas nas unidades de ensino na capital entre março e maio daquele ano.Os indicadores confirmam que Luciano Barbosa tem um enorme desafio pela frente e a avaliação de especialistas da área, com base na gestão dele quando prefeito de Arapiraca,  é de que a situação tende a se modificar já a partir deste ano. SAÚDE Rozângela Wyszomirska, a nova secretária de Saúde, é graduada em Medicina pela Escola de Ciências Médicas de Alagoas, atual Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas – Uncisal, onde desde 2009 atuava como reitora.

Além disso é especialista em gastroenterologia pela Federação Brasileira de Gastroenterologia, mestrado e doutorado pela Universidade Estadual de Campinas. Possui especialização em Auditoria em Saúde, Educação Médica, tendo participado do programa de desenvolvimento docente para educadores médicos (FAIMER-Brasil).

É professora adjunta da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da Uncisal. Pesquisadora nas linhas de esquistossomose e educação em saúde, com trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais. Rozângela comanda agora uma área que vem apresentando melhoras, mas que ainda precisa modificar seus indicadores.

A mortalidade infantil teve uma queda e Alagoas está na 4ª posição no Nordeste. A atenção básica também apresentou melhora e a expectativa de vida é de 70 anos. Como a expectativa de vida está ligada à violência e Alagoas sendo o estado mais violento do país acaba impactando esses números.  

Embora o estado sustente a maior taxa de homicídios do país, é a saúde que mais preocupa os alagoanos. Foi o que revelou  uma pesquisa do Ibope, divulgada em agosto do ano passado pela TV Gazeta de Alagoas. Além de saúde e segurança pública, a educação aparece na lista dos três problemas que os entrevistados consideraram de maior gravidade.

Para 35% a saúde é o maior problema de Alagoas. O item segurança pública aparece em segundo lugar, conforme 18% dos entrevistados e educação ocupa a terceira colocação, com 15%. Rozângela também tem o desafio de acabar com a fatídica imagem de hospitais lotados, sem infra-estrutura, sem medicamentos e o sofrimento no rosto de pacientes desassistidos.

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