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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 803 / 2015

07/01/2015 - 09:08:00

Costa dos Corais pratica turismo predatório com exploração do turista

Na orla de Maceió, barraca Lopana chega a cobrar 50 reais pelo acesso, além de preços abusivos; é caso de Procon ou de polícia?

DA REDAÇÃO

A Rota Ecológica alagoana, região que abrange três municípios do litoral norte, Passo do Camaragibe, São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras, é a bola da vez do turismo estadual. Motivos não faltam: área protegida por estar dentro da APA Costa dos Corais, belíssimas praias desertas, águas quentes e cristalinas, pouca poluição ambiental provocada por esgotos urbanos, projetos ambientais, como o de proteção ao Peixe Boi Marinho - animal em via de extinção - culinária de nível internacional, rico artesanato e folclore, eventos que entraram no calendário turístico nacional e pousadas que estão entre as mais cobiçadas do Brasil. Olhando por esse ângulo, um verdadeiro paraíso.

Mas por detrás dos bastidores a realidade se mostra bem diferente, sobretudo no que se refere à exploração exagerada dos preços nos serviços turísticos oferecidos. Todos sabem que no verão a explosão dos preços parece não ter limite.

E se existe uma demanda, essa realidade se torna desenfreada. Temos o mau exemplo da barraca Lopana, na Ponta Verde. Na baixa temporada o cliente paga até 10 reais para entrar. Nesses dias de verão o turista tem de desembolsar nada menos do que 50 reais para ter acesso ao local, sem falar nos preços abusivos. Se isso não for exagero é caso de Procon, ou de polícia? E sempre é bom lembrar que Lopana, assim como outras barracas da orla, exploram espaços públicos sob concessão do município.

Mas a exploração do serviço turístico da Rota Ecológica parece realmente não ter limites, especialmente em São Miguel dos Milagres.  Com a chegada das pousadas alguns anos atrás os preços de hospedagem dispararam. Restaurantes também acompanharam. Terrenos idem. Até aí nada de anormal. Cinco anos atrás, com o primeiro réveillon dos Milagres nova escalada de preços: pousadas, restaurantes, casas de aluguel, passeios e aluguéis de bugre dispararam.

Com o passar dos anos e mais turistas procurando pela festa a tendência de aumento continuou.As pousadas mais cobiçadas cobram de 10 mil a 22 mil reais por um pacote de sete dias, com direito a meia pensão, ou seja, café da manha e uma refeição, por casal. Pousadas menores cobram de 3 mil  a 8 mil reais nas mesmas condições. Casas de aluguel quadruplicaram seus preços. De mil para quatro mil reais, de quatro mil para oito mil reais e de oito mil para até 25 mil reais por uma semana. Só existe uma vantagem: 10 ou 20 pessoas podem ficar nessas casas.

Restaurantes seguiram a tendência: nos mais simples as peixadas podem custar até 70 reais para duas pessoas. Nos restaurantes gourmets e nos das pousadas os valores são exorbitantes, de 100 reais a 200 reais por um prato para duas pessoas.

Os passeios não ficaram para trás. Para fazer o passeio do peixe boi com condutores legalizados ligados a Associação dos Condutores deve-se desembolsar 50 reais por pessoa. Para ir às piscinas naturais cobra-se de 25 reais a 40 reais por pessoa. Passeios de bugre até a praia do Patacho ou a praia dos Morros custam de 80 reais a 100 reais por duas pessoas.

Mas o mais absurdo são os valores praticados pelo réveillon do “Tamo Junto”, festa que substituiu a anterior: se o turista comprar o pacote de 8 festas, pode pagar até 3 mil reais. Se optar por festas individuais, mais caro fica. A noite do réveillon, por exemplo, o desembolso pode chegar até 1.400 reais por pessoa.Resumindo, na Rota Ecológica e em especial em São Miguel dos Milagres, o turismo está deixando de ser uma atividade econômica para ser uma exploração exagerada do turista.

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