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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 803 / 2015

07/01/2015 - 08:57:00

Deputados arrecadaram mais de R$ 10,6 milhões durante a campanha

Levantamento da Revista Congresso em Foco traça perfil dos parlamentares estaduais eleitos em outubro último

Vera Alves [email protected]

Na faixa dos 50 anos, com um padrão de vida superior ao da maioria da população ou carregando no nome o DNA de tradicionais famílias de políticos. Este o perfil dos 1.059 novos legisladores das assembleias estaduais que tomam posse no dia 1º de fevereiro, conforme o diagnóstico traçado pela Revista Congresso em Foco e que confirma também o conservadorismo brasileiro em eleger predominantemente pessoas da raça branca como seus representantes. 

Em Alagoas, a nova composição da Assembleia Legislativa Estadual (ALE), nem tão nova assim, a bem da verdade, já que 59% dos deputados atuais se reelegeram, é o retrato fiel do que vai pelo país, como mostra o levantamento feito pelo repórter Edson Sardinha, autor da reportagem O raio-x do poder nos estados, um dos destaques da edição de número 14 da revista que pode ser acessada por assinantes e usuários do UOL em http://revista.congressoemfoco.uol.com.br/.

Com base no levantamento, sabe-se também agora que os deputados alagoanos eleitos arrecadaram oficialmente durante a campanha exatos R$ 10.650.207,95.O campeão de arrecadação, contudo, não foi o mais votado.Tio do governador Renan Filho (PMDB), o também peemedebista Olavo Calheiros declarou à Justiça Eleitoral ter arrecadado R$ 1.111.516,50, pouco mais de 10% do total e foi o décimo colocado em votos.

A liderança em votação ficou com o tucano Rodrigo Cunha. O ex-diretor do Procon de Alagoas e filho da deputada federal Ceci Cunha – assassinada em 1998 junto com o marido, a sogra e um cunhado -  teve 60.759 votos e declarou arrecadação de R$ 549.744,35. Com 68% de sua população formada por não brancos, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Alagoas elegeu em sua maioria brancos para a ALE. Dentre os 27 parlamentares que assumem em menos de um mês, 18 são brancos e 9 pardos; não há um único negro no Legislativo estadual.

Já na Câmara Federal, dentre os 9 integrantes da bancada alagoana, 7 são brancos, 1 é pardo e 1 se declarou negro (o petista Paulo Fernando dos Santos, o Paulão). Trata-se de uma disparidade em relação à raça predominante comum a todo o país, conforme o levantamento da Congresso em Foco com base nos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).


PARTICIPAÇÃO FEMININA

Reeleita com 30.175 votos, a deputada Thaise Guedes (PSC) e a estreante Jó Pereira (DEM), que obteve a segunda maior votação (52.931), serão as únicas mulheres da nova legislatura. Hojea participação feminina na Casa de Tavares Bastos se concentra também em duas figuras, a própria Thaise e a deputada Flávia Cavacante (PMDB) que encerra este mês seu segundo mandato e abriu mão da reeleição em prol do pai, o ex-prefeito de São Luiz do Quitunde Cícero Cavalcante. O peemedebista, que acumula várias denúncias do Ministério Público e ações por improbidade administrativa acabou ficando na suplência. 


Governador tem a maioria dos deputados estaduais

O governador Renan Filho (PMDB) tem a maioria dos deputados estaduais eleitos pela coligação com a qual disputou as eleições de outubro. São 12 parlamentares, sendo 3 do seu partido (Ricardo Nezinho, Olavo Calheiros e Luiz Dantas), 2 do Pros (Marcelo Victor e Carimbão Junior), 2 do PT (Marquinhos Madeira e Ronaldo Medeiros), 2 do PDT (Sérgio Toledo e Isnaldo Bulhões), 2 do PSD (Tarcizio Freire e Dudu Holanda) e 1 do PSC (Thaise Guedes).

A despeito da pífia campanha para o governo do Estado, o PSDB será o partido com maior representação na nova Assembleia; quatro tucanos se elegeram: Rodrigo Cunha, o campeão de votos, Bruno Toledo, Gilvan Barros Filho e Edval Gaia. O PRB, legenda à qual os tucanos se aliaram na disputa majoritária, fez apenas um deputado, Galba Novaes.

Aliados do senador Benedito de Lira (PP) durante a campanha eleitoral, DEM, PPS e PSB fizeram dois deputados cada um, Jó Pereira e Pastor João Luiz, Severino Pessôa e Marcos Barbosa, e, Inácio Loiola e David Davino, respectivamente. 

Escorraçado das composições partidárias junto com o PMN que traz de volta à ALE o hoje federal Francisco Tenório, o PRTB terá três parlamentares, os campões de processos nas esferas civil e criminal Antônio Albuquerque e João Beltrão e o não menos polêmico Jairzinho Lira, que chegou a ser acusado de compra de votos pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

Já Chico Tenório, que retorna à Assembleia depois de passar quatro anos na Câmara Federal, responde a quatro processos em segredo de Justiça e tem contra si várias acusações, inclusive de assassinato, além de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional. Delegado da Polícia Civil, ele foi aposentado por invalidez em junho último por meio de decreto assinado pelo agora ex-governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). 


O DNA DA POLÍTICA

Carimbão Junior, Gilvan Barros Filho, Bruno Toledo e Jó Pereira, quatro dos cinco marinheiros de primeira viagem na Casa de Tavares Bastos (o quinto é Rodrigo Cunha)têm em comum o DNA da política no sangue. Os três primeiros são filhos de experientes políticos da terra dos marechais, enquanto Jó é irmã do deputado Joãozinho Pereira (PSDB) que chegou a formalizar sua candidatura à reeleição mas renunciou antes do pleito.

Carimbão Junior é filho do deputado federal reeleito Givaldo Carimbão (Pros); Gilvan segue a carreira do pai, o tucano Gilvan Barros que chegou a ser vice da desgastada candidatura do procurador de Justiça Eduardo Tavares, enquanto Bruno Toledo é filho do atual presidente da Assembleia, Fernando Toledo (PSDB) e hoje no centro da disputa da vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

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