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Edição nº 803 / 2015

07/01/2015 - 08:48:00

Falta de acessibilidade em Maceió é entrave para cadeirantes

A professora e doutora Dolores Fortes diz que ainda há muito o que fazer pela mobilidade na capital alagoana

Maria Salésia [email protected]

Se comparado há alguns anos, Maceió já está bem acessível - pelo menos nos calçadões das praias de Jatiúca, Ponta Verde, Pajuçara e Francês, aonde há ciclovias e passeios com calçamento e rebaixamento nas travessias. Porém, ainda existe muito por se fazer para garantir a mobilidade de todos, indistintamente.

Esta observação é da professora e doutora Dolores Fortes, que é cadeirante.Morando em Maceió há três meses, ela reclama que ainda não consegue caminhar pelas calçadas dos bairros, mesmo aqueles que pela lógica do poder aquisitivo de seus moradores deveriam ter mais esclarecimentos e saber que os passeios são de todos e deveriam ter total acessibilidade.  

“Quando circulo com minha cadeira de rodas pelos bairros como Ponta Verde, Jatiúca e Cidade Universitária, dificilmente consigo fazer os percursos somente pelas calçadas e, quando há uma guia com rebaixamento, normalmente tem um carro ou moto bloqueando o acesso”, comparou.A professora cita um fato cômico que lhe aconteceu, isso para não dizer que foi dramático.  

Ao circular pelo bairro de Jatiúca à procura de uma drogaria e passar por três sem acessibilidade, encontrou uma com rampinha, porém, havia uma moto obstruindo a entrada. Quando o obstáculo foi retirado e ela se posicionava em frente a rampa de saída, enquanto girava a cadeira, um automóvel estacionou sobre a rampa de acesso. Ao questionar “quem colocou esse carro aqui?”, uma mulher simplesmente respondeu: “Fui eu; você quer que eu retire?”. 

Outra observação feita por Dolores Fortes é com relação à acessibilidade ao litoral. Ela reconhece que as praias alagoanas são belíssimas e como gosta de nadar, diz que as praias da Sereia, Ponta Verde e do Francês são maravilhosas porque são tranquilas e formam uma piscina natural.

Mas diz que falta infraestrutura de acessibilidade para se chegar às praias, ao mar. “Maceió aquece o corpo, a alma e o coração de quem visita essa terra linda. Mas, os estabelecimentos, transporte e vias públicas, em sua maioria, ainda estão um caos. Pessoas com deficiência sofrem para ir, vir e fazer uso de serviços que são direito de todos.”Se nos bairros nobres da capital alagoana a acessibilidade é precária, na periferia e parte alta da cidade o problema se agrava. As calçadas são desniveladas, quando possuem calçamento, raramente se encontram acessíveis, com guias rebaixadas em travessias.

Há bairros em que na maioria das ruas sequer existe asfalto. Algumas são cobertas por paralelepípedos, que são horríveis para quem faz uso de cadeiras de rodas.Os estabelecimentos públicos não fogem à regra. Exemplo disso é a Pinacoteca da Ufal que não possui acessibilidade para cadeirantes.  “Acho uma ofensa e agressão um órgão público não ser de uso e direito de todos”, desabafou Dolores Fortes. Há muitos anos a professora luta por mais respeito às pessoas com deficiência.

Ela alerta que um carro estacionado em uma calçada põe em risco a vida de muitas pessoas, mas com relação a um cadeirante isso é muito mais grave. “Inúmeras vezes em São Paulo, e agora como moradora em Maceió, tive que ir para avenida, pois havia automóveis na calçada travando a circulação de pedestre e cadeirante.

Consequentemente, vou à rua e prejudico o trânsito, além de por minha vida e de outros em risco, por imprudências e desrespeito de condutores.”Além da falta de infraestrutura em Maceió ser gritante, mais gritante ainda é a falta de respeito e informação. Rampas de acesso, vagas reservadas, banheiros acessíveis devem estar sinalizados. A professora diz ainda que as escolas e a mídia devem frequentemente apresentar e veicular informações para que crianças e adultos se conscientizem do “por quê” necessitam desses espaços reservados.

Não é um capricho, e sim uma necessidade. “Isso é uma questão de ética ou de ego - o querer e o poder. Muitas vezes se faz o que quer mesmo que não possa e tiram o direito de quem precisa. Normalmente só quando as pessoas começam a conviver com pessoas com deficiência é que conscientizam-se sobre o quanto as cidades e bairros estão deficientes”.

Ela apela à mídia e as prefeituras para que informem as pessoas como se faz calçadas acessíveis e que não as obstruam com lixo ou outros objetos. E mais: que haja punição para quem não cumpre a lei. “Pessoas com deficiência sofrem para ir, vir e fazer uso de serviços que são direito de todos. Infelizmente, em sua maioria possuem baixo nível de escolaridade, quando não, das famílias que muitas vezes, veem os serviços às pessoas com deficiência como uma ajuda, um favor, uma benevolência.

Não é. A acessibilidade, o direito de ir e vir, de assistência a saúde, educação, trabalho e cultura é um direito do cidadão e um dever do estado. Direito constitucional. E direitos devem ser respeitados e cumpridos”. A professora alerta que a cidade de Maceió não está preparada para fazer a inclusão.

Ela compara a capital alagoana a outros locais que visitou, inúmeras cidades dentro e fora do Brasil e revela que mesmo em localidades pobres, cheios de altos e baixos-planaltos, como no Peru, há muitos espaços locais bem acessíveis. “Quando não havia acesso, ligeirinho vinham pessoas a me auxiliar”. E

assim questiona: “Por que Maceió não é acessível se temos tantas planícies e pela lógica, seria muito mais fácil fazer acessibilidade? A resposta me parece óbvia: informação. Como pessoas com deficiência pouco circulam pelos espaços e quando o fazem, tem dificuldade de pedir ajuda, esse apelo deve vir da mídia como informação. Fazer acessibilidade não é favor, ao contrário, além de dever é marketing, é inteligência. É um convite á um público que está aí para fazer diferente e fazen

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