Acompanhe nas redes sociais:

22 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 803 / 2015

07/01/2015 - 08:17:00

A casa mal assombrada

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Estamos lutando há vários anos para levar o lado profissional com tranquilidade. Mas, é impossível.Aos 18 anos começamos a trabalhar numa casa política. Era a época do Sindicato do Crime em Alagoas. Assustada, vi um deputado entrar na Assembleia de capa preta, parecia o Tenório Cavalcante.

Eram homens violentos que matavam e morriam, mas cumpriam as leis administrativas.O tempo foi passando e apareceram mentes brilhantes que inventaram uma maneira de entrar no serviço público sem concurso. A moda foi pegando e, de dois em dois anos, os comissionados viravam estáveis e outros eram nomeados.

Chegamos a um momento em que a ALE tinha 5.000 funcionários e o duodécimo era maleável, isto é, crescia mês a mês. O escândalo foi tanto que o governo inventou um Plano de Demissão Voluntária – PDV. Só do Legislativo saíram mais de 700 pessoas e outras tantas foram demitidas.Parecia que tudo voltaria ao normal: receberíamos o salário em data certa, haveria um calendário de pagamento anual, nosso terço de férias seria pago de acordo com a lei, nossas promoções seguiriam um ritual criterioso. Éramos servidores normais!!!Mas, o tempo foi passando, a ambição crescendo e cada deputado colocava sua família inteira no Legislativo.

Os técnicos que trabalhavam no Departamento de Pessoal também precisavam entrar na dança e a folha voltou a crescer.Havia um detalhe que nos salvava: os deputados faziam bobagens, mas não mexiam conosco, com nossos salários. Contentavam-se com o que era deles e deixavam nossas vidas em paz.

Como diz o velho ditado: “Alegria de pobre dura pouco”. Foram aparecendo parlamentares mais ambiciosos. O salário e a verba de gabinete não eram suficientes. Queriam mais e mais.Descobriram uma nova tática: aumentavam o número de comissionados e os salários dos coitados eram divididos com os protetores. Atualmente são 900 assessores e a maioria paga parte do que recebe aos padrinhos.E ainda não foi o suficiente.

Eles queriam mais e passaram a estabelecer cotas para os deputados. O segundo secretário, moço sagaz, que cursa Direito, mas já criou para ele um cargo de procurador, é o mentor intelectual do crime. Quem divide as cotas com os companheiros é ele. Resolveu não aparecer muito; fica só nos bastidores.Vocês acham pouco? Pois, os moços são insaciáveis.

Resolveram cortar salários dos servidores, burlar o imposto de renda, e enganar a previdência. Tudo isto em detrimento dos salários dos estáveis, pois eles não dividem nada com os patrões.Estamos no fim de 2014 e a cena se repete há vários anos: eles gastam os duodécimos todos até novembro. Quando chega o último mês do ano, pedem suplemento ao governador para pagar dezembro e o 13º salário.

E ninguém faz nada!Este mês pagaram o 13º salário no dia 23 de dezembro e pasmem: aos aposentados só pagaram a metade!De madrugada, o 2º Secretário, que poderia ser chamado de Ravengard, chega ao Departamento de Pessoal e começa a modificar a folha de pagamento da maneira que lhe convém.

E ninguém faz nada!E nós, pobres vítimas dos fantasmas da Casa Mal Assombrada, tomamos verdadeiros sustos quando recebemos nossos salários! Alguém levou uma boa parte. E ninguém faz nada!

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia