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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 802 / 2014

28/12/2014 - 10:05:00

Amenidades

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

O Natal está chegando e as boas lembranças vêm com ele. Lembro-me da lei da boa vizinhança ensinada por nossa mãe. Nós éramos oito e só frequentávamos as casas dos amigos devidamente autorizados e por pouco tempo.Morávamos na Avenida Fernandes Lima, no Farol, ambiente de famílias tradicionais, médicos, governadores, deputados e senadores. Nosso pai era auditor fiscal do antigo IAPI e nossa mãe uma razoável dona de casa. Classe média, média.

Ao nosso lado moravam dona Yelva e Dr. Álvaro Vasconcelos, um casal sem filhos, que nos curtiam de vez em quando e nos achavam bem educados. Em determinados sábados éramos convidados a escutar histórias infantis, comer bolo e tomar guaraná. “Quando acabar”, dizia dona Salvelina, “voltem para casa, agradeçam e não toquem em nada”.

Num momento difícil da vida do casal, meus pais foram bons amigos que os ajudaram. Reciprocidade, diria eu.Antes de 1952 ainda havia bonde no nosso bairro. E às 7 horas os estudantes desciam para suas escolas. Nós estudávamos no Grupo Escolar Fernandes Lima. Havia meninos e meninas que estudavam nos colégios Sacramento, Batista, Guido, São José, Diocesano.

Ainda hoje vejo pessoas do bonde: uns amigos, outros nem nos cumprimentam. Somos todos idosos e temos diferentes histórias de vida, umas tristes, outras alegres.Anos depois encontrei uma senhora que entrou para nossa família e me disse sorridente: “Alari, agora me lembrei de você. Era filha de dona Salvelina. Vocês eram bem educadinhos, mas eram muitos; sua mãe os cobria com um cesto”. Pobre coitada; morreu tristemente atacada por uma doença degenerativa.

Preconceituosa, diria eu. E fomos andando pelo mundo, passando por várias etapas, colecionando amigos e conhecendo os “amigos da onça”. Mas, adquirindo experiências, passadas depois para filhos e netos. Comecei a trabalhar bem nova, com 18 anos, numa casa política. Entretanto, tive o prazer de conhecer pessoas maravilhosas: umas ainda vivas, amigas há mais de 60 anos.

Outras, já morreram, mas nos deixaram lembranças maravilhosas. Os políticos, naquela época, eram mais gentis, mais educados, menos sabidos, e nos respeitavam.Casei-me e passei a morar em vários Estados brasileiros, por conta da profissão do meu marido. Deixamos um rastro de verdadeiros amigos, muitos dos quais, meus filhos chamam de tios.

Nos encontros da turma de 1961 da AMAN é uma verdadeira festa de companheirismo: lá estão colegas e esposas, amigos nossos há mais de 50 anos.Dessa fase da minha vida um fato me deixou emocionada: minha filha mais velha foi madrinha de casamento do filho mais velho de um grande companheiro nosso.

O tempo foi passando e a melhor (ou pior?) idade chegou. Quando pensávamos que, aposentados, iríamos curtir filhos e netos, aparecem novos problemas e enveredamos em lutas funcionais. Ao invés de curtir a velhice, passear, visitar filhos, voltamos a trabalhar, procurar advogados, acompanhar processos.

E então, conhecemos novos companheiros de luta, já com a família criada, mas tendo que trilhar novos caminhos. Surgem, também, os “amigos da onça”, perseguidores de idosos, esquecidos de que um dia, ficarão velhos.  Uma amiga me disse recentemente: “Alari, meu terapeuta pediu-me que citasse 3 verdadeiras amigas. Citei você, minha secretária de dezenas de anos e uma velha prima”.

Adorei. Quando fiz 70 anos, minha irmã Vera fez uma festinha e me pediu que convidasse 3 amigas novas e 3 velhas. Foi difícil, mas consegui, pois eram muitas. E aí, meus caros leitores: hoje decidimos falar de amizade, um assunto mais ameno. Mas não é que apareceram os “amigos da onça”? Coisas da vida, digo.

FELIZ NATAL!!!

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