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Edição nº 801 / 2014

17/12/2014 - 09:41:00

Ossário e crematório podem ser saída para a crise dos cemitérios de Maceió

Ignorada pelo poder público, a contaminação do lençol freático na parte baixa da capital vem sendo denunciada há sete anos

Vera Alves [email protected]

A implantação de um novo ossário no bairro do Jaraguá e a construção de um crematório mediante parceria com a iniciativa privada podem ser a solução emergencial mais adequada para a crise dos cemitérios públicos de Maceió. Crise esta que, diga-se de passagem, vinha sendo ignorada desde a gestão da prefeita Kátia Born, atravessou os dois mandatos de Cícero Almeida até chegar ao governo de Rui Palmeira e alcançou seu auge esta semana, quando uma inspeção do Ministério Público Estadual e Câmara Municipal flagrou um cachorro roendo a ossada de um ser humano no Cemitério São José, localizado no bairro do Trapiche e o mais tradicional da capital, que dispõe de oito cemitérios públicos.

Presidente da Comissão de Serviços Públicos, vice-presidente da Comissão de Higiene, Saúde Pública e Bem Estar Social e membro da Comissão de Acompanhamento de Políticas Públicas de Prevenção de Violência Contra Jovens da Câmara Municipal de Maceió, o vereador Cleber Costa (PT), que participou da inspeção ao lado do promotor de Justiça Flávio Gomes Costa, assinala que a situação hoje é catastrófica. 

Há uma total falta de controle dos registros de sepultamentos no São José: o número da sepultura registrado não bate com o da cova e as famílias estão sendo obrigadas a recorrer aos coveiros mais antigos para saber a localização exata dos restos de seus parentes. “Eles são um verdadeiro arquivo vivo; se morrerem as famílias ficam sem saber onde estão sepultados os entes queridos”, afirma o vereador.

De acordo com Cleber Costa, há ainda questões administrativas não resolvidas envolvendo os coveiros. Os que estão em atividade são precarizados, sem vínculo empregatício e sem diretos trabalhistas; a prefeitura realizou um concurso para coveiros do qual eles não participaram, dado o baixo nível de escolaridade. O problema é que quem passou não quer atuar na função, a despeito de ter se inscrito para ela.


SAÚDE E MEIO AMBIENTE

Além dos casos de desaparecimento de restos mortais e violação de túmulos, alvo inclusive de inquéritos policiais, no caso específico do Cemitério São José – onde os sepultamentos estão suspensos – há o agravante da total ausência de condições sanitárias e de contaminação do solo freático por necrochorume (material orgânico resultante da decomposição de corpos).

Denunciada há dois anos pelo estudo da pesquisadora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Florilda Vieira da Silva, a contaminação do solo nos cemitérios de Maceió chegou a ganhar as manchetes dos jornais locais na época, mas acabou esquecida e relegada, mais uma vez, pelo poder público. Intitulado “Avaliação da Contaminação das Águas Subterrâneas por Atividade Cemiterial na Cidade de Maceió”, o estudo alertava para a forte presença donecrochorume no solo do São José e também no do Cemitério Nossa Senhora Mãe do Povo, no bairro do Jaraguá. 

Em seu trabalho, a pesquisadora também cita a existência de um primeiro levantamento datado de 2007, “Diagnóstico da qualidade das águas subterrâneas nas proximidades dos cemitérios da parte baixa da cidade de Maceió”, apresentado durante o 24º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, realizado naquele ano em Belo Horizonte (MG). Ou seja, a contaminação do solo e do lençol freático nos cemitérios da capital não é uma novidade.

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