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Edição nº 801 / 2014

17/12/2014 - 09:29:00

Eleição da AMA terá candidatos acusados de desvio de dinheiro público e calote

Disputa no pleito marcado para janeiro reúne nomes como Celso Luiz, Jorge Dantas, Gustavo Feijó e Toninho Lins

Carlos Victor Costa [email protected]

A Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) é uma instituição que aparentemente atua de forma  independente e cujo principal objetivo é de agregar ideias e estratégias para ajudar no desenvolvimento e interesses políticos dos 102 municípios de Alagoas. A cada dois anos um prefeito é escolhido para assumir a presidência da entidade, sendo que a disputa pela diretoria para o biênio 2015/2017 tem eleição marcada para janeiro próximo  e dela devem participar nomes conhecidos do cenário político.

 O que preocupa na realidade é o histórico de cada um, tendo em vista que a maioria  já foi acusada ou tem envolvimento com casos de corrupção ou irregularidades administrativas, e a vitória de um deles poderia gerar um desconforto para a entidade que foi instalada no estado em fevereiro de 1981. 

As conversas de bastidores da política revelam que já teriam oficializado candidatura os prefeitos Toninho Lins (PSB), de Rio Largo, Gustavo Feijó (PDT), de Boca da Mata, Marcelo Beltrão (PTB), de Jequiá da Praia, Jorge Dantas (PSDB), de Pão de Açúcar e atual presidente da AMA, Cristiano Matheus (PDMB) de Marechal Deodoro, e Celso Luiz (PMDB), de Canapi. 

O que chama a atenção para o nome dos candidatos é o conjunto de acusações que eles carregam em seus currículos. O prefeito de Rio Largo, Toninho Lins é investigado  em sete processos por fraude em licitação e improbidade administrativa. Sua gestão à frente do município é marcada por idas e vindas, afastamentos e retornos. 

Toninho chegou a ser afastado após uma investigação do Ministério Público Estadual de Alagoas(MP) que o denunciou pela venda de um terreno com dispensa de licitação, entre outras irregularidades, durante o período de 2009 a 2012. Ele também foi acusado de comandar uma organização criminosa no município, que cometia crimes contra a administração pública, com fraudes em licitações que teriam chegado ao valor de R$ 150 mil. Para a imprensa, o prefeito sempre negou as acusações, alegando ser perseguido por seus opositores do município. 


ACÚMULO DE CARGOS 

Já no currículo de Gustavo Feijó, que além de prefeito de Boca da Mata é presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF), “empresário” de jogador de futebol, patrono do Santa Rita, time da cidade que administra, e que a partir do ano que vem assume uma das vice-presidências da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), há acusações de manipulação de jogos do campeonato alagoano, calote na Associação dos Cronistas Desportivos de Alagoas (ACDA) e  crimes de desacato a um oficial do Exército e desordem no cartório eleitoral de Boca da Mata durante as eleições de 2010, tendo sido preso em flagrante no dia 31 de outubro daquele ano.

Taturanas e gabirus

Outro prefeito que anunciou a candidatura para presidente da AMA é um velho conhecido da política alagoana e da Polícia Federal. Celso Luiz (PMDB) é o atual gestor de Canapi, mas ficou marcado na condenação pelo envolvimento no desvio de mais de R$ 300 milhões da Assembleia Legislativa de Alagoas, em 2008, quando era deputado estadual. Celso Luiz também responde pela acusação de desvio de recursos públicos federais repassados pela extinta Legião Brasileira de Assistência (LBA). Na época dos desvios, Celso era prefeito do município de Inhapi, no Sertão.


GABIRU

O atual presidente da AMA é o prefeito de Pão de Açúcar, Jorge Silva Dantas (PSDB) e em seu currículo carrega acusações por improbidade administrativa, devido a irregularidades em um convênio firmado com o Ministério do Meio Ambiente em 2002, no valor de R$ 600 mil. Em 2005 – no seu segundo mandato como prefeito – chegou a ser um dos suspeitos da Operação Gabiru, deflagrada pela Polícia Federal a 17 de maio daquele ano mas não chegou a ser indiciado.

A operação, que investigou o desvio de R$ 1,8 milhão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e lavagem de dinheiro por parte dos gestores de oito municípios culminou na denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF) contra os então prefeitos de Matriz do Camaragibe, Marcos Paulo (que renunciou ainda em 2005); Igreja Nova, Neiwton Silva; São Luiz do Quitunde, Cícero Cavalcante; São José da Laje, Paulo Roberto Pereira, o Neno; Porto Calvo, Carlos Eurico Leão e Lima, o Kaíka; Marechal Deodoro, Danilo Dâmaso (já falecido); Feira Grande, Fábio Apóstolo de Lira; e Canapi, José Hermes de Lima. 


MARECHAL E JEQUIÁ

Cristiano Matheus (PMDB) prefeito de Marechal Deodoro tem em seu histórico acusações de fraude à licitação, formação de quadrilha e crimes de responsabilidade de prefeitos e vereadores, o que teria gerado um prejuízo de mais de R$ 1,3 milhão aos cofres públicos. Já Marcelo Beltrão (PTB), prefeito de Jequiá da Praia foi julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL), devido a um processo em que é acusado de abuso de poder político e conduta vedada a agente público por ter mandado pintar bens públicos, como a sede da prefeitura e carros oficiais, de laranja, cor adotada por ele nas últimas eleições.

O pleno do TRE entendeu pelo provimento parcial, ou seja, culpado em parte, por maioria de votos. Na decisão, os desembargadores eleitorais entenderam que houve abuso de poder político e condenaram o réu ao pagamento de 20 mil Ufir, pouco mais de R$ 365 mil e 400.

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