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Edição nº 801 / 2014

16/12/2014 - 17:14:00

O problema é o miolo

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Leio os jornais e verifico a intenção dos novos dirigentes: cortar comissionados, diminuir secretarias, fazer novos empréstimos.     

Não ouço ninguém falar nas verdadeiras mudanças: verificar as pessoas técnicas que há vários anos elaboram folhas de pagamentos, transferências de verbas para outros poderes. Os dirigentes dependem deles e não se preocupam em treinar outras pessoas capacitadas para exercerem funções específicas.   

 Vou dar um exemplo concreto: o Departamento de Pessoal do Legislativo alagoano. Há mais de vinte anos uma só pessoa que veio da Secretaria de Administração, de onde saiu algemado para a própria ALE, local em que foi preso por realizar operações erradas. Esse moço tem toda família na folha de pagamento, trata mal a diversos servidores, mas continua lá, obediente aos deputados e lucrando com isso.     

Os parlamentares que compõem a Mesa Diretora se acham muito sabidos. Colocam no Departamento um diretor ingênuo, que depende dos técnicos para realizar o trabalho.   

Na parte financeira da ALE existe um diretor muito vivo (aquele que escondeu o “pen drive” dentro da camisa). É irregular, ganha acima do sub teto ilegal e persegue os companheiros que não rezam na sua cartilha, levando alguns  ao psiquiatra.   

Entra Mesa, sai Mesa, e os moços obedientes não saem do trono. Se algum servidor reclama, vem a resposta: “Eu cumpro ordens!”. E eu digo: no meio das determinações maldosas eles fazem o que querem. O do Departamento de Pessoal, se juntar toda a família na folha de pagamento, a renda ultrapassa os 40 mil reais.      

Descobrimos agora através de processo, que o moço desconta de meu salário, valores  para a Previdência, bem mais altos do que uma mulher de 73 anos, com doença grave, deveria descontar. E existem outros casos.   

 Aí eu pergunto: e os anos que perdi? E vem a resposta: Você tem que requerer!!! Um processo administrativo na ALE dura anos. O meu último saiu andando de sala em sala, no mesmo prédio, durante mais de 3 anos. Só no Departamento de Pessoal dormiu quase 4 anos. Vou requerer algo que me foi tirado indevidamente e  deveria ser ressarcido automaticamente.   

No Legislativo perseguir idosos é normal, isto é, os próprios companheiros perseguem os aposentados e afirmam que é ordem da Mesa Diretora.   

Já passaram pelo Legislativo várias Mesas e nenhuma delas escapa do “conto do vigário”: brigam pelos cargos de direção, mas se esquecem do miolo.     

Longe de mim a ideia de demitir técnicos. Eles precisam de revezamento. Devem ser treinados em outra áreas para evitar que se tornem “donos cativos de determinados lugares”.     

Vi a entrevista do prefeito Rui Palmeira e reconheci nele um exemplo típico de dirigente que foi enganado. Aproveitou vários técnicos da administração anterior e se deu mal. Depois de dois anos, descobriu o erro cometido e tenta corrigir.   

Vem aí um novo governador já falando em demitir 50% dos comissionados. É um hábito dos dirigentes brasileiros economizar através de demissões, cortes salariais, enxugamento de secretarias, divisão de cargos com amigos que os ajudaram nas campanhas eleitorais. Esquecem-se, no entanto, de técnicos que “carregam o barco” durante muitos anos e vão passando os vícios administrativos para os  governantes que se sucedem.   

 No Legislativo as maracutaias acontecem há mais de 30 anos: alterações nas datas de admissão de vários companheiros, cortes salariais indevidos, 900 comissionados com altos valores mensais, cotas divididas entre parlamentares, etc... E já existem pessoas especializadas em tudo isso.     

O que está podre é o miolo. Lá estão os donos de cadeiras cativas que bajulam deputados e prejudicam companheiros. É preciso revezar sempre!

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