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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 801 / 2014

16/12/2014 - 16:43:00

JORGE OLIVEIRA

Lavanderia do PT

Brasília - Finalmente, apareceram as digitais de Zé Dirceu no roubo da Petrobrás. O ex-ministro, condenado no escândalo do mensalão, tinha contrato de consultoria com a empreiteira Camargo Correia, de quem recebeu 886 mil reais em um ano.

O contrato é de abril de 2010, mas nem por isso Dirceu deixou de receber sua remuneração retroativa a fevereiro. Coincidência ou não, neste mês a construtora assinou contrato com a Petrobras no valor de R$ 4,8 bilhões para prestar serviços na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, durante os quais assinou (pasmem!) 383 aditivos com a estatal. Diante da alta soma roubada pelo seu protetor na empresa,  Renato Duque, Zé está se perguntando se também não foi enganado com um “troquinho” que recebeu da construtora quando se sabe agora que o seu diretor lá dentro se deleitava com remessas de vultosas quantias para o exterior.

Mas se você, meu caro leitor, ainda está indignado, perplexo, sobressaltado e revoltado com essa “organização criminosa”, não perde por esperar. Quando a Justiça começar a mexer nos empréstimos do BNDES para alguns tiranos dos países da África, aí, sim, a lama vai chegar no meio da canela. Durante muitos anos, no governo Lula, o banco escancarou as porteiras para financiar construtoras brasileiras que trabalham em grandes obras por lá.

Sem que os brasileiros soubessem para onde estava indo o dinheiro público, bilhões de reais chegaram às mãos de ditadores africanos que fizeram a festa regada a champanhe francesa, um hábito cultivado por muitos deles. Para mascarar a malandragem, o Lula anunciava que precisava ajudar os nossos irmãos africanos, milhares deles vítimas de guerras infindáveis, atacados por seca e chuva como se o Nordeste também não vivesse na mesma penúria. Assim é que o BNDES fez filantropia com o dinheiro dos brasileiros enquanto os petistas da cúpula fazia ponte-aérea entre o Brasil e os países da África.

A mídia, ainda embevecida com o discurso social do Lula, foi incapaz de questionar essa transação ilegal do governo brasileiro. Muito desse dinheiro ninguém sabe até hoje como foi gasto e outros tantos empréstimos foram perdoados com a anuência do Congresso Nacional, a quem cabia votar o calote.

Na verdade, a organização criminosa petista foi esperta ao tentar sensibilizar o povo brasileiros para ajudar seus irmãozinhos africanos. O que se sabe hoje é que esse dinheiro caia nas mãos de ditadores sanguinários da África que o transferia para paraísos fiscais, onde cada um dos envolvidos na liberação da grana recebia sua fatia sem precisar sujar as mãos. Antes de ser condenado, Zé Dirceu, o homem mais poderoso do PT, auxiliar leal de Lula, era recebido nos países de língua portuguesa como um popstar.

Vinhos finos

Nas suas viagens a Lisboa, onde segundo se noticiou, Rosemary, amiga íntima de Lula, chegou certa vez em um aviãozinho carregado de dólares,  Zé Dirceu era recepcionado no aeroporto como um agente do desenvolvimento social. À mesa sempre o Pera Manca, safra 2008, um vinho caríssimo até para os padrões portugueses. Como Portugal não tem uma gota de petróleo, a Petrobras é responsável por 25% do abastecimento do país através da sua produção em Angola, o que justificava tanta paparicação ao ilustre visitante. 


Quadrilha

Depois da descoberta da quadrilha da Petrobras, os petistas botaram a barba de molho. Têm evitado viagens, caminham mais cautelosos e esperam a qualquer  momento a prisão do seu tesoureiro João Vaccari Neto, o homem de confiança da cúpula do PT que administra todo dinheiro sujo da “organização criminosa”.  Aliás, este seria o segundo a tirar cadeia. O outro, Delúbio Soares, anda com tornozeleira do sistema penitenciário.


Desconfiança

Existem coisas que a Justiça brasileira decide que a gente fica com uma pulga atrás da orelha. Essa, por exemplo, de soltar Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás, envolvido até o gogó com a corrupção na Petrobrás, é uma decisão, no mínimo, discutível. O cara é comprovadamente o agente do PT na estatal e mantinha com o tesoureiro do partido, o senhor João Vaccari Neto, estreita relação de negócios e de amizade, como já confessou à Justiça e à Polícia Federal. Além disso, foi apontado pelo parceiro de diretoria Paulo Roberto Costa como o homem que viabilizou a campanha da Dilma em 2010 com o dinheiro da corrupção da Petrobras. É estranho que Renato Duque deixe a prisão quando o próprio juiz do caso, Sergio Moro, acha que existe o risco dele fugir. 


Responsabilidade

Se isso realmente ocorrer, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, assumirá a culpa pelo habeas-corpus concedido. E motivos para o homem desaparecer não faltam, segundo Moro: “Dispondo de fortuna no exterior e mantendo-a oculta, em contas secretas, é evidente que (ele) não pretende se submeter à sanção penal no caso de condenação criminal”. Teori mandou soltar Duque quando o juiz ainda apura onde foram parar os milhões roubados da Petrobras, depois que um subalterno do diretor, Pedro Barusco, decidiu pela delação premiada prometendo devolver aos cofres públicos 200 milhões de reais. A pergunta é: se um auxiliar  quer devolver essa fortuna, quanto dinheiro não foi desviado da diretoria de Renato Duque para alimentar as campanhas do Lula e da Dilma?

Doações ao PT

Já não existem dúvidas quanto ao dinheiro desviado para os cofres petistas. E quem confessou isso foi o executivo Augusto Mendonça, da empresa Toyo Setal, uma das fornecedoras da Petrobrás. No depoimento (delação premiada) que prestou em outubro na Polícia Federal, ele confessou que parte do pagamento de propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, era direcionada ao PT como doação oficial ao partido. As doações, de quase 60 milhões, foram feitas entre 2008 e 2011 a pedido de Duque. A propina também era feita em dinheiro vivo em contas do PT no exterior.  Como se pode ver, Lula e Dilma receberam dinheiro roubado da Petrobras para suas campanhas.  


Marqueteiro

Quando disse na CPI do mensalão que o PT depositou em contas no exterior 20 milhões de dólares em seu nome, o marqueteiro Duda Mendonça teria dado a pista para a comissão investigar as remessas ilegais do partido lá fora. Mas os tucanos achavam, à época, que o escândalo do mensalão por si só não permitiria a reeleição de Lula. Lula não só voltou ao poder como ainda elegeu e reelegeu a Dilma,  também envolvida no mar de lama.


Delação. E agora?

Ah, ia esquecendo. E por que logo agora que as investigações se aprofundavam nas lambanças do PT na Petrobras, um habeas-corpus solta Renato Duque, o apadrinhado de Zé Dirceu? É o que deixa a gente com a pulga atrás da orelha. Se decidisse pela delação premiada, Duque, a exemplo do amigo Paulo Roberto Costa, prestaria um grande serviço ao país ao apontar os ladrões da Petrobra s. Agora, em liberdade, vai refletir melhor para entregar o esquema da corrupção. Afinal de contas, livre, ele vai preparar melhor sua defesa, coagir testemunhas e até mudar o depoimento para sair impune desses crimes.


Os idiotas
E nós, os brasileiros idiotas, conduzidos por uma presidente incompetente, vamos ficar sempre imaginando o que um governo sério faria com tanto dinheiro surrupiado dos cofres públicos e depositado no exterior para que os filhos e os netos desses larápios possam garantir o futuro com tranquilidade. Quando Aécio Neves diz que perdeu a eleição para uma “organização criminosa” não duvide: ele está certo!

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