Acompanhe nas redes sociais:

26 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 800 / 2014

10/12/2014 - 07:58:00

Usuário, o maná do tráfico

Geovan Benjoino* [email protected]

O usuário é mesmo o maná do tráfico, o “alimento” que enriquece e fortalece o mercado criminal das drogas entorpecentes.Máquina de consumo decadente, o usuário de entorpecentes forma um exército de miseráveis nutrindo de forma contínua e lucrativa um negócio diabólico que o escraviza tornando-o seu eterno dependente até sua consumação física, mental e espiritual.Levado pela curiosidade, pelo prazer de novas e inusitadas emoções, e por outros motivos, o usuário assemelha-se a um peixe, quando fisgado pela isca, só com uma diferença, o peixe morre pela boca porque não consegue discernir a isca do alimento.

É um ser irracional, enquanto o usuário, apesar do vício, discerni um alimento sadio de um veneno.Para manter o vício, o usuário termina enveredando no furto, no roubo e na prática de homicídios atraindo para si mais inimigos, que movidos pelo ódio e sentimento de vingança, abreviam a efêmera vida do escravo das drogas. 

O tráfico também não perdoa o usuário caloteiro, cuja dívida é convertida em morte. O calote, repito, é um crime imprescritível no mundo das drogas.Ele éimperdoável e incompatível com o código de honra do sistema criminoso. Usuário caloteiro só paga a dívida quando é executado, ou seja, morto.

O princípio do contraditório e da ampla defesa inexiste nessaárea.O usuário não ama a si próprio, é um fraco, um fujão. Ele tem medo de enfrentar a realidade, por isso prefere se entregar às drogas; é mais cômodo, é mais fácil. Seu conceito de vida restringe-se à sarjeta, na qual chega a se definhar.

Seus valores há muito foram pervertidos, embalados pela busca incessante do deleite pelo deleite.Vítima e ao mesmo tempo protagonista de um mundo diabólico, o usuário não pode afirmar que é inocente, pois o seu corpo físico e mental é testemunha dos malefícios e das contradições das drogas entorpecentes.

Além disso, os casos oculares e o volume de informações a respeito da tragédia social provocada pelo referido mercado que cresce a cada segundo impede a ignorância e o desconhecimento.

A extraordinária demanda que cresce em escala ascendente revela que não é só o traficante o responsável pelas mazelas produzidas em seres humanos tornando-os uma sub-raça, mas também o usuário, que mesmo perseguindo o prazer e a felicidade, é um infeliz.


*Jornalista, escritor e bacharel em Direito

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia