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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 800 / 2014

10/12/2014 - 07:55:00

Natal na floresta

Alari Romariz Torres Aposentada da Assembleia Legislativa.

Revendo velhos artigos meus, deparei-me com alguns onde comparava nossa Casa com uma Floresta Encantada. E qual não foi a minha surpresa ao verificar que vários animais ainda existiam apesar de já passados 20 anos.     

Havia um Rei Leão, nos idos de 2007, que era um verdadeiro imperador. Parecia com Nero, da antiga Roma: machucou, perseguiu, torturou e até tocou fogo numa parte do arquivo financeiro da floresta.   

 O tempo passou e as brigas constantes provocadas pelo valente animal, afastaram dele vários amigos mais tolos ou mais sabidos. A juba foi diminuindo e o poder encurtando. Hoje, aos trancos e barrancos, consegue uma pequena parte do que foi o seu reino nos bons tempos.     No lugar dele vieram outros, menos violentos ou mais sabidos. O primeiro passo do novo monarca, um urso inteligente, foi dividir parte do apurado mensal com seus amigos de fé: o tigre, a zebra e uma raposa sabida e perigosamente calada.     

O segundo passo foi aumentar consideravelmente o número de amigos fiéis, que com eles dividiam o resultado da colheita apurada no seio da floresta.   

 Aos que não rezavam em suas cartilhas restava o castigo: cortes naquilo que os pequenos animais amealhavam no seu trabalho diurno.Em meio a tanta loucura, surgem os bichinhos, tipo carrapato, que sugam o sangue dos maiores em busca de benefícios.     

O desastre foi tão grande que apareceu o lobo, devidamente instigado pelos perseguidos, para tentar organizar parte da floresta. Ajudado por outros animais, o lobo afastou o urso e seus aliados. Mas, eles conseguiram voltar e o reino do urso está cada dia mais forte e bem pior.   

 O outrora leão, bem mais fraco, resolveu perturbar o grupo dirigente atual e derrubar atos sem necessidade alguma, só para provar que ainda está vivo.   

 Do outro lado da selva assume um novo leãozinho, eleito recentemente; criado em ambiente bastante antigo, vai testar, junto com outros animais governar a floresta com pensamentos modernos. Mas, o pai leão está de olho! Conhece todos os ocupantes da selva; já foi amigo de uns e inimigo de alguns. Com certeza guiará o filhote com toda sabedoria que os anos lhe concederam.     

Para outros cargos foi escolhida toda qualidade de bichos: cordeiros inocentes que pensam poder corrigir algo; tamanduás sabidos, prontos para abraçar o pequeno leão; raposas vivíssimas que pulam de um lado para o outro, procurando sempre um lugar perto do novo soberano. Além daqueles bichos traidores que pularam para o lado do reizinho, quando viram que o barco do ouro bicho, um gato mais envelhecido, estava em maus lençóis. Diz o velho ditado: “Quando o barco afunda, os ratos pulam fora”. 

 Cabe ao jovem monarca e ao pai entenderem quem é quem ou quem é o verdadeiro aliado.   

No restante da floresta tudo parece correr normalmente: o lobo mau, os animais mais elitizados, continuam de olho no urso e seus aliados, mas deles dependem para sobreviver.     

Os mais sabidos, que não foram escolhidos pela comunidade, já se preparam para assumir novos cargos, e assim, não se afastar do poder e das divisões de apurados, evitando julgamentos por parte da alta comissão de animais.   

 Porém, todavia, contudo, existe a parte sofredora da selva que são os pequenos bichinhos, perseguidos, machucados, humilhados. Lutam o tempo todo, por seus direitos desrespeitados pela casta celestial que administra a pequena comunidade.     

Nesse ambiente de perseguidores e perseguidos, tolos e sabidos, honestos e desonestos, sem perspectiva de devolução de tudo que lhe foi tirado, aos pequenos bichinhos resta uma saída: desejar Feliz Natal para todos e rezar por um mundo melhor.

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