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Edição nº 799 / 2014

03/12/2014 - 09:23:00

Olhar de Nise, emociona plateia que aplaude o filme de pé, na pré-estreia

O filme abriu a Mostra de Cinema de Arte em Maceió e mostrou um depoimento inédito da psiquiatra Nise da Silveira feito em 1997, dois anos antes dela morrer

DA REDAÇÃO

O filme Olhar de Nise, de Jorge Oliveira e Pedro Zoca, emocionou a plateia e foi aplaudido de pé por um público que superlotou o Cine Arte Pajuçara na abertura da Mostra de Filmes de Arte, na última segunda-feira (24).

O documentário, que retrata a vida da psiquiatra alagoana Nise da Silveira, mostra um depoimento inédito da médica feito em 1997, dois anos antes da sua morte no Rio de Janeiro. Nele, a senhora das imagens conta a sua história de vida desde a sua infância em Maceió até chegar ao Rio de Janeiro, depois de se formar em medicina na Bahia.A fila começou a se formar logo cedo na porta do Cine Arte Pajuçara que teve que impedir a entrada dos retardatários pela superlotação no cinema. Na plateia dois governadores, Teotônio Vilela Filho e Renan Filho, prestigiaram o lançamento do filme ao lado dos secretários Osvaldo Viégas (Cultura) e Álvaro Machado (Gabinete Civil).

 Mas quem chamou a atenção entre os espectadores da noite festiva do cinema foram os pacientes do Hospital Portugal Ramalho que assistiram ao filme como convidados do diretor.

O documentário arrancou elogios e suspiros da plateia em vários momentos. Há depoimentos secos e às vezes bem humorados de Nise da Silveira, quando ela conta a sua história pessoal e profissional e a rebeldia ao se negar a dar choque elétrico nos pacientes do Hospital do Engenho de Dentro, onde ela atuava como psiquiatra, e na apresentação dos belíssimos quadros dos doentes internados, muitos deles há mais de vinte anos, presos em celas, sem contato com o mundo exterior.Jorge Oliveira e a produtora Ana Maria Rocha também foram longe para contar a belíssima história de Nise da Silveira.

Com o codiretor do filme, Pedro Zoca, estiveram em Hamburgo, na Alemanha, onde entrevistaram o artista plástico Almir Mavignier, um dos responsáveis pela descoberta dos pintores do Engenho de Dentro. Foi Mavignier, na condição de monitor do hospício, que descobriu o talento dos vários pintores, cujas obras o documentário mostra na tela.Durante um momento do filme, os quadros dos pintores que hoje fazem parte de um acervo de 350 miltombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, vão desfilando na tela e surpreendendo os espectadores pela beleza plástica revelada em cada um deles.

A medida que  vão aparecendo, Nise e Mavignier vão traçando o perfil de cada pintor e a história deles dentro do hospital em um dos momentos mais emocionantes  do filme que também tem cenas fortes como a simulação de um eletrochoque com o ator Nando Rodrigues no papel de paciente. A atriz Mariana Infante vive Nise da Silveira em todas as cenas de reconstituição da história  da psiquiatra em diversas fases de sua vida até a morte com 92 anos no Rio de Janeiro.

A única cena em que Nise não é representada pela atriz é na encenação de sua infância em Maceió, que é feita pela atriz mirim Maria Clara Floriano, de 9 anos, alagoana como Nise. A cena foi gravada em Maceió em maio de 2013, mesmo período em que também foi gravada nos salões da Associação Comercial a cena da valsa do sonho de  morte de Nise, com Rafael Cardoso, que faz esta participação especial no filme, no papel de Mário Magalhães, médico sanitarista alagoano, marido de Nise da Silveira. Os atores Nando Rodrigues e Rafael Cardoso estão atualmente na novela Império da TV Globo.

A trilha sonora, de autoria de Cláudio Vinicius, também colabora para trazer mais  emoção  ao filme, conduzindo o espectador e pontuando  cenas como a que o ator Nando Rodrigues interpreta um texto do dramaturgo francês Antonin Artur, dentro de uma cela refletindo sobre o choque elétrico, num dos momentos mais belos do filme.Os depoimentos dos quinze entrevistados também chamam a atenção porque foram feitos em estúdio tendo como cenário as obras dos pacientes.

Assim, durante os 90 minutos, o público pode apreciar também os belos quadros pintados por Raphael, Emigdio, Isaac, Carlos Petrus, F. Diniz , Adelina e dezenas de outros artistas  do Engenho de Dentro que tiveram seus quadros expostos em museus da Europa e do Brasil e hoje estão no Museu das Imagens do Inconsciente criado por Nise da Silveira no Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.A grande surpresa, porém, está no final do filme, quando começam a aparecer os créditos e se ouve a música Maluco Beleza do Raul Seixas, uma homenagem do diretor do filme aos pacientes e à psiquiatra Nise da Silveira.

A plateia, emocionada, ficou de pé para aplaudir o filme e cantou a música até o final do documentário, uma noite inesquecível para aqueles que tiveram a oportunidade de assistir a sessão de Olhar de Nise.Os agradecimentos ao diretor do filme e a sua equipe ficaram por conta do governador Teotonio Vilela Filho e do secretário de Cultura, Osvaldo Viégas. Teotonio lembrou a importância de Nise da Silveira no cenário científico internacional e agradeceu o diretor Jorge Oliveira por trazer às telas do cinema mais um personagem alagoano:“Com mais este filme, Jorge Oliveira mostra o amor e a dedicação que tem pelos nossos alagoanos.

Depois do Mestre Graça, a Esfinge – que retratou a história de Floriano Peixoto e Perdão, Mister Fiel, que conta a história do operário alagoano morto pelos agentes da ditadura em São Paulo, Jorge Oliveira agora se supera e nos brinda com este belo filme sobre Nise da Silveira.  

Alagoas, mais uma vez, agradece o empenho de Jorge no resgate da nossa história”.O diretor dedicou seu filme a todos os pacientes do Portugal Ramalho que estiveram atento às cenas do Olhar de Nise:“Foi para essas pessoas que a doutora Nise dedicou a sua vida. Viveu  empenhada dia e noite para conhecer a mente de homens e mulheres com  problema mentais e levou para cada paciente o amor e o afeto, transformando-os em delicados seres humanos e em verdadeiros artistas. E é para esses pacientes que dedico o Olhar de Nise”, concluiu Jorge Oliveira.

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