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13 de Novembro de 2018

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Edição nº 799 / 2014

03/12/2014 - 09:17:00

Sem limites para a mentira

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras.

Fosse falar de mim, diria eu que há tempos abjurei as mentiras, inclusive as minhas. Não é, porém, de mim que trata esta crônica, mas de ser muito mais importante para o povo: o Governo.

Já referi neste mesmo espaço a opinião de Platão, para quem só os sábios deviam governar um povo. Se difícil cumprir a lição do Filósofo, afirmava eu que os governantes deveriam ter ao menos alguma sapiência. Lamentavelmente aos governantes brasileiros, principalmente aqueles da era petista que se renovará a partir de primeiro de janeiro próximo, falta-lhes sapiência, mas sobeja-lhes “sabidez”.

O fato lembra-me ocorrência constatada na primavera européia de 2012 quando, estando em Paris, e admirando a sobriedade da campanha presidencial francesa, deparei-me com um cartaz no qual se expunham as fotografias de todos os candidatos encimadas pela pergunta: QUEM MENTE MAIS.

Abaixo das fotos, outra indagação: QUEM MENTE MELHOR. Aqui como lá? Acho que muito pior. Entre nós, como temos constatado pelas ações e declarações atuais da Presidente reeleita, o que disse em campanha, há apenas pouco mais de um mês, já foi por ela mesma desmentido, estando a praticar tudo aquilo que imputava à oposição. Mas, como afirmou um dos próceres do Partido no governo, a candidata Dilma dissera que não faria qualquer tarifaço; desta forma, os aumentos das tarifas já implementados nesse mês e pouco pós-eleições não serão descompromisso com o que declarara à Nação. 

Deixemos de lado, por enquanto, esses desvirtuamentos da verdade, mesmo que tenham consequências desastrosas ao bolso do cidadão antes crédulo na palavra da candidata. Deixamos de lado, digo eu, mas sem esquecê-los, sem que sejamos afetados por desmemória política, como sói acontecer e é esperado por nossos políticos. Concentremo-nos, porém, nos angustiantes fatos gerados pelo escândalo da Petrobras.

Nesse particular, os governantes e seus acólitos políticos esmeram-se nas explicações mendazes, com a desfaçatez só concebível em quem se considera acima de tudo e de todos; em quem tem certeza da impunidade; em quem considera idiota todo o restante da Nação. Em recente pérola, afirmou o Ministro da Justiça – esse mesmo que vem sendo falado como candidato ao Supremo Tribunal Federal – que os escândalos da Petrobras são uma tentativa da oposição de buscar um terceiro turno.

Inteligente saída? Não creio! Considero-a até bem burra, indigna de uma autoridade pública, até porque a revelação da corrupção na petrolífera é resulto de investigações de uma Polícia Federal e de um Ministério Público Federal independentes; as delações, essas são de autoria de antigos áulicos; a dureza no trato dos procedimentos persecutórios é mérito de um juiz federal intimorato e sem  ligações político-partidárias.

Outra desculpa canhestra, na verdade inescrupulosa mentira, aquela que a própria Presidente propala: é o seu governo que vem investigando os casos de corrupção na Petrobras e adjacências. Ora, “o seu governo” foi surpreendido pelos fatos, e se dependesse do “seu governo” nem a PF, nem o MPF, nem o Juiz Sérgio Moro, e a Justiça de forma geral, teriam avançado tanto na limpeza deste País. 

A mais recente jóia da coroa cultivada pelo governo, por áulicos políticos, empreiteiras e por empreiteiros presos é que se elas, as empresas envolvidas nas falcatruas forem punidas com a inidoneidade, o País pára. A óbvia pretensão de tão estapafúrdia afirmação é intimidar toda a Nação, manietá-la, torná-la refém das grandes empreiteiras e de seus cúmplices no poder.

Ora, nada disso acontecerá, principalmente se, como alguns mais lúcidos pretendem, a inidoneidade seja para contratos e obras futuras, devendo as atuais avenças serem depuradas dos excessos financeiros e concluídas as obras pelas contratadas, sem prejuízo das punições que advirão. E mais: não se fique apenas nas empreiteiras, em diretores das mesmas e em agentes públicos administrativos corrompidos. Depure-se o País também dos políticos corruptos, estejam eles no Executivo ou nas Casas do Legislativo. A renovação do pacto político, por saudável, ao contrário de paralisar o País, fará bem à Nação.            

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