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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 799 / 2014

03/12/2014 - 08:06:00

JORGE OLIVEIRA

Dilma, sem personalidade

Maceió - O governo da Dilma não tem personalidade. Diz uma coisa e faz outra. Como não apresentou nenhuma proposta concreta durante a campanha eleitoral, agarra-se agora aos métodos neoliberais dos tucanos para tentar salvar o país do caos econômico. O anúncio de Joaquim Levy para chefiar o ministério da Fazenda surpreendeu o país por se tratar de um ex-aluno de Armínio Fraga, economista que  Aécio Neves anunciou durante a campanha que levaria para o seu governo.

A decisão da Dilma mostra que o Lula foi voto vencido na indicação de Henrique Meireles, o ex-presidente do Banco Central do seu governo. E mais: que a Dilma vai trabalhar afinada com os banqueiros já que Joaquim Levy sai das hostes do Bradesco como homem de confiança da sua presidência.

A indicação de Levy tem o dedo de Aloisio Mercadante, hoje o principal conselheiro de Dilma no Planalto, com quem Lula não conversa. O que corre nos bastidores é que Guido Mantega, que ainda está pendurado no cargo, não foi consultado sobre o novo Ministro da Fazenda.

Dilma não queria que a informação chegasse aos ouvidos do Lula, a quem Mantega sempre se reportou antes de anunciar as medidas econômicas, na maioria das vezes desastrosas para o país.Levy é figura carimbada nos meios acadêmicos e em dois governos. Fez parte do governo de Fernando Henrique, onde foi Secretário-Adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Em 2001, assumiu o cargo de economista-chefe do Ministério do Planejamento.

Passou também pelo governo Lula no cargo de secretário do Tesouro. Portanto, trata-se de um tecnocrata que conhece a máquina estatal e está também alinhado com o setor financeiro com quem a Dilma quer manter uma parceria mais segura, visando a estabilidade do seu governo nesse setor, o termômetro da economia.

Mesmo fazendo críticas ácidas ao programa de governo de Aécio Neves durante a campanha, Dilma dá a mão a palmatória e vai buscar no seio dos tucanos os economistas que tiveram papel importante na estabilidade econômica do país e no combate à inflação.  Essa atitude deixa os petistas de orelha em pé porque veem, nessa decisão da presidente, um distanciamento dela com a cúpula do partido. O PT perde força à medida que não consegue impor a indicação de Henrique Meirelles para o posto, o mais importante do governo.

Alguns petistas já levantaram a bandeira branca e se aliaram à presidente na escolha do novo ministro da Fazenda. Jorge Viana, vice-presidente do Senado, disse que Levy é o mais completo para comandar a Fazenda, referindo-se a Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, que teve o nome especulado para o cargo. O líder do PT, senador Humberto Costa foi mais longe. Disse que “todos” estão confiantes na condução de Levy na política econômica, caso ele venha ser realmente confirmado por Dilma.

O recado dos dois parlamentares é claro: na política econômica, a presidente tem a última palavra. Com isso, eles tentam acalmar os mais rebeldes dentro do partido que já criticam a iniciativa da Dilma. É aquela história: manda quem pode, obedece quem tem juízo.Mas o país não pode esperar milagre do novo ministro da Fazenda.

Com a economia em frangalhos, Levy teria a missão de acalmar os desconfiados investidores estrangeiros e sinalizar para uma estabilidade econômica duradoura, além de manter a inflação num patamar suportável. O Brasil, porém, não precisa apenas dar uma satisfação ao mundo econômico. A Dilma precisa sobretudo mostrar ao seu próprio povo que é um governo sério no combate à corrupção e deixar que a Justiça trabalhe sem a pressão do governo na apuração do rombo da Petrobras para botar na cadeia os ladrões que dilapidaram o patrimônio da empresa. 

Risco

A família do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, já está conformada com a situação. Sabe que Vaccari é o próximo tesoureiro do partido a ir para a cadeia. A marmita e a mala de viagem estão prontas para uma viagem sem previsão de volta. A Justiça já identificou todas as empresas que operaram com caixa dois nas campanhas de Dilma e de Lula.


Delação

Vaccari, segundo informações de bastidores, é o próximo nome da terceira fase da Operação Lava-Jato. A justiça do Paraná conseguiu juntar todas as notas fiscais falsas em nome das empresas de fachada que Vaccari utilizou para roubar o dinheiro da Petrobrás juntamente com os diretores indicados pelo partido. Os petistas estão em pânico. Eles acham que Vaccari pode ser o próximo delator do esquema, depois de Delúbio Soares que amargou quase um ano de cadeia no presídio da Papuda, de boca fechada. Vaccari já confidenciou a amigos que não pensa em segurar o pepino sozinho. Se for em cana, pretende levar mais gente com ele para ter companhia na cela.


Precaução

Com medo de que o escândalo respingue na sua administração, Dilma ordenou à cúpula petista o afastamento de Vaccari da campanha após as primeiras denúncias. Edinho Silva foi escalado provisoriamente para ser o tesoureiro. As investigações já apontam Vaccari como o grande operador no desvio de verbas da Petrobrás. Ele, segundo a Justiça, era o responsável pela criação de empresas fantasmas para desviar o dinheiro da Petrobras.

Lama

A lama da corrupção já atingiu o joelho dos petistas. Os nomes da Dilma e do Lula já foram citados pelo doleiro Youssef  como receptores de dinheiro sujo. A medida que as investigações vão avançando,  descobre-se que o esquema de corrupção da Petrobras é um dos maiores do mundo. Envolve quase 200 parlamentares e a cúpula de vários partidos. Por envolver tantos políticos, fala-se que dificilmente essa investigação chegará ao fim com  medidas punitivas exemplares.


Na moita

Lula tem mexido os pauzinhos para que seu nome não volte ao noticiário como beneficiário desse mar de lama. Mas é inegável que se o segundo tesoureiro do partido for em cana, Lula certamente será citado no processo e as consequências são imprevisíveis. Aliás, as denúncias que surgem envolvendo Vaccari não são novidades. Ele também está enterrado até o pescoço em outras falcatruas que cometeu numa cooperativa responsável pela construção de apartamento em São Paulo. Nesse conjunto habitacional, que ainda está pela metade por causa de desvio de dinheiro, Lula era um cooperado privilegiado, dono de uma cobertura. A amizade de ambos, portanto, vem de longa data.


Obrigado

Quero agradecer a todos meus amigos que compareceram ao lançamento do meu filme Olhar de Nise numa noite memorável no cine Arte Pajuçara. A grande psiquiatra alagoana Nise da Silveira foi reverenciada e aplaudida de pé por todos que lotaram a sala de cinema. Lá estavam na primeira fila, o governador Teotônio Vilela Filho (incentivador do filme) e o futuro governador Renan Filho. Para os que encontraram a sala lotada e não conseguiram entrar aqui vai um aviso: o filme, em data ainda a ser marcada, ficará no circuito do Arte Pajuçara por uma semana. Obrigado a todos os meus amigos e aos fãs da doutora Nise.

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