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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 798 / 2014

26/11/2014 - 19:57:00

Téo Vilela teria tido encontro monitorado pela PF

Vera Alves [email protected]

Em março de 2008, reportagem publicada pela Revista IstoÉ produzida a partir das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal revelava detalhes do suposto envolvimento do governador Teotonio Vilela Filho no esquema comandado pelo empresário Zuleido Veras. Téo atuaria em favor da Gautama desde quando era senador e teria recebido entre 2006 e 2007 R$ 500 mil da construtora em três parcelas.  A seguir o trecho da reportagem que cita Téo e que pode ser conferido no endereço http://www.istoe.com.br/reportagens/1551_CORRUPCAO+NAS+OBRAS+DA+GAUTAMA)

“A investigação da Polícia Federal em Alagoas produziu um verdadeiro filme da corrupção. Nesse filme, as imagens surgem a partir de fotos digitais feitas pelos policiais e o som é procedente das escutas telefônicas. Um dos três diagramas da quadrilha no Estado mostra como Zuleido Veras levou para Maceió R$ 150 mil que teriam sido entregues ao governador Teotônio Vilela Filho. Os policiais fotografaram um funcionário da Gautama tirando o dinheiro no caixa de uma agência bancária, acompanharam Zuleido viajando para Maceió com o dinheiro em uma pasta e presenciaram a entrega da pasta à assessoria direta do governador.

A entrega do dinheiro foi feita em 23 de março do ano passado e o assessor que recebeu a pasta é Enéas de Alencastro Neto. O encontro se deu em uma casa de fachada amarela na rua Albino Magalhães, em Maceió. Ali, está instalado um telefone em nome do governador. Nas conversas telefônicas ocorridas dias antes do encontro, Zuleido diz o seguinte: ‘O governo é de Teo’. E arremata: ‘E Teo está chamando Enéas para lá’. Além de Alencastro, a PF relaciona como integrantes do esquema o secretário de Infra-Estrutura, Adeilson Teixeira Bezerra, o diretor de Obras, José Crispim Vieira, e o subsecretário de Infra- Estrutura, Denisson de Luna Tenório.

’Não tenho nada a ver com a Operação Navalha’, diz o governador Teotônio Vilela. ‘Estou tranquilo’.De acordo com os relatórios da Polícia Federal, a Gautama distribuía dinheiro a autoridades estaduais sempre que ocorria a liberação de verbas para alguma obra. Em Alagoas, a empreiteira é responsável pela construção de barragem no rio Pratagy, obra realizada com recursos do Ministério da Integração Nacional, no valor de R$ 77 milhões.

Em 20 de abril do ano passado, uma escuta telefônica mostra o secretário Bezerra pedindo diretamente a Zuleido o pagamento de garotas de programa para comemorar a liberação de R$ 5 milhões para a construtora. Zuleido repassou a tarefa para seu diretor financeiro, Gil Jacó, o mesmo que em sua agenda escreveu: ‘120.000 – MINISTRO – BRASÍLIA’. Como ISTOÉ revelou em sua última edição, seria, segundo a PF, uma propina para o ex-ministro Silas Rondeau em troca da liberação de dinheiro para o Programa Luz Para Todos no Piauí. Nas escutas em Alagoas, Zuleido, em tom de sarcasmo, diz à sua funcionária Maria de Fátima Palmeira que não existem problemas envolvendo a Gautama no Tribunal de Contas da União. Maria de Fátima responde com uma sonora gargalhada. Em outra conversa com Maria de Fátima, Zuleido diz: ‘Eu não sou ganancioso não, sou só ambicioso’.


ENTENDENDO A OPERAÇÃIO NAVALHA


As investigações da Polícia Federal que resultaram na Operação Navalha começaram em 2004 na Bahia, quando se constatou que o esquema de desvio de recursos de obras públicas de Estados e municípios patrocinadas pelo governo federal e comandado por Zuleido Soares Veras, dono da Construtora Gautama, havia se espalhado também por Alagoas, Sergipe e Maranhão.

 No dia 17 de maio de 2007, a operação foi deflagrada com a prisão de 47 pessoas em nove estados (Alagoas, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Goiás, Mato Grosso e São Paulo – sede da Gautama) e no Distrito Federal. As investigações terminaram resultando na queda do então ministro das Minas e Energia Silas Rondeau, que teve um assessor de seu gabinete - Ivo Almeida Costa – entre os presos. O esquema atingiu obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Luz Para Todos.

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