Acompanhe nas redes sociais:

22 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 798 / 2014

25/11/2014 - 13:31:00

Tempo de colheita

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras.

ndependentemente de qualquer afiliação ou afeição religiosa, parece-me inquestionável trazer a Bíblia cristã profundas normas de moral e de ética, às vezes sob a forma de poemas e cânticos. Um dos livros bíblicos – o Eclesiastes - ensina que na vida há determinação de um tempo para tudo, inclusive, tempo para plantar e tempo para colher. A ideia não é inédita nem exclusiva do judaísmo-cristianismo. O confucionismo tem analectos que tratam do tema, embora não com a simplicidade bíblica.

A ocorrência dessa preocupação de povos díspares com os fatos e atos da vida e suas consequências já é bastante à percepção de que há, nesses pensares, fundos de verdade. De qualquer sorte, não é objetivo nosso, aqui, o confronto de filosofias, mas a aplicação do pensamento antigo à vida presente.

Recentemente vivenciamos, como cidadãos e eleitores, acirrada batalha eleitoral que reluto em compará-la às justas da Idade Média, porque naquelas a honra e a lealdade foram princípios exigidos aos cavaleiros em disputa. Já nas nossas campanhas políticas, como disse a Presidente Dilma na última, para ganhar uma eleição tudo é válido.

Eis então que nesse vale-tudo a nossa Medusa utilizou-se daquele tudo e muito mais, conseguindo conquistar à sua pregação a minoria vitoriosa. Digo conquistar porque a vitória da Presidente certamente não é apenas devida aos militantes do petismo, mas também a milhões de antes indecisos eleitores que migraram para a candidata petista, ou a outros milhões que lhe devem, ou que esperam, os favores do clientelismo de qualquer tipo.

O fato é que se saiu vitoriosa; apertadamente, mas vencedora. Aqueles que votaram, então, na proposta petista – aqueles que não são militantes, claro! – manifestaram, queiramos aceitar ou não, sua esperança de dias melhores e, crentes no vale tudo da candidata-Presidente, acreditavam estar exorcizando os demônios da oposição que pregavam a necessidade de medidas impopulares, de arrochos, de abandono dos projetos populares, como bolsa-família, minha casa-minha vida, tarifaços etc.

Acaso eles ganhassem, a inflação, agora sob controle, iria subir astronomicamente, corroendo a poupança de todos, principalmente da população mais pobre, mais carente da atenção do Estado. Esse discurso vitorioso não esperou sequer um mês para revelar-se em toda a sua conformidade com a filosofia presidencial: para a vitória, tudo é permitido! Aumento de combustíveis, tarifa de energia elétrica reajustada em 15%, foram apenas o começo, e talvez não o pior para a classe menos favorecida.

A ideia da Presidente do vale-tudo é cortar gastos com seguro-desemprego, com abono-salarial, com auxílio-doença, e com as pensões das viúvas. Admiráveis explicações para a viravolta na palavra presidencial vêm sendo produzidas pelos dedicados acólitos da Presidente. Recentemente, em entrevista camarada no Globo News, um jocoso Deputado Rui Falcão, Presidente do PT, produziu pérola bem ao gosto dos enganadores: a candidata Dilma não disse que não faria ajustes nas tarifas, e sim que tarifaços estariam fora de cogitação.

Faltou ao ilustrado filósofo político explicar a diferença que a questão semântica fará no bolso e na bolsa dos cidadãos. Outros também apressam-se em justificar o “aperto de cinto” por imposição da economia. Claro que qualquer pessoa com o mínimo de esclarecimento concordará com tal necessidade, mas, por que atacar aqueles dispêndios sociais?

Por que não iniciar reduzindo os ministérios e extinguindo parcela significativa de cargos em comissão apenas úteis – ministérios e cargos - às barganhas políticas? Dizem economistas esclarecidos que com tal atitude já se economizariam mais de dez bilhões de Reais. Pelo andar da carruagem do Planalto, a coisa promete.

Preparemo-nos, pois, para mais. Afinal, não apenas para aqueles que plantaram com os seus votos na candidata Dilma e no PT, mas para todos nós brasileiros, o tempo de colher iniciou-se. 

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia