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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 798 / 2014

25/11/2014 - 13:05:00

JORGE OLIVEIRA

Impeachment de Dilma

Maceió - Ainda lembro da euforia popular e das cenas marcantes: de braços dados, a comissão de frente da democracia caminhou pela Esplanada dos Ministérios arrastando multidões, em Brasília, à caminho do Congresso Nacional exigindo o impeachment de Collor. O dia ensolarado não intimidou nem mesmo o presidente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, um senhor que já beirava os noventa anos.

Ao seu lado, políticos do PT e de outros partidos de esquerda, atendiam o comando do presidente da OAB, o combativo Marcelo Lavenère, conterrâneo de Collor, que, de punhos levantados, gritava as palavras de ordem: Fora Collor! Os caras pintadas, liderados por Lindberg Farias, senador, que hoje responde a processo por corrupção, fazia coro às manifestações de repúdio ao presidente eleito.Já se passaram mais de vinte anos, mas as imagens ainda estão bem claras na minha cabeça.

Organizada pelo petista José Dirceu, o mais aguerrido dos políticos contra a permanência de Collor no poder, a sociedade civil se levantou contra a roubalheira do governo colorido, suspeito de ganhar de presente uma perua Elba Fiat, usada, de mais ou menos 10 mil reais. A CPI, criada pelos partidos de esquerda, liderados pelo PT, convocava a turma do ex-presidente para depor.

E fazia de cada depoimento escândalos de proporções assustadoras. Em um dos depoimentos, PC Farias enquadrou todos eles ao dizer categoricamente: “Vamos acabar com essa farsa. Aqui, todo mundo sabe como funciona o caixa dois”.Na verdade, todos sabiam. Mas influenciados pelos petistas, ainda magoados pela derrota do seu líder Lula nas eleições, os esquerdistas inflamavam a CPI na direção do impeachment de Collor.

O ex-presidente havia chegado ao poder sem apoio de partidos. Criou um tal de Prona e se apresentou como candidato alternativo. Atropelou todo mundo, inclusive o PT, e ocupou o Palácio do Planalto. No poder, abominou os partidos e achou que poderia, como um soberano, governar sozinho, sem alianças, e abdicar do fisiologismo político. O povo o legitimaria a fazer a transição da ditadura – Collor era o primeiro presidente civil eleito, depois do fim do regime militar.

Enganou-se: o PT, já àquela época, não respeitava ninguém, queria a todo custo chegar ao poder. E para isso, não importava os meios para derrubar um presidente legítimo, eleito pela maioria do povo brasileiro.Agora, depois de mais vinte anos da queda de Collor, percebe-se como o brasileiro foi enganado por essa esquerda petista de botequim, de atitudes fascista e golpista.

A perua Elba do Collor, absolvido das denúnciais de corrupção pelo STF, é um minúsculo cisco dentro de oceano de corrupção do governo petista. No Brasil, a Justiça estima o roubo na Petrobras até agora em 10 bilhões de reais.

Nos Estados Unidos, onde também a corrupção na empresa é investigada, já se fala em 25 bilhões. É, sem dúvida, o maior escândalo de corrupção do mundo.A pergunta é: onde estão as entidades tão combativas do Brasil como a OAB, a ABI, a CNBB, a UNE e os políticos combativos – ainda restam alguns remanescentes no Congresso Nacional – que foram às ruas com tanta impetuosidade para limpar o país da corrupção da era Collor?  Quer saber? Encolhidos, envergonhados e decepcionados com esse governo que ajudaram a eleger e a permanecer no poder por mais quatro anos. 

Intimidados

Não vão às ruas porque estão intimidados. Os petistas já saíram na frente para acusar de direita àqueles que se manifestarem pelo impeachment da Dilma. São, no mínimo,  hoje entidades covardes e omissas.  A Justiça já tem depoimentos de delatores que acusam Dilma e Lula de comparsas da corrupção, motivo suficiente para enquadrar Lula e pedir o impeachment da Dilma, como fez a OAB com Collor. A omissão dessas entidades leva-nos a supor que os tentáculos da corrupção petista também teriam alcançado essas organizações que há vinte anos atrás ficaram indignadas com um presidente que recebeu um carro fuleiro de presente. 


Zé na cadeia

O ex-ministo José Dirceu, que por quase duas décadas foi o homem de confiança de Lula e o maestro do PT – todas as armações passavam pelas suas mãos – pode voltar para a cadeia se o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, seu homem dentro da estatal, decidir revelar tudo que sabe sobre o roubo na Petrobras. Em Brasília, quando Dirceu ainda davas as cartas, todos sabiam do seu relacionamento com Duque. Sabiam também que Dirceu, quando ministro, era o homem que decidia sobre os cargos mais importantes da República. Continuou com força mesmo dentro do presídio da Papuda, depois de ser condenado no processo do mensalão. 


Quadrilha

Para atuar lá dentro, Zé Dirceu tinha como cúmplice Sérgio Gabrielli, o ex-presidente da Petrobras, por cujas mãos passaram todos os grandes contratos da empresa, monopolizados pelas grandes empreiteiras, que formavam um clube, como já afirmaram os delatores do esquema. Não à toa, as campanhas presidenciais do PT nunca tiveram problemas financeiros. Para disfarçar, de quatro em quatro anos, a cúpula petista anuncia resto a pagar para dissimular aperto financeiro. Tudo lorota, conversa pra boi dormir, porque, na verdade, o grande volume de dinheiro na campanha petista, como se pode verificar agora, é movimentado pelo caixa dois dos empreiteiros que roubam a Petrobras.

Os vampiros

O povo brasileiro está impactado com as notícias de tanta roubalheira nas empresas estatais. Os petistas, vampiros do dinheiro público, atacaram na madrugada e sugaram sem piedade o dinheiro da Petrobrás através de contratos fraudulentos. No Clube do Bolinha só entravam as empreiteiras que deixassem no caixa petista percentuais em todos os contratos assinados. O doleiro Youssef, na cadeia, não quer ser mais um Marcos Valério, que demorou a fazer a delação premiada e hoje amarga vinte anos de cadeia. 


Intimidade

Para ajudar nas investigações, o doleiro não teve medo de acusar a Dilma e o Lula, presidente e ex-presidente, de envolvimento nas falcatruas da Petrobrás. Disse à Justiça, em alto e bom som, como mostrou reportagem da Veja, na semana das eleições, que ambos estão envolvidos até o gogó com a quadrilha do Petrolão. Para quem duvida, circula na internet uma foto da Dilma, Lula, Sergio Gabrielli e o diretor Paulo Roberto Costa numa conversa entre amigos no gabinete de Lula no Palácio do Planalto. A intimidade era tamanha que o diretor da Petrobras foi convidado de honra do casamento da filha da Dilma.


Eles sabiam

Ora, senhoras e senhores, se Dilma e Lula não sabiam do esquema, o governo de ambos não tinha comando. Portanto, negligenciaram como mandatários do país. Assim, todos os subordinados, sem exceção, podiam roubar sem ser molestados. Se ambos tinham autonomia para decidir na presidência, aí o caso é mais sério: conheciam o esquema da dilapidação do patrimônio brasileiro. Dessa forma, Dilma e Lula precisam prestar contas à Justiça sobre o desvio dos quase 10 bilhões de reais das empresas estatais porque se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.


Direita, uma ova

Caso isso não ocorra, os brasileiros tem o direito constitucional de banir a Dilma da presidência usando a legitimidade do impeachment. E não venham com essa lorota de golpe de direita. A Constituição prevê o expurgo de presidente corrupto, o que já ocorreu com Collor sem que os alicerces da democracia tivessem sido abalados. Isso, se me permitem os ideólogos de botequim, significa democracia plena.  Se é direita o brasileiro que pede o impeachment da Dilma, aquele que foi às ruas pedir o impeachment de Collor era o quê? 

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