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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 797 / 2014

19/11/2014 - 00:44:00

Presidente de sindicato aliena sede da entidade como garantia de empréstimo

Associados protestam por não terem sido consultados e afirmam que transação não se justifica pois arrecadação mensal é de R$ 2 mi

DA REDAÇÃO

Uma semana após o EXTRA haver noticiado a insatisfação de servidores da Justiça estadual que entraram com pedido de investigação no Ministério Público Estadual contra o que consideram atos de ilegalidade por parte do presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Alagoas (Serjal), Ednor Gonzaga, surge uma nova denúncia contra a atual diretoria da entidade. 

Gonzaga e a diretora Financeira do sindicato, Ana Paula Araújo Rodrigues Lins, fizeram um empréstimo em nome da entidade no valor de R$ 230.940 e ofereceram como garantia a própria sede do sindicato, localizada na Rua Professor Teonilo Gama, 125, no bairro do Trapiche.

A operação de financiamento foi contraída junto à Juriscred, nome fantasia da Cooperativa de Crédito dos Membros do Poder Judiciário, do Ministério Público, de Órgãos Jurídicos e de Servidores Públicos Estaduais e Municipais em Alagoas.

O contrato particular de alienação fiduciária, no qual consta claramente que o imóvel foi dado como garantia do empréstimo, está registrado no 2º Cartório de Registro de Imóveis de Maceióe e teve cópias afixadas na terça-feira (11) no Fórum de Maceió, em um protesto-denúncia de servidores insatisfeitos com a condução do sindicato.

De acordo com o documento, a sede do Serjal fica alienada à Juriscred, até 26 de novembro de 2018. Se o empréstimo de R$ 230.940 não for pago, o imóvel passa definitivamente à propriedade da cooperativa.

O empréstimo firmado no dia 13 de outubro último estabelece parcelas mensais de R$ 7.448,66, sendo que a primeira vence no próximo dia 26.

Procurado pelo EXTRA ainda na terça-feira, Ednor Gonzaga afirmou que a entidade iria divulgar uma nota oficial para esclarecer os associados e a sociedade em geral sobre a transação, o que contudo não ocorreu até o fechamento desta edição.

Ao invés disto, publicou no site da entidade a informação de que o diretor Jurídico, Gláucio Guimarães Medeiros, iria ajuizar ação contra o semanário em função da matéria publicada na edição da semana passada, de número 796.

Com o título “Servidores da Justiça denunciam ao MP irregularidades no Serjal”, a reportagem foi feita ouvindo servidores do Judiciário estadual que denunciaram a diretoria do sindicato ao Ministério Público e com base nos documentos entregues ao MP.Junto com as cópias do contrato registrado em cartório, os servidores insatisfeitos também anexaram algumas indagações acerca dos motivos da transação do sindicato, cuja arrecadação mensal é estimada em R$ 2 milhões.

A principal delas é se teria havido alguma emergência que justificasse o empréstimo e se houve consulta à categoria sobre a transação. Nada mais justo, já que, em termos práticos, o imóvel em que funciona o Serjal foi repassado à Juriscred como garantia do empréstimo e à cooperativa pertencerá definitivamente em caso de não pagamento das 48 parcelas (quatro anos) parcelas. 

Outro questionamento é o de que a própria diretoria, no dia 7 deste mês, noticiou no site do sindicato (www.serjal.com.br) que havia conseguido a marca de 1.400 associados, o dobro do número que havia anteriormente, mais um motivo para questionar o empréstimo, já que, pelo estatuto, o sindicato recebe mensalmente, no mínimo, 1% do subsídio de seus associados que, aliás, garantem não terem sido ouvidos sobre o pedido de empréstimo. E como se sabe, o Judiciário ainda é o poder que melhor remunera em Alagoas.

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