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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 797 / 2014

19/11/2014 - 00:22:00

JORGE OLIVEIRA

Lula preferia o Aécio

Brasília - Antes de sair do Palácio do Planalto, onde exerce o cargo de Secretário-Geral da Presidência, o ministro Gilberto Carvalho, deixa recados bem claros para Dilma, a sua chefe. Como porta-voz de Lula, ele quer sair do governo criticando o comportamento da presidente e a sua administração .

Ao declarar que o governo “avançou pouco nas demandas sociais” e se afastou dos “principais atores na economia e na política”, Carvalho condena a Dilma por não ouvir ninguém e de ser intempestiva, temperamental, arrogante e teimosa. Como o ministro tem ligações estreitas com Lula, é de se supor que fale em nome dele, no momento em que a Dilma manda mensagens de que quer fazer um governo com mais autonomia, sem muletas petistas, a partir de janeiro. Gilberto Carvalho e o Lula estão frustrados com a presidente desde que ela fez corpo mole na votação do projeto que criaria os Conselhos Populares.

O projeto caiu na primeira votação da Câmara dos Deputados, depois que o presidente da Casa, Henrique Alves, voltou derrotado das eleições de governador no Rio Grande do Norte. Carvalho projetava ser um super-ministro comandando todos os programas sociais do governo, inclusive o Bolsa Família que atende a um contingente de quase 40 milhões de cabos eleitorais no país, a exemplo do que ocorre na revolução bolivariana da Venezuela.

Ao mesmo tempo em que critica a chefe, Gilberto Carvalho também massageia o ego da presidente ao organizar o movimento que tenta levar, segundo ele, mais de 100 mil pessoas à Praça dos Três Poderes para a posse dela.

O governo que começa fraco, precisa dessa mobilização para reafirmar a legitimidade da reeleição da presidente. Esse filme é velho, os brasileiros já assistiram cenas iguais em outro momento recente da nossa história política. Collor, com lama até o pescoço, convocou  a população a sair às ruas de verde e amarelo. Naquele ato começaria a sua derrocada. O povo saiu, sim, mas vestido de preto, em protesto contra o seu governo.

Gilberto Carvalho tem feito críticas ácidas ao governo que serve. Como um fantoche, apenas dispara farpas que o Lula não teria como fazer para não criar uma cisão visível na sua relação com a presidente, de consequência imprevisíveis.

 E não disfarça quando fala que a Dilma não ampliou o diálogo com a sociedade:  “Deixou de fazer de maneira intensa, como era feito no tempo do Lula, esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisão – de ouvir com cuidado, e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos”.  Mesmo com uma linguagem rebuscada, Carvalho compara os dois governos petistas e destaca o de Lula como melhor.

Lula já sabe que as chances de chegar a um terceiro mandato é difícil, depois da reeleição da Dilma. Lula correu o país em campanha pelo PT. Engana-se quem acha que ele vestiu a camisa da Dilma. Ele torcia pela vitória do Aécio Neves para voltar ao poder em 2018 como o salvador da pátria, apostando no fracasso do tucano que herdaria um país em frangalho.

Agora, tudo muda. A herança maldita do PT será administrada pelo próprio PT e com um agravante: o país será conduzido por uma presidente desestabilizada politicamente, responsável pelo maior escândalo de corrupção do país e uma crise econômica que avança com graves consequências.  

Palanque

Ao tentar se impor como presidente reeleita, com gestos autoritários, Dilma ainda corre o risco de ficar sem uma parte do PT no Congresso Nacional, o que esvaziaria de vez o seu governo. Quem assistiu ao discurso da sua vitória e viu o palanque de políticos inexpressivos que a acompanhou, não tem dúvida: a presidente não tem apoio político relevante no Congresso Nacional.


O roubo

Você pode até não perceber no seu dia a dia se for um dos privilegiados petistas em cargos  comissionados do governo federal que paga as despesas com “dinheiro vivo”. Afinal de contas, como alguns desses servidores estão impregnados por baixos valores morais, fica difícil fazer uma reflexão isenta do que está ocorrendo pelo país afora. Vamos pegar como exemplo Brasília. Na Capital Federal a corrupção está contaminando tudo, inclusive os restaurantes. Virou moda as contas chegarem ao cliente com os preços acima do que foi consumido. A chiadeira é geral. Em alguns deles, a fraude é feita na própria máquina de calcular sem que o cliente desconfie do acréscimo em cada item da conta. É um escândalo que sempre acaba com o esfarrapado pedido de desculpas. O cliente, normalmente eufórico pela bebida, aceita os esclarecimentos com passividade, quando, na verdade, deveria chamar a polícia. 


Gatunos

Na maioria das vezes, os garçons gatunos agem com a complacência do caixa com quem dividem a extorsão no final da noite. Como o erro na conta nunca é para menos, não é difícil imaginar que tudo é feito com a intenção de enganar o cliente. O mais grave é que essa prática está acontecendo nos restaurantes mais chiques da cidade, onde se imagina que o frequentador mais abastado não confere a despesa. Prefere, por educação,  não chamar atenção para a conta errada. Mas a tendência se prolifera porque os petistas pagam a despesa com dinheiro vivo, sem conferir a nota. Disse um garçom do Piantella, quando flagrado com uma conta adulterada: “Se colar, colou”.

Anarquia

É a cultura da corrupção que leva o país à anarquia, à decadência moral. Veja, por exemplo, o que aconteceu com as eleições deste ano. Ganhou quem acumulou mais escândalo, quem esteve envolvido em mais corrupção, quem mentiu para os eleitores e quem fez mais promessas falsas. Lembro que na reeleição do Lula, em plena efervescência do mensalão, uma pesquisa constatou que o brasileiro achava normal votar em um candidato corrupto. A revelação mostrava, entre outras coisas, a institucionalização da corrupção e a leniência do eleitor com o desvio do dinheiro público. 


Geral

O roubo agora é generalizado: rouba-se nas farmácias, nos supermercados, nos taxis, nos cinemas, nas feiras livres, nos juros, nos alugueis, nas passagens aéreas etc. etc. O honesto virou uma espécie em extinção. Por isso, em tudo que faz exalta-se com orgulho: “Eu sou honesto”. Nas campanhas eleitorais, o candidato se esgoela pra dizer que é honesto.  Não  se elege, portanto, com esse atributo porque o eleitor prefere  o “rouba, mas faz”, o velho e surrado slogan de Adhemar de Barros, ex-governador de São Paulo, pré-ditadura, repetido em campanhas eleitorais.


Epidemia

A praga da corrupção no governo petista virou epidemia. Nas empresas estatais ela se propalou de tal forma que os lobistas e empresários estão se apresentando espontaneamente para prestar contas do roubo à Justiça. Fala-se que só do desvio da Petrobrás, eles querem entregar 500 milhões de reais. Como a falcatrua beira os 10 bilhões, os delatores devolvem apenas uns trocados. Temem ser enjaulados, como os petistas do mensalão.


Cultural

Infelizmente, vive-se aqui a cultura da corrupção que se espalhou para todas as instituições. O exemplo do PT contaminou boa parte dos brasileiros que achou natural reconduzir a Dilma ao governo, mesmo diante de tantas notícias de corrupção nas empresas estatais. Agora, com as promessas de campanha quebradas, não adianta chorar o leite derramado. Se até lá, é claro, o leite não for também adulterado. 

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