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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 796 / 2014

12/11/2014 - 21:23:00

Alagoas já produz etanol 2G em escala comercial

Atualmente, só Estados Unidos e Itália produzem etanol de segunda geração a partir da palha e do bagaço da cana

Redação com Assessoria

A  crise que já fechou várias usinas de açúcar e destilarias de álcool em Alagoas não inibiu o setor a investir em alternativas economicamente viáveis e ecologicamente corretas. É o caso da usina Bioflex 1, recém inaugurada em São Miguel dos Campos, que começou a produzir etanol 2G em escala comercial.

O fato mereceu destaque no jornal O Globo do último domingo e coloca o Brasil ao lado dos Estados Unidos e da Itália, únicos países que já produzem etanol de segunda geração.  A Bioflex 1 integra a holding GranBio, do Grupo baiano Gradin, e é a primeira empresa brasileira a produzir etanol a partir da palha e do bagaço da cana de açúcar, em parceria com o Grupo Carlos Lyra. Segundo os dirigentes da GranBio, o etanol 2G é pelo menos 20% mais barato que o etanol do caldo da cana e aumenta em até 45%  a produtividade por hectare.

É  também um dos combustíveis mais limpos do mundo, Além de aproveitar uma matéria prima, até então sem muito valor comercial. — O etanol de segunda geração não é a solução para a crise do setor, que tem outras razões mais profundas. Mas pode aumentar a produtividade por hectare, sem a necessidade de ampliar a área de canaviais - diz Alan Hiltner, vice-presidente de novos negócios da GranBio na reportagem de o Globo.

O etanol 2G é resultado da quebra das cadeias de celulose do bagaço e da palha da cana, com a utilização de enzimas, processo diferente do método da moagem da cana-de-açúcar. Segundo a reportagem de O Globo, o Brasil poderá ampliar em até 50% sua oferta de etanol com essa nova tecnologia. Este ano, o país vai produzir 27,6 milhões de litros de álcool, o segundo maior volume do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Além disso, o etanol 2G tem a vantagem de ser obtido com um processo menos poluente em intensidade de carbono.

O cálculo leva em conta as emissões de CO2 desde a coleta da matéria-prima até o transporte e foi feito pela instituição americana Air Resources Board (ARB).A usina de Alagoas tem capacidade para produzir 82 milhões de litros por ano, que deve ser atingida em 2015.

Segundo Bernardo Gradin, presidente da GranBio, o etanol 2G da será destinado ao mercado interno, mas quando ganhar escala, pelo menos 50% serão exportados para a Califórnia, nos Estados Unidos.

Nos próximos dez anos, a empresa pretende instalar mais dez plantas no país, em parcerias com usinas de primeira geração (que fazem o plantio da cana) para fornecer a palha e o bagaço. Nessas plantas, serão investidos cerca de R$ 4 bilhões. A segunda usina deverá entrar em operação já em 2016. Até 2020, a expectativa é de produção de 1 bilhão de litros do etanol 2G.

Dados da reportagem de O Globo revelam que o investimento na planta de Alagoas foi de US$ 190 milhões. Outros US$ 75 milhões foram investidos no sistema de cogeração de vapor e energia elétrica em conjunto com a Usina Caeté, do Grupo Carlos Lyra. O sistema é alimentado com bagaço de cana-de-açúcar e lignina – subproduto gerado no processo de produção do etanol de segunda geração. Além de atender às necessidades da usina, a caldeira gerará um excedente de energia elétrica de 135.000 MWh/ano – o suficiente para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes. O excedente será vendido no mercado.

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