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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 796 / 2014

12/11/2014 - 20:24:00

JORGE OLIVEIRA

O impeachment é legítimo

Brasília - Ao contrário de alguns analistas mais ortodoxos que condenam o impeachment sobre o pretexto de que devemos respeitar a maioria do povo brasileiro que legitimou o mandato da presidente, não acho que devemos ficar palitando os dentes enquanto o PT anarquiza as instituições brasileiras e quebra as grandes empresas como a Petrobrás e a Eletrobrás. Se confirmado realmente que a Dilma está envolvida com a quadrilha que roubou o país em mais de 10 bilhões de reais, como denunciou o doleiro Youssef em depoimento juramentado à Justiça e a Polícia Federal, o brasileiro tem o direito, sim, de pedir que ela renuncie ao cargo.

Caso resista, o impeachment é a solução para limpar de vez o Brasil dos vampiros do dinheiro público.Não faz muito tempo, o país viveu esse dilema com outro presidente. Collor resistiu à renuncia e foi banido do poder com o povo nas ruas.  O ex-presidiário Zé Dirceu, que acaba de sair da prisão, foi um dos responsáveis pelo movimento que culminou com o impeachment de Collor. O Congresso foi pressionado pelos caras pintadas que se diziam escandalizados com as notícias de corrupção dos coloridos.

PC Farias foi execrado porque se descobriu que ele era o chefe de uma suposta quadrilha que nas madrugadas esvaziavam os cofres públicos. Na verdade, os petistas incentivaram o motim depois que a polícia descobriu que Collor recebera de presenta um carro Fiat Elba, hoje avaliado em pouco mais de 15 mil reais.Imagine, senhoras e senhores, como o Brasil evoluiu na área da corrupção.

Hoje, fala-se em um desvio de 10 bilhões de reais. Isso mesmo, 10 bilhões!, que foram pilhados dos cofres públicos para as mãos de partidos políticos e de uma turma de privilegiados do PT, o mesmo partido que levou milhares de pessoas às ruas pela ética e pela decência política.

Isso mostra que nesse quesito, corrupção, estamos anos luz à frente de todos os países do mundo. Até mesmo daqueles chefiados por déspotas para os quais BNDES continua financiando milhões de dólares – que nunca são pagos – com o dinheiro do contribuinte brasileiro.O impeachment é uma forma legítima que o povo tem de apear do trono os governantes corruptos sem quebrar o esteio da democracia.

Aqueles que condenam as manifestações que pedem a cabeça da Dilma, precisam também entender que o poder “emana do povo” e é o povo que decide manter ou não um governante hesitoso e desconectado com a realidade do país, como é o caso da senhora presidente.  Apenas porque alguns gatos pingados pediram “os militares de volta” não significa que a manifestação estava carcomida pela ideologia fascista de direita.

Muitos dos que estavam nas ruas de São Paulo exerciam o direito legítimo e democrático de chamar a atenção para a bandalheira que se instalou no país.Não basta a Dilma, agora reeleita, fazer discurso de unidade, de acenar a bandeira da reconciliação com a população e com os políticos de oposição. Cabe a ela, no papel da primeira mandatária do país, dizer à nação quais as medidas que o  governo está tomando para impedir que o seu partido saqueie dia e noite os cofres públicos.  

Punição

Mandar para o Congresso, como disse na campanha, projetos de leis mais duros que punam os corruptos. Que comece dentro da própria casa a faxina pela decência e pela moralidade pública que tanto os brasileiros exigem. Se isso não ocorrer e a Justiça chegar a conclusão de que a presidente perdeu o comando do país por inércia, conivência com a corrupção e inaptidão ao cargo, que peça a sua renúncia. Se não, o instrumento do impeachment, tão bem utilizado pelo antigo PT ético em outra época, que seja usado para varrer a podridão que fede debaixo do tapete desse governo despreparado e sem rumo.     

À deriva

A economia está desmilinguido. Todos os índices estão em queda. As contas públicas apresentaram um rombo recorde de 25 bilhões, o pior resultado desde 1997.  O PIB fecha próximo de zero em 2014. As tarifas de energia e a gasolina terão os preços reajustados. O Brasil está à deriva.  O ministro Guido Mantega, que ainda se segura no cargo, foi demitido durante a campanha da Dilma. E para piorar a situação já existem sinais de rebeldia nas ruas. O povo dá sinais de insurgência e pede o impeachment da presidente reeleita que continua contemplando as nuvens. É incapaz de uma reação. E quando tenta reagir é apresentando nomes de figurinhas carimbadas da política para assumir ministérios.


Inflação

Outros sinais negativos da economia levam especialistas a admitir que o Brasil vai entrar em profunda recessão. Veja: a Conta de Desenvolvimento Energético acumula um rombo de 8 bilhões de reais e as distribuidoras tem uma dívida de outros 28 bilhões que vão repassar para os consumidores nos próximos três anos. As metas de inflação para 2015 estão sendo corrigidas pelo governo. E pelo andar da carruagem, coisa boa não vem por aí. Na indústria automobilística o quadro também é sombrio. Mesmo com o governo ajudando com a redução do IPI, uma das montadoras, a GM, de São Caetano do Sul, já anunciou a demissão de mais 850 trabalhadores.

Censura

O mais grave de tudo isso é que todos esses índices foram escamoteados por Dilma e seus auxiliares diretos durante a campanha. Até mesmo, o IPEA, um dos institutos mais respeitados, foi proibido de divulgar os números sociais negativos do país para impedir que a oposição usasse nos programas eleitorais. A população foi privada de conhecer o fracasso da administração da Dilma que implementou a propaganda eleitoral com informações mentirosas e vazias sobre o seu governo. O preço a pagar por essa irresponsabilidade é grande e vai cair nas costas do trabalhador quando os empregos começarem a desaparecer pelo desaquecimento da economia e consequentemente pela baixa produtividade da indústria.


Estagnação

No campo, os sinais da estagnação da economia são muito claros.  A produção do etanol, o combustível do automóvel, é a pior dos últimos trinta anos. Sertãozinho,  em São Paulo, um dos locais de maior concentração desse produto, saiu de uma ilha de prosperidade nos anos 2003 e 2008, quando crescia ao ritmo chinês de 10% ao ano, para um flagelo econômico. Das sete usinas, duas fecharam e uma está em recuperação judicial. Sem encomendas das usinas, as 500 indústrias metalúrgicas já extinguiram 10 mil postos de trabalho e viram o faturamento cair 50%, como informa o Globo.


Etanol

Carlos Roberto Liboni, secretário da Indústria e Comércio de Sertãozinho, disse que o município caiu do quarto para o  54º lugar no índice de desenvolvimento da Firjan, que mede a qualidade do emprego, renda, saúde e educação entre cinco mil municípios. Em todo estado de São Paulo, responsável por mais de 60% da cana plantada no Brasil, nos últimos quatro anos, 26 usinas fecharam. É a maior crise dos últimos trinta anos, segundo os empresários paulistas.


Manifestações

Este é o quadro desalentador do Brasil que não cresce, que enferrujou e segue um caminho imprevisível com desemprego e estagnação econômica. A Dilma precisa se cuidar porque a população, dividida, certamente vai aumentar as manifestações de ruas para cobrar um governo decente, sem corrupção e preparado para tirar o país desse atoleiro econômico. O povo, quando quer, sabe cobrar.

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