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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 795 / 2014

04/11/2014 - 20:55:00

Vilela e Renan iniciam transição “paz e amor”

Governador espera apoio para disputa ao Senado em 2018; Renan Filho promete silêncio sobre as contas tucanas

Odilon Rios especial para o EXTRA

Os trabalhos da transição no governo- nas eras Teotonio Vilela (PSDB) e Renan Filho (PMDB)- já começaram. E o melhor: com clima de paz e amor, como aliás foi nas eleições: Renan evitou ataques diretos a Vilela e fez uma campanha “mel no açúcar”: críticas modestas a áreas sociais e sabor adocicado ao se referir diretamente ao chefe do Executivo. Tudo com ingredientes especiais tão fartos como a fortuna (e a milionária dívida em energia elétrica) da Usina Seresta- da qual Vilela é herdeiro. Não foi surpresa. Este clima havia sido revelado pelo EXTRA, que em primeira mão adiantou o “acordão” entre Vilela e Renan - que por enquanto afasta o senador Benedito de Lira (PP), mas não por muito tempo.

Afinal, para quem disse, um dia depois da reconhecida derrota na disputa ao governo, que faria oposição, o amargor é mesmo coisa do passado.

E as caldeiras estão a pleno vapor para as eleições de 2018. Vilela já adiantou: será candidato “se Deus me der saúde”. Uma declaração que revela uma vitalidade impressionante. Ele terá 67 anos. E concorrerá a uma das duas vagas ao Senado com outro velho conhecido: o pai do atual governador e hoje presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB). O mesmo que disse abdicar da disputa a um dos postos mais visados da República. Mas isso é outra história.


Construção

Em plena construção do secretariado, Renan Filho pediu a Vilela que encaminhasse, à Assembleia Legislativa, projeto que extingue duas secretarias: as de Articulação Política e Articulação Social - maioria com cabides de emprego de tucanos ou pontos de reciclagem para o recebimento de personalidades sacudidas de outros postos da administração estadual. Ao todo, ambas têm 69 cargos comissionados. Sem utilidade, a Articulação Social tem 41 cargos comissionados; já a de Articulação Política acumula 28 funções.

Nas duas, há mais chefes que empregados. Na de Política, há o secretário, o adjunto, dois assessores especiais, dois coordenadores especiais, o chefe de Gabinete, o coordenador setorial, cinco assessores especiais, três chefes de núcleo. Uma verdadeira fábrica de empregos produzindo nada com coisa nenhuma na terceira terra mais pobre do Brasil.

Luxuosa também é a Secretaria de Articulação Social: o secretário, o sub, três superintendentes, coordenador especial, um chefe de Gabinete, quatro diretores, dois coordenadores setoriais, três chefes de núcleo, dez gerentes, cinco gerentes de núcleo e mais três funções gratificadas. Coisa de fazer inveja a quem produz vento e poeira no Tribunal de Contas.

Caindo os 69 cargos, a Comissão de Transição terá pela frente um problema: o artigo 9º, do projeto encaminhado à Assembleia, que trata dos documentos a serem recebidos pelos profissionais escolhidos por Renan Filho e Téo Vilela. Pelo documento, os dados recebidos pela comissão terão de carregar o carimbo de “sigilosos”.

“A OAB terá de acompanhar isso porque Alagoas não tem dados secretos ou ultrasecretos que não possam ser públicos”, adiantou o advogado Antônio Carlos Gouveia. “A não ser que se trate da segurança do governador ou a transferência de presos, que realmente precisam ser mantidos sob sigilo. Outros casos é de se questionar”. A Assembleia Legislativa ainda não aprovou o projeto polêmico.

Ao mesmo tempo, enquanto o EXTRA adiantou há três semanas nomes de secretariáveis - entre eles o vice-governador, Luciano Barbosa (PMDB), e Vinícius Lages, atual ministro do Turismo, a era Renan Filho tratou de descartá-los: Luciano não vai para a Fazenda; Lages - conforme especulação da imprensa nacional- deve permanecer ministro na cota Renan e por agradar setores do PMDB.Agora, os nomes dos secretários são tratados sob sigilo.


Espelho, meu

Quanto a 2018, Teotonio Vilela Filho quer reescrever os livros de História. Usando as próprias tintas. Foi o primeiro a fazer campanha, ao governo, em cima do muro, apoiando quem ficasse em vantagem: Benedito de Lira ou Renan Filho. E Renan Filho ficou em vantagem, conforme todas as pesquisas de intenção de voto durante a disputa. Para facilitar os dois, lançou o procurador de Justiça Eduardo Tavares, que desistiu da disputa por não aceitar ser bucha de canhão nem querer entrar para a História como personagem de circo.Longa demora para a substituição.

E a liberação do voto dos tucanos, que migrou - boa parte- para Biu de Lira. E, no meio do caminho, escolheu-se o vereador de Palmeira dos Índios, Júlio Cézar (PSDB), por livre e espontânea exclusão. Júlio virou um poste falante e sem luz própria: fracassou ao tentar defender a herança tucana; fracassou em Palmeira dos Índios, onde 71,5% dos eleitores escolheram Dilma Rousseff e não Aécio Neves, o candidato de Júlio. Uma luz tão fraca quanto a administração tucana.

Com este resultado, o vereador se credencia a ser prefeito de Palmeira? Dúvidas a serem resolvidas com o tempo. Ao longo da campanha, suportou o constrangimento de ver o presidente do seu partido, Pedro Vilela, apoiar Renan Filho contra ele mesmo, Júlio, apesar do vereador fazer campanha ao hoje deputado federal.E sob o favoritismo de Renan, Vilela-tio abriu as portas do governo mostrando as futuras instalações: um projeto de transição pendurado sob a censura de números públicos; outro que extingue secretarias, encaminhado à Assembleia Legislativa.

Afora a visita de Renan na casa de Vilela, e a declaração do governador de que será candidato ao Senado em 2018 na mesma eleição em que estará o atual presidente do Senado, Renan Calheiros, ambos prometem transformar a História na Roda Vida. Um retorno a 2002, quando ambos disputavam mandatos ao Senado pendurados uns sobre os outros, desafiando a biologia: uma relação autoparasitária, vulgo siamesa.

As estradas de hoje se repetem: poupado na campanha por Biu e Renan, Vilela abre a mão ao diálogo. Os braços estendidos de Dilma Rousseff não alcançaram tanto com o PSDB.“Será um processo tranquilo, com todos os dados completos para não haver interrupção dos trabalhos. Montamos um local, será na antiga sede do AL Previdência [na frente do Palácio República dos Palmares].

O local estará pronto”, disse Vilela, ao EXTRA, sobre a transição.“Herdamos uma dívida de R$ 500 milhões. Deixaremos R$ 300 milhões dos empréstimos a serem tomados pelo Banco Mundial para que ele [Renan] possa trabalhar. Se ele entrasse com estes pedidos de empréstimo, demoraria dois anos. Salários ficam em dia, 13º também”.Vilela não disse. Mas este “presente” acompanha um recado: o apoio de Renan-pai na eleição siamesa. Não existe “almoço grátis” na política.E de Renan Filho terá o silêncio sobre as atuais condições dos cofres estaduais.Resta saber se valerá a pena.

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