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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 795 / 2014

04/11/2014 - 20:44:00

Empresa não entrega prótese de crânio e paciente teme pela vida

Wanderson Silva conseguiu na Justiça benefício para fazer cirurgia, mas há dois anos espera a liberação do material

Maria Salésia [email protected]

Wanderson Silva dos Santos, 30 anos, teve parte do crânio esmagado e perdeu 30% de  massa encefálica durante assalto quando foi atingido com três tiros, um na cabeça. A violência aconteceu em 2009 e em 2012 a Justiça alagoana determinou que a Secretaria Municipal de Saúde de Maceió (SMS) arcasse com as despesas para procedimentos necessários. De imediato foram empenhados R$ 238.015,50 para reconstrução craniana, através de prótese de tela de titânio sob medida, mas a empresa ADNSAUDE COM. de Produtos Hospitalares LTDA, CPF/CGC 07.398.616/0001-01 ainda não liberou a prótese.

A via-crúcis de Vilma Lucia, mãe de Wanderson, se arrasta por muitos anos. Como se não bastasse a dedicação total ao filho, não se cansa de cobrar providências para que ele tenha uma melhor qualidade de vida. As idas e vindas ao Ministério Público para que tome providências pelo descaso da empresa tem cansado a dona de casa. A última ida ao órgão foi dia 30 de setembro para comunicar que apesar de a promotoria de Justiça ter entrado em contato com a SMS e os prestadores, o fornecimento ainda não aconteceu por falta de um exame de tomografia. Na ocasião, Vilma solicitou que o Ministério Público       tomasse as medidas cabíveis e determinasse que a decisão judicial fosse cumprida.

A mãe espera ainda que o MP pressione a empresa, pois a mesma já recebeu mais de R$ 200 mil e não há qualquer documento por escrito do porquê de não ter realizado o serviço. No entanto, a informação no Ministério Público é de que o promotor do caso, Ubirajara Ramos, encontra-se de férias. Ao ser questionado se não havia outro substituto, o assessor administrativo não soube informar, apenas se limitou em dizer que não conhecia a fundo o processo.Wanderson toma medicamento para oxigenar o cérebro e sente fortes dores de cabeça.

A mãe diz que ele voltou a ser criança e não suporta mais o sofrimento do filho. Ela critica a postura da empresa e questiona o porquê do fornecedor ter recebido o dinheiro e não ter realizado os serviço. “Ele troca o dia pela noite, quase não sai de casa, o cérebro não tem proteção craniana e mesmo assim a empresa não se sensibiliza com a situação, se limitando apenas a dizer que as tomografias que ele fez não são adequadas para fazer a prótese. Acho que estão querendo vencer pelo cansaço”, desabafou Vilma ao acrescentar que Wanderson depende apenas dessa prótese para fazer a cirurgia.

Mas a dona de casa não desanima e nem cansa de lutar pelo filho. Um de seus aliados é o neurologista Fabrício Avelino, médico de Wanderson. Sensibilizado pela causa, dia 17 de outubro o especialista escreveu de próprio punho um comunicado ao MP de Alagoas informando que até aquela data não tinha sido realizada a cirurgia de reconstrução craniana do paciente e assim solicitava providências.

Segundo o neurologista, o caso requer cuidados e o impasse deve ser resolvido o quanto antes, pois Wanderson sente fortes dores de cabeça,  a parte emocional está  comprometida e devido a gravidade da lesão não há proteção na parte afetada, o que pode causar danos sérios.

“Já fiz alguns documentos para comunicar ao MP a situação e esperamos que a Justiça pressione para que a determinação seja cumprida”, disse o neurologista ao acrescentar que na quarta-feira, 29, realizou mais uma tomografia no paciente para que seja acoplada ao processo.Na Secretaria Municipal de Saúde a informação é de que o processo encontra-se no controle de avaliação e auditoria e que no início da semana uma equipe esteve na residência de Wanderson quando constatou que ainda é preciso que seja realizado um procedimento que aponte a real dimensão do crânio, o que impede fazer a prótese adequada. Agora, os auditores vão encaminhar o processo para a Secretaria que irá providenciar o exame e enviar a empresa.

Vale ressaltar que o paciente não está sozinho nesta situação. O processo de nº 001.10.039977-1, Ação Civil Pública, movida pelo Ministério Público Estadual, que tem como réu o município de Maceió, aponta que 18 pacientes estão na lista para realização de alguns procedimentos a fim de que realizem cirurgias neurológicas. A informação é de 25 de maio de 2010, mas não há outra adicional que aponte que houve alteração neste número.

O jornal EXTRA tentou por várias vezes, através do telefone (81) com final 0615, contato com a empresa ADNSAUDE COM. de Produtos Hospitalares LTDA, localizada na Rua Benfica, 285, no bairro Madalena, em Recife (PE), mas não obteve êxito.

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