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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 795 / 2014

04/11/2014 - 20:28:00

Ovinocultura alagoana é destaque nacional

Pela primeira vez criadores de Alagoas participam da exposição nacional; antes não podiam por causa das barreiras sanitárias

Redação Com assessoria

Para comemorar a derrocada das barreiras sanitárias contra febre aftosa em toda a região Nordeste, a Associação Brasileira dos Criadores de Dorper (ABCDorper) promove de 29 de novembro a 7 de dezembro a 8ª Exposição Nacional das Raças Dorper e White Dorper em Salvador, na Bahia. Pela primeira vez, Alagoas vai participar da exposição nacional. Antes, esbarrava nas barreiras sanitárias.

O tema “Brasil Sem Fronteiras”, escolhido pela Associação Brasileira de Criadores de Dorper (ABCDorper), promotora do evento, remete ao reconhecimento internacional de todo território nordestino como área livre de febre aftosa com vacinação, mérito antes conquistado apenas pelos estados da Bahia e Sergipe.

O projeto já passou por Pernambuco e Ceará e agora chega a Alagoas com o apoio do presidente de núcleo Fernando Vieira Chaves Filho, titular da Dorper Boa Vontade, em Coruripe (AL). No local é desenvolvido um programa de seleção genética com mais de 400 ovinos Dorper e White Dorper, raças de origem sul-africana que ajudaram a constituir um padrão de qualidade à carne de cordeiro nacional. 

Segundo informações da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (SEAGRI/AL), existem no Estado cerca de 12 mil propriedades rurais, cerca de 40% são de pequeno porte, com extensão de 1 a 5 hectares, com menos de 50 animais. Juntas, reúnem aproximadamente 204 mil ovinos de raças deslanadas ou semideslanadas. As maiores populações estão em Mata Grande, São José da Tapera, Canapi, Delmiro Gouveia, Senador Rui Palmeira e Pão de Açúcar. Pela representatividade, são regiões que atraem programas de incentivo, como o “Programa Mais Ovinos”, que ajudou a aumentar o rebanho em mais de 10 mil animais, e ações do “Arranjo Produtivo Local de Caprinos e Ovinos”, que, entre outros benefícios, articula o financiamento de matrizes e reprodutores.

Outro fator importante é que a pastagem nativa ou plantada e o manejo básico do rebanho alagoano ocorre em regime extensivo. Quem tem um pouco mais de capital investe no sistema semi-intensivo, suplementando a nutrição com culturas locais (milho, mandioca...), além de concentrado comercial e sal mineral.

Em relação à sanidade, é latente a preocupação em vermifugar e vacinar o plantel contra clostridioses, raiva e leptospirose, mas este programa não segue um cronograma definido.“Temos criadores e produtores de todos os tipos, desde aqueles que investem com o intuito de agregar maior valor comercial à carne até os criadores que comercializam animais registrados ou ainda aqueles que mantêm poucos animais para vender quando precisam de dinheiro”, diz Fernando Vieira, que também é diretor da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos de Alagoas.

Embora o progresso não tenha acompanhado a verticalização da ovinocultura para a carne de cordeiro na mesma velocidade, como acreditam alguns criadores, o volume suficiente de cordeiros é raridade mesmo em regiões onde o consumo é mais elitizado. Mas um pequeno estímulo por parte do produtor fez o produto cordeiro cair no gosto do consumidor.

Assim, como consequência, nunca antes experimentaram preços tão atraentes. “Hoje, o quilo do cordeiro está cotado de R$ 14 a R$ 18 em Alagoas”, revela Fernando Vieira.O criador  participará pela primeira vez de uma exposição nacional com animais em concurso e está eufórico com a oportunidade de avaliar o direcionamento que deu a essas raças, especialmente nos últimos quatro anos.

E a qualidade de seu plantel em nada deixa a desejar. Ele tem cerca de 230 animais que carregam em suas linhas a genética de raçadores importantes, baseados na seleção dos melhores criadores sul-africanos, como Phillips Strauss, Tien Jordan, John Dell, Michey Phillips, entre outros. Sem produção suficiente, o produto nacional sofre com a concorrência desleal da conhecida “carne de moita” (clandestina) ou da importação de países como o Uruguai. Entretanto, para analistas, essa é uma realidade com os dias contados.


SOLUÇÃO EM ARAPIRACA 

A resposta para os problemas da cadeia produtiva da ovinocultura no Estado poderia estar na inauguração de um novo frigorífico em Arapiraca, credenciado pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE). Rumores sobre o lançamento da planta neste município agitam os produtores há meses, o que pode ocorrer no início de 2015. Alguns, inclusive, disseram que aguardam liberação para iniciar suas operações. 

ABATE TERCEIRIZADO

Certos da inauguração do empreendimento, alguns produtores  mobilizam projetos para conseguir melhor rentabilidade. Em Rio Largo, Sidneyrafa Almeida, dono da LCB Ovinos, trabalha com seleção genética das raças Dorper e White Dorper e conta os dias para o lançamento do frigorífico.

Ele comercializa matrizes para quem deseja iniciar na ovinocultura “pela parte de cima da prateleira” e carneiros registrados, para que os produtores de carne consigam suprir carências no rebanho local.“Precisamos trabalhar a mentalidade do produtor, que está habituado em usar carneiros mestiços de produção duvidosa para desempenhar papel de reprodutor”, diz. 

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