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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 795 / 2014

04/11/2014 - 20:20:00

Sou nordestino sim, com muita honra

Nas veias do nordestino correm a inteligência e a capacidade de superação

Geovan Benjoino (*) [email protected]

Sou nordestino sim, com muita honra e muito orgulho.Embora tenha que viver as agruras da seca, o egoísmo e a virulência de suas elites, as ineficientes políticas públicas paroquiais, e ainda ser objeto de chacota e preconceitos de determinados imbecis que pensam ter o sangue azul e se consideram superiores, mesmo assim, ser nordestino é um privilégio, uma dádiva e um prazer indescritível.

O nordestino é um desbravador por excelência; ele está presente em todo o Brasil, do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS), da mais recôndita zona rural às metrópoles, da mais simples a mais sofisticada obra e do mais singelo gesto ao mais eloquente heroísmo, o nordestino é presença marcante destacando-se pela capacidade de enfrentamento e de superação.

O nordestino é protagonista, e não coadjuvante. Ele faz história, é peça fundamental no desenvolvimento do país. Os fatos são irrefutáveis.O nordestino tanto se destaca no trabalho braçal como no intelectual. São Paulo é um exemplo vivo dessa verdade. Uma das mais relevantes megalópoles do mundo, a capital bandeirante foi construída com o braço forte do nordestino, que também tem proporcionado imensurável serviço a São Paulo em outros segmentos, além do da construção civil. Mesmo que os idiotas, os imbecis e os preconceituosos de toda ordem não admitam, o Nordeste é um celeiro de talentos em todas as áreas do conhecimento humano.

Os dois primeiros presidentes da República Brasileira, marechal Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto são nordestinos de Alagoas; o primeiro PhD em jornalismo do Brasil, professor José Marques de Melo, é alagoano de Palmeira dos Índios; o maior dicionarista do Brasil, Aurélio Buarque de Holanda, é natural de Passo de Camaragibe, Alagoas; um dos maiores juristas do mundo, o gênio Pontes de Miranda, é alagoano de Maceió;

o ex-chefe do Departamento de Ciências Sociais da UNESCO, médico, antropólogo e etnógrafo Artur Ramos, é também alagoano de Pilar; o arcebispo primaz do Brasil, D. Avelar Brandão, é alagoano; um dos escritores mais traduzidos no mundo, Graciliano Ramos, é natural de Quebrangulo, Alagoas; Lêdo Ivo, o imortal da Academia Brasileira de Letras e Cacá Diegues, um dos mais conceituados cineastas brasileiros são alagoanos, da mesma forma Góis Monteiro, chefe do Estado Maior do Exército Brasileiro, o técnico tricampeão da Seleção Brasileira, o Zagalo, a psiquiatra Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagem do Inconsciente, no Rio de Janeiro e a jogadora de futebol de campo Marta Vieira da Silva, diversas vezes campeã do mundo.Por questão de espaço físico, não posso registrar o nome de todos os nordestinos que dignificam e honram não só o Nordeste, mas ao Brasil inteiro.

No entanto, para nosso deleite e tristeza dos imbecis invoco o paraibano Assis Chateaubriand que, entre 1930 e 1960 se tornou o magnata das comunicações do Brasil formando um império com mais de cem jornais, emissoras de rádio, estações de televisão, revistas e uma agência telegráfica: os Diários e Emissoras Associados.

Chateaubriand foi um dos fundadores do Museu de Arte de São Paulo (MASP).Outro nordestino referência de competência e abnegação foi o empresário pernambucano radicado em Salvador, engenheiro Norberto Odebrecht, fundador  de um dos maiores conglomerados de negócios do Brasil, com aproximadamente 200 mil funcionários e atuação em 23 países. Menciono ainda os seguintes nordestinos, entre tantos outros talentosos:

Zumbi dos Palmares, Antonio Conselheiro, Rachel de Queiroz, Augusto dos Anjos, Antonio Ermínio de Moraes, Luiz Gonzaga, Djavan, Elba Ramalho, Fagner, José Lins do Rego, Paulo Freire, Gilberto Freire, Ariano Suassuna, Jorge Amado, Dias Gomes, Chico Anísio, Chacrinha, Dominguinhos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Betânia, Gal Costa, Geraldo Azevedo, Hebert Vianna, Ivete Sangalo, Dorival Caymmini, João Gilberto e Patativa do Assaré.

O nordestino é assim, trabalhador braçal, intelectual, pensador, cantor, poeta, cientista, desportista, simples, cavalheiro, hospitaleiro e também corajoso, valente, cabra da peste!, capaz de um gesto de mansidão, mas também, se desafiado, capaz de um ato de coragem pessoal, como Lampião, Tenório Cavalcanti e tantos outros conhecidos anônimos, que mesmo apaixonados pela vida, não vacilam em perdê-la em defesa de sua honra.

Terra de contraste, de caatinga e belas praias, de aridez e fertilidade, o Nordeste é uma região abençoada por Deus e privilegiada pela natureza, que também se destaca pela exuberância de sua cultura e beleza feminina. Aliás, as mulheres nordestinas são meigas e determinadas, apaixonadas e autênticas. O sotaque característico, musicado diferencia o Nordeste das demais regiões brasileiras, tornando-o uma região singular. 

Entre tantos atributos, o nordestino chama a atenção pela sua generosidade e grandeza de espírito. O poeta Luiz Gonzaga de Moura traduz bem a alma nordestina através da seguinte estrofe: “Eita, Nordeste da peste/Mesmo com toda seca/Abandono e solidão/Talvez pouca gente perceba/Que teu mapa aproximado/Tem forma de coração”.É por isso, e por outras razões, que eu reafirmo: sou nordestino sim, com muita honra e muito orgulho, inclusive com o meu oxente! 

(*) Jornalista, escritor e bacharel em Direito

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