Acompanhe nas redes sociais:

19 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 795 / 2014

04/11/2014 - 19:17:00

JORGE OLIVEIRA

Conselhos da deduragem

Brasília - A Dilma nem bem comemorou a vitória e já levou um chega pra lá na Câmara dos Deputados quando teve rejeitado o decreto presidencial que criaria os conselhos populares, núcleos, a exemplo dos que já existem em Cuba e na Venezuela, para vigiar vizinhos e manter o governo informado sobre prováveis conspirações.

Além disso, teve que recuar da proposta de tentar fazer a reforma política por plebiscito quando levou outro chega pra lá do Renan Calheiros, presidente do Senado, que sugeriu fazer um referendo à população depois que as reformas forem discutidas e votadas no Congresso Nacional, local adequado para esse embate.É assim que o Brasil vai caminhar nesses mais quatro anos sob o comando de uma presidente desinformada, desarticulada e fantoche do Lula que passa a exercer de fato o seu quarto mandato sem precisar ser votado. A Dilma é uma pessoa confusa, não consegue concluir um raciocínio, e quando sai do script é um Deus nos acuda.

Veja o que ela disse no discurso que festejou a vitória: “Meu compromisso, como ficou claro (sic) durante toda a campanha, é deflagrar essa reforma. Que deve ser realizada por meio de consulta popular. Como instrumento dessa consulta, o plesbicito”.Dois dias depois, ela jogou a proposta no lixo depois da reação do parlamento de que isso era atribuição do Congresso Nacional. Sem convicção no que diz, incapaz de sustentar uma proposta política mesmo que polêmica, a presidente recua levianamente do que acabara de propor aos brasileiros.

Ao contrário do que Lula apregoou durante a campanha de que a palavra leviana remeteria a “prostituta” para acusar o Aécio de ofensa à mulher brasileira, leviana, segundo Aurélio Buarque de Holanda, “é sem seriedade, inconstante”. E é isso o que a presidente do Brasil é: uma pessoa sem certezas políticas, sem determinação e despreparada para a função que exerce. 

Ao propor a criação dos conselhos populares, o que seria mais uma sinecura petista, a exemplo do que já acontece na Venezuela bolivariana e na Cuba dos irmãos Castro com os conselhos da revolução, Dilma, orientada por Lula, pretendia institucionalizar a deduragem no país. Seriam espalhados conselhos petistas no país que trabalhariam como linha auxiliar dos órgãos da administração direta e indireta na criação de estruturas de participação social, um eufemismo para disfarçar a verdadeira função desses núcleos.

Como as indicações seriam feitas pelo próprio governo,  pressupõem-se que esses cargos seriam ocupados por militantes que formariam um exército de dedos duros no Brasil. Ou seja, além do Bolsa Família, o PT também contaria com essas facções ideológicas para cooptarem votos numa eleição.  Não deu certo, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, traído por Lula na eleição do Rio Grande do Norte, magoado, botou o decreto da presidente em votação simbólica e o derrubou.

E por que a Dilma não aceitou a sugestão do próprio Henrique de retirar o decreto e mandar a proposta por meio de projeto de lei? Ora, porque a presidente foi instruída pelos anti-lulistas que povoam o seu gabinete para se ver livre desse fardo “revolucionário” que, no fundo, ela também não aprovaria, mas foi obrigada a atender os desejos do “militante número um”, como ela se refere ao Lula. É assim que a Dilma pretende se livrar desses entulhos autoritários do companheiro Lula, mas com graves consequências  à democracia incipiente do Brasil porque se trata de uma presidente sem autonomia e sem a envergadura para o cargo. 

Moralidade 

A Dilma agora vai ter que explicar a 51 milhões de pessoas que votaram contra ela nas eleições quem são os gatunos que roubaram a Petrobrás e que estão na lista do doleiro Youssef.  Esse negócio de união nacional é pura balela. A quem interessa essa conciliação senão aos petistas acusados de depenar a Petrobras e outras estatais brasileiras?  Se a situação econômica do país já era preocupante, agora é que a coisa vai descambar de vez. Com o país estagnado, a indústria desacelerada e a inflação em curva ascendente, o desemprego certamente vai bater à porta dos trabalhadores. E aí, vai ser um Deus nos acuda! É o salve-se quem puder.


Pudor

Dilma já deu demonstrações inequívocas de que é má gestora. Manteve na sua principal pasta um ministro que destroçou a economia do país. Para melhorar a imagem do governo e enfrentar a reeleição o demitiu no meio da campanha, quando só então descobriu quanto Guido Mantega é incompetente e nocivo ao futuro do Brasil. Participou de uma campanha suja, odienta. Se tinha algum pudor em depreciar seus adversários, mostrou-se mais cruel do que o militante número 1, o ex-presidente Lula, pelas mentiras e ofensas assacadas contra seu adversário. Ao agradecer publicamente Lula no discurso de vitória, assinou embaixo toda baixaria do seu companheiro contra Aécio Neves. Arrancou a máscara da boa mocinha que se apresentava nos programas eleitorais. 

Reconciliação

Os tucanos sabem que não haverá união em torno da governabilidade petista, apesar do discurso mineiríssimo de Aécio Neves depois da derrota. Os mais de 50 milhões de eleitores do país vão cobrar muito caro essa dívida. É inevitável que isso aconteça diante dos ânimos acirrados que vão contaminar as ruas e o parlamento. O PT vai ser cobrado pelos escândalos do doleiro e do diretor Paulo Roberto Costa, da Petrobras, quando eles dissecarem tudo que sabe da roubalheira na estatal diante de seus interrogadores. Nos depoimentos preliminares, sabe-se já que o Youssef promete revelar  as contas do caixa dois do PT no exterior. Acusa o tesoureiro da campanha da Dilma, o conselheiro da Itaipu Binacional, João Vaccari Neto, de ser o principal intermediário entre ele e o diretor chefe da quadrilha na Petrobrás.

Retórica

O discurso de reconciliação da Dilma nada mais é do que uma retórica falida de quem ganhou uma eleição envergonhada. Não houve comemoração. As poucas bandeiras do PT, desfraldadas durante a apuração do pleito, foram rapidamente recolhidas. Os militantes comissionados e os sindicalistas que vivem a soldo do dinheiro público não quiseram ir às ruas festejar a vitória. Temiam represálias de uma eleição que manchou reputações e deixou um mar de lamas pelas denúncias e as ofensas feitas aos adversários pela candidata do PT.


Corrupção

Os 51 milhões de eleitores na oposição ainda vão se surpreender com os depoimentos do doleiro e do diretor da Petrobras. Quando a caixa preta for aberta, aí sim, o Brasil vai ter a dimensão de como a quadrilha petista agia dentro da estatal.Por enquanto, ganha a democracia com mais uma eleição que consolida e legitima as nossas instituições. Mas, infelizmente, o Brasil perde na moralidade com a conveniência de mais outros 54 milhões de eleitores com os desmandos de um partido que vive dentro da lama da corrupção há doze anos.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia