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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 794 / 2014

02/11/2014 - 08:23:00

Sobre peraltices e criancices

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras.

A constatação de que a democracia brasileira, apesar de sua juvenilidade, está madura, tranquiliza a Nação, mormente quando tantas ocorrências desairosas vêm acometendo nos governos sucessivos, após a sua restauração mais recente. 

De fato, desde o Governo Sarney, o Estado brasileiro periodicamente vem sofrendo golpes aos quais as instituições democráticas têm resistido, evitadas as rupturas. A CPI da corrupção, o escândalo das concessões de rádios e TVs, para citar apenas duas ocorrências no primeiro governo após militares. Como não sou de empurrar a História para debaixo do tapete, e nem temo a catarse, refiro o caso PC, no Governo Collor, tendo as instituições resistido sobranceiras ao desenlace.

O Governo Itamar, com os escândalos do DNOCS e do INAMPS, além de outros, teve também a sua contribuição na prova do amadurecimento brasileiro. O Governo FHC, da mesma foram que os anteriores, foi permeado de escândalos, sendo o mais significativo aquele do SIVAM, inaugurando a série de outros e grave crise de governo.

Nada porém se compara ao que veio depois, no Governo Lula e agora sob Dilma Rousseff. Pesquisadores (consulte-se o Google), autorizados ou não, apontam seis graves crises, provocadas por escândalos, ocorridas no Governo Lula, a saber: (1) escândalo dos bingos, ou caso Waldomiro Dinis; (2) escândalo dos Correios, conhecido como caso Maurício Marinho; (3) o escândalo do Mensalão, que até hoje rende outros paralelos; (4) o escândalo da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francelino Santos Costa; (5) o escândalo das Sanguessugas; e (6) o escândalo do dossiê, apelidado de Escândalo dos Aloprados.

A sequência petista, sob a presidente Dilma Rousseff, não se negou a contribuir com o quadro negro da política brasileira. Dentre várias ocorrências desairosas, quando ministros e altos funcionários foram “demitidos”, desponta agora o Escândalo da Petrobrás, ferindo gravemente a maior empresa brasileira, símbolo da própria Nação.

Essas foram as peraltices dos governos petistas. As criancices? Ora, considero exclusivas dos governos e governantes petistas: Lula jamais de nada soube, igual a criança pega em flagrante, um inocente contumaz; Dilma, além de seguir o mestre –outra inocente – escuda-se no dizer que são apenas indícios e que os outros (partidos e políticos) também praticaram os mesmos ou semelhantes atos, Outra criança pega em flagrante, com a desculpa “amarela”.Esses fatos devem provocar o repensar da perpetuação de um partido, o PT, no governo. 

A democracia brasileira continua resistindo bravamente, graças a Deus! Mas, porque esses fatos vem acontecendo repetitivamente no governo petista? Penso que a explicação está na eternização de um partido – o PT, no poder. Essa perpetuidade desserve a democracia, ferindo um dos seus princípios básicos: a alternância, não apenas de governantes, mas também de partidos.

A longevidade de um governo, mesmo que pelo voto popular, assemelha-se bastante a uma ditadura disfarçada, ou no mínimo a uma oligarquia. De qualquer sorte, uma de suas condenáveis consequências é  a arrogância dos governantes e partidos assim perpetuados que, achando-se acima de todos os males, praticam impunemente um dos maiores riscos ao Estado Democrático de Direito: a corrupção. Afinal, passam eles mesmos a considerarem-se donos do poder e do Estado, e não o Povo.              

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