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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 794 / 2014

29/10/2014 - 20:42:00

Lula prefere Aécio

São Paulo - Existem coisas na política que você não vê a olhos nus. Para enxergá-las, é preciso, muitas vezes, entrar na alma do político e observar com atenção as suas ações que às vezes passam desapercebidas aos olhos de um desatento. O que vem ocorrendo entre o Lula e a Dilma é um desses casos que surpreendem a todos nós quando revelados. Veja: o Lula desapareceu dos programas políticos da sua candidata. Seus marqueteiros querem mostrar a Dilma numa posição de independência na campanha. Além disso, querem também dar a entender aos eleitores que o segundo governo dela não terá a interferência do seu padrinho nem do PT, um partido deteriorado pela corrupção.

Prova disso é que nos comerciais da TV, a sigla do PT desapareceu – aparece só o 13 -  e a própria candidata agora veste azul ou branco.O Lula, porém, continua em campanha pelo Brasil. Na verdade, não é para defender a candidatura da Dilma, mas para manter o PT no poder. Ou seja: não quer que o partido tenha, com o tempo, o mesmo destino de outros que foram se definhando, a exemplo do DEM, uma dissidência de partidos da ditadura.

Para o Lula, a vitória do Aécio é mais conveniente aos seus planos políticos mesmo que ele disfarce na oposição aos tucanos pelo Brasil afora. Para mostrar independência, Lula sabe que a Dilma vai procurar fazer um segundo mandato sem a parceria efetiva dos petistas. O primeiro sinal de que isso vai ocorrer já foram dados. Guido Mantega, o Ministro da Fazenda, já foi demitido antes mesmo do final da campanha.

E o espião do Lula ao lado do gabinete da Dilma, o Secretário-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, já anunciou que não permanece no Palácio do Planalto. Vai se dedicar ao Instituto Lula. Assim como eles, vários outros petistas da cota de Lula também serão varridos do governo logo no início do segundo mandato da Dilma, caso ela ganhe as eleições. Lula é um político matreiro. Ele sabe que é mais fácil voltar ao poder se o Aécio ganhar as eleições e o PT ficar na oposição sistemática durante todo o governo dos tucanos. Com a Dilma, o seu sonho fica mais longe.

Até lá, o PT estaria completando 16 anos no poder com o natural  desgaste de um longo governo; a economia já dá sinais claros de recessão; o desemprego bate às portas das empresas; a indústria reduz a produção. Com essa previsão desastrosa, Lula já pensa se não é melhor deixar essa carga pesada cair no colo do Aécio, já que a Dilma não é mais confiável ao seu grupo dentro do partido. Lula está viajando para alguns estados onde acha que o seu partido e alguns aliados têm chances de chegar ao poder no segundo turno. Critica os tucanos por onde passa, mas não se esforça em falar bem da Dilma nos seus discursos inflamados. Passou a considerar, com essas ações, que a derrota da Dilma sinaliza a sua volta em 2018.

Saúde

Esquece, porém,  que vai estar fora de mandato por oito anos, já não tem o mesmo carisma de antigamente pela sujeira da corrupção, a saúde não é a mesma para uma campanha mais vigorosa e acirrada com quem está no poder, e ainda tem que torcer para que o Aécio faça um péssimo governo. A reeleição é pule de dez para quem está no governo, menos para Dilma que corre o risco de ficar no meio do caminho pela administração caótica.


Frieza

Quase no final da campanha, os programas eleitorais, pela sua frieza e cautela, não devem contribuir muito para mudar o quadro das pesquisas dos candidatos presidenciais. Essa alteração ocorrerá nos próximos debates na televisão. E, se o Aécio continuar se acovardando diante da sua concorrente, coloca em risco o seu empate técnico com ela. O debate da TV Globo desta semana vai fazer a diferença daqui pra frente, e até agora Dilma leva ligeira vantagem quando deixa Aécio sempre na defensiva acusando-o sistematicamente de malfeitos em Minas Gerais como se a eleição fosse para o governo do estado. 


Nervoso

Acuado com os ataques, Aécio parece sempre nervoso e inseguro. A câmera da Band, por exemplo,  o flagrou  olhando para os lados como se estivesse pedindo ajuda para sair das situações adversas do debate. O programa eleitoral do tucano, sem criatividade, peca pelo exagero de cautela, de melindres. Teme perder direito de resposta e por isso recua até mesmo do ataque inteligente, aquele em que o concorrente é desconstruído com palavras, frases que remetem o adversário ao desgaste de ter que responder. Enquanto Aécio mostra um programa meio água com açúcar, o PT  fulmina com tiro certeiro, quase mortal, a desconstrução do seu adversário.


Segura

O debate da Band, na semana passada, mostrou, por incrível que pareça, uma Dilma mais segura contra um Aécio mais afoito, mas assustado com os ataques. Não respondeu à altura quando a Dilma atacou a sua família. Apenas negou o nepotismo sem muita convicção, deixando a dúvida no telespectador. Esqueceu-se, por exemplo, de chamar a atenção da candidata para não envolver a família na disputa eleitoral. E, se quisesse ir mais longe, teria dito que o corrupto Paulo Roberto Costa, ladrão confesso da Petrobras, foi um dos convidados de honra do casamento da filha de Dilma.

Escândalos

Aécio está patinando e os ataques do PT à sua administração em Minas Gerais podem levar sua candidatura a sangrar nos debates. Motivos para acuar sua adversaria não faltam. Senão, vejamos alguns:
n  A economia está paralisada e a produção industrial caiu;n  setor de energia sofre com a descapitalização. Novos aumentos de tarifas previstos para novembro; n queda no emprego é o pior em 13 anos;n desclassificação da Petrobrás no mercado internacional;n  diretor da Petrobrás acusa tesoureiro do PT de levar 3% de propina nos contratos e ainda diz que dinheiro foi usado na campanha da Dilma em 2010;n TCU detecta outro escândalo na Petrobrás em contratos sem licitação de R$ 7,6 bilhões para construção da Comperj;n  Mensaleiros petistas, condenados por corrupção, começam a deixar o presídio da Papuda para cumprir pena domiciliar;n  Ex-petista André Vargas, ex-líder do PT, na mira de cassação por envolvimento com o doleiro Youssef;n obras do PAC 1 e PAC 2 paralisadas;n  BNDES perdoa dívidas de países africanos corruptos e ainda mantém sob sigilo os empréstimos a Cuba;n  ministérios devolvidos a dirigentes de partidos corruptos, muitos deles presos pela Polícia Federal;n secretária da presidência da república em São Paulo, amiga íntima de Lula, deixa o cargo porque chefiava uma quadrilha com influência em agências de regulamentação; en presidente Dilma foi a responsável pela compra da refinaria de Pasadena,  quando presidia o Conselho da Petrobrás, o maior caso de corrupção da estatal numa negociação internacional.


Aperitivo

Esses escândalos do PT são apenas um aperitivo. Diante de tantas mazelas petistas, o Aécio fica respondendo a bobagens da Dilma sobre o governo de Minas Gerais de onde se afastou há quatro anos. Ora, se é para desnudar o governo do PT o momento é este. Aécio precisa ser didático no debate da TV Globo ao elencar os escândalos e manter a Dilma sempre na defensiva se quiser equilibrar a campanha até o final e chegar à vitória. Se se acovardar, mais uma vez a vaca vai pro brejo, depois dos tucanos chegarem, pela primeira vez, ao segundo turno na frente do PT. Se quiser continuar com o programa eleitoral ensosso, com medo do direito de resposta, Aécio pelo menos tem que atacar nos debates. É a regra inteligente da boa estratégia do marketing político.

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