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Edição nº 793 / 2014

23/10/2014 - 20:25:00

JHC fala de sua próxima atuação em Brasília e futuros posicionamentos

Parlamentar diz que a área da educação será prioridade no seu mandato e destacou que seu olhar continua atento para a Assembleia

João Mousinho [email protected]

Aos 27 anos o deputado estadual de primeiro mandato João Henrique Caldas (Solidariedade), o JHC, se lançou deputado federal e foi eleito com 135.929 votos. JHC teve sua legislatura marcada na Casa de Tavares Bastos por denunciar uma série de escândalos de corrupção envolvendo os membros da Mesa Diretora.  Deputado mais votado de Alagoas, com 9,82% dos votos válidos, JHC foi considerado por analistas políticos a principal surpresa da eleição de 2014. Em entrevista ao jornal EXTRA o parlamentar falou sobre suas prioridades no próximo mandado e futuros posicionamentos em Brasília. 


EXTRA – O seu nome era tido como uma surpresa, para os analistas políticos, caso fosse eleito em sua coligação, mas o resultado foi bem diferente. O senhor foi o recordista de votos. A que o senhor credita essa votação expressiva?

JHC – Sabíamos que lutaríamos com grande chance de vitória para a conquista de uma vaga na Câmara dos Deputados, mas os números da apuração superaram nossas expectativas. O voto que recebi foi construído em cima de um discurso e de ações pautadas na transparência, na fiscalização dos recursos públicos e na urgente transformação da política nociva que há décadas é praticada em Alagoas. Inauguramos e patenteamos uma nova forma não só de fazer política, mas de fazer campanha. Formamos um exército digital e nas ruas, que levou nossos ideais e projetos a todos os cantos de Alagoas.

Fizemos o corpo a corpo, fomos a pontos de ônibus, portas de faculdades e escolas, divulgamos nossas propostas em um trio elétrico, usamos projetores com vídeos, conversamos com eleitores, usamos as redes sociais, enfim, estabelecemos um diálogo direto e simples com cada um desses quase 136 mil alagoanos que nos confiaram seu voto. Apostamos no voto espontâneo, convencemos e conquistamos o eleitor consciente, aquele que muitos duvidavam que o alagoano seria, pois subestimaram nosso povo e não perceberam que esse grito por mudança estava preso, mas a ponto de explodir. A votação expressiva é reflexo de uma sociedade que provou estar atenta e fiscalizadora, pronta para iniciar uma nova página na lógica da política alagoana.

EXTRA– O seu pai, que hoje é deputado federal, levanta a bandeira da vinda do estaleiro para o Estado, mas com a condição de uma licitação internacional. Co-mo o senhor vê essa questão? Essa também será uma de suas bandeiras em Brasília?

JHC – Trazer a indústria naval para Alagoas sempre foi um sonho do deputado João Caldas, e o Estaleiro Enor é um empreendimento sem precedentes no nosso Estado. Com o crescimento da exploração do pré-sal ele se faz ainda mais necessário. O estaleiro em Coruripe trará 50 mil empregos diretos e indiretos e movimentará não só a economia da região do litoral sul, mas do Estado como um todo. Tem potencial para ser um dos maiores polos da indústria naval da América Latina, dando visibilidade a Alagoas e atraindo novos investimentos. Agora que a licença ambiental já saiu, o deputado João Caldas se empenhará ainda mais pelo estaleiro. Em Brasília, darei minha contribuição para esta e outras iniciativas que contribuam para o desenvolvimento social e econômico de Alagoas. Esta não é uma só uma bandeira minha ou do deputado João Caldas, é uma bandeira do Estado de Alagoas.


EXTRA – Como será sua relação com o governo federal como bancada de oposição ou bancada de governo. Caso Dilma eleita, caso Aécio eleito?

JHC – Acredito na cultura do diálogo, e que ele deve ser prioridade, independente de qual presidente seja eleito. Estamos em um regime democrático, republicano, no qual, mais importante do que divergências ideológicas, estarão sempre as necessidades do povo. Manterei a atenção às atitudes do Executivo nacional, fiscalizando de perto as ações do próximo presidente, mas as demandas de Alagoas serão sempre minha prioridade. Irei bater na porta dos gabinetes dos ministros e do próximo presidente para reivindicar ações e recursos que contemplem Alagoas, independente se o PT ou o PSDB estiverem à frente da Presidência da República.


EXTRA – O senhor acredita que o atual modelo de emendas parlamentares destinadas aos estados fomenta a corrupção? 

JHC – Acredito que cada parlamentar deve guiar sua conduta de maneira ética, responsável e não deve se submeter a nenhum tipo de subserviência para conseguir emendas. Infelizmente sabemos que o atual modelo propicia negociações que muitas vezes não atendem aos interesses do povo, e que recursos públicos são moeda de troca, em conchavos feitos na calada da noite, no apagar das luzes. Como disse antes, vou bater na porta do gabinete dos ministros, até do presidente, se possível, e vou lutar sempre por recursos que atendam às necessidades de Alagoas, sem que para isso eu tenha que manchar minha conduta ou usar de práticas mesquinhas, que condeno. Aprendi que com projetos consistentes e relevantes as portas se abrem para o bom exercício parlamentar, para que eu possa levar ao Congresso Nacional os interesses do nosso povo, que na maioria das vezes não têm vez e voz.

EXTRA – Como deputado federal eleito, quais as suas prioridades no quesito de investimentos para Alagoas?

JHC – Alagoas precisa de investimentos urgentes em áreas básicas como assistência social, educação, saúde e segurança. Ao mesmo tempo, setores essenciais para a economia como a indústria e a agricultura carecem de incentivo, principalmente os pequenos agricultores, com atenção especial à agricultura familiar. Precisamos também voltar nossas atenções para o investimento nas fontes renováveis de energia, que são mais econômicas e ambientalmente sustentáveis. O Rio São Francisco, hoje tão abandonado, tem uma das maiores jazidas de vento do Brasil. Ele nos fornece uma capacidade eólica imensa e pouquíssimo aproveitada. O investimento em ciência e tecnologia deve ser levado a sério, para que Alagoas dê uma guinada em sua história e saia da contramão do desenvolvimento.

 
EXTRA – Há alguma área: segurança, saúde, educação que será prioridade durante seu mandato?

JHC – A educação é urgente, principalmente em Alagoas, que apresenta índices alarmantes de analfabetismo e lidera os piores rankings na área, que apontam a triste realidade de que 25% dos alagoanos são analfabetos, ou seja, uma em cada quatro pessoas do nosso Estado não sabe ler e escrever. Mas, infelizmente, passamos por oito anos de abandono, tenebrosos para o povo alagoano, nos quais a saúde e a segurança pública também foram deixadas de lado.

Acredito na educação como base na formação da sociedade, como ferramenta de transformação social, e na capacitação profissional, para que nossos jovens tenham oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, com perspectivas de crescimento. É inaceitável que Alagoas tenha o maior número de jovens ociosos do País, segundo dados do IBGE. É contra isso que tenho a obrigação de lutar, para que a minha geração não seja condenada à miséria ou à marginalidade por conta da falta de investimentos em políticas públicas efetivas, fruto da omissão de gestores públicos descomprometidos com as reais necessidades do povo.

 
EXTRA– O senhor teve  uma grande exposição parlamentar e pública por denunciar uma série de corrupções envolvendo os deputados membros da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Seu olhar continuará de alguma forma voltado para o Legislativo estadual?   

JHC – O fato de estar em Brasília só aumentará minhas prerrogativas e potencializará minhas ações. Engana-se quem pensa que não acompanharei de perto o que acontece na Assembleia, que hoje é o maior ralo de dinheiro público de Alagoas e nos envergonha. Quando consegui, via Justiça Federal, acesso aos dados bancários do Legislativo alagoano me deparei com um rombo de R$ 500 milhões, entre depósitos indevidos, servidores fantasmas e pagamento de gratificações indecentes. As investigações ainda estão em curso e continuarei vigilante. O resultado que obtive nas urnas mostra que a sociedade alagoana não aceita a corrupção como algo banal e que uma nova época está por vir, de transformação, ética e seriedade nas ações do poder público. 

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