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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 793 / 2014

21/10/2014 - 14:05:00

O candidato agressor

César Oliveira Professor, historiador e acadêmico de Direito

Quando nossas ideias são contestadas ou somos recriminados por determinada conduta e reagimos de forma truculenta, estamos involuindo no processo civilizatório. Saber conviver com o oposto é um dever social de urbanidade, é uma prática exigida nas relações interpessoais. Porém, alguns teimam em desconhecer essas regras simples e construtivas da sociedade. Nos causa espanto e perplexidade atitudes de indivíduos que pertencem ao gênero humano, mas é da espécie “brucutu”, que acreditam que a força física de suas ações, é a seleção natural de seus problemas. 

O episódio deplorável ocorrido durante a festa da democracia - eleições do dia 05 último -, quando em uma sessão eleitoral em Cruz das Almas uma cidadã/eleitora que cumpria seu dever cívico, foi agredida por um Coronel/Candidato, que pertence a reserva da polícia militar  e que acredita ser a “incorporação” do Deus Zeus, demonstra claramente que a formação do agente em voga, é o extermínio preventivo das ideias e dos opostos.Nenhum bem provoca inveja tão imensa quanto a grandeza de caráter. A cidadã/eleitora quando se manifestou em protesto, apenas estava no gozo dos seus direitos constitucionais, clamava pelo princípio da isonomia em uma fila de espera para ter acesso ao local de votação.

O Coronel/Candidato, treinado supostamente para enfrentar situações adversas na academia militar, com seu gesto agressivo interferiu nas relações éticas do estado de Direito. Esfera de tais relações é designada pelo conceito de direito e de justiça.  A constituição foi também desrespeitada, o poder judiciário desdenhado a sociedade horrorizada e a impunidade concretizada. No dizer de “Jean-Paul Sartre,” a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. “É condenável sobre todos os aspectos, o meio desnecessário da força utilizada pelo Coronel/Candidato, para resolver tão pequeno conflito, o uso irregular, anormal e escandaloso que a todos provocou repúdio.Examinando o fenômeno da sociabilidade humana, Aristóteles considerou o homem fora da sociedade “um bruto ou um deus”, significando algo inferior ou superior à condição humana.

O agressor da liberdade desconheceu que Direito e sociedade são entidades congênitas que se pressupõem. O mundo primitivo ficou pra trás. Essa violência sistêmica em Alagoas que brota da prática do autoritarismo, profundamente enraizada, apesar das garantias democráticas tão claramente expressas na constituição de 1988, amordaça, sufoca e a amedronta, e o medo no dizer de Eduardo Galeano, é um gás paralisante. O agressor acredita na impunidade, para ele os mais fracos são escolhidos não só por covardia, mas também porque o agressor alimenta um profundo desprezo pela fragilidade humana. A sociedade lavra veementemente seu protesto por tal atitude do Candidato, e solidariza-se com a cidadã/eleitora que foi agredida e vilipendiada no seu Direito.

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