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Edição nº 792 / 2014

15/10/2014 - 21:11:00

Rodrigo Cunha: “A sociedade não aguenta mais conviver com políticas ultrapassadas”

Filho de Ceci Cunha fala sobre o significado de ter sido o candidato a deputado estadual mais votado nesta eleição em Alagoas

Carlos Victor Costa [email protected]

O início de uma nova fase na política alagoana pode estar surgindo após o eleitor deixar o recado de que quer ver seus direitos garantidos através de seus representantes. E essa nova fase tem a ver com a votação do último dia 5, na qual um candidato se elegeu sem gastos mirabolantes, apenas pela vontade de mudança do eleitor. 

O candidato é Rodrigo Cunha, eleito em 1º lugar, com mais de 60 mil votos, sendo que essa é sua primeira candidatura. Há os que considerem que ela se deu por ele ser filho de Ceci Cunha, brutalmente assassinada com o marido e outros dois familiares em 16 de dezembro de 1998, no bairro da Gruta de Lourdes, em Maceió, após ser diplomada como deputada federal.

Mas o que de fato levou a vitória de Rodrigo foi sua trajetória à frente do Procon e por carregar o nome limpo. Em entrevista ao EXTRA, Rodrigo Cunha falou sobre o significado de ter sido o candidato a deputado mais votado no estado. “Minha decisão de entrar na política foi muito amadurecida.

Após uma luta de 13 anos para colocar os assassinos dos meus pais na cadeia, tornei-me uma pessoa mais leve. Formei-me advogado, estudei muito, construí uma família sólida e me preparei para este momento. Canalizei toda a dor que a vida me reservou para me transformar num homem público decente e fazer a diferença na vida das pessoas.

Tinha muito orgulho, sem qualquer vaidade, da confiança que as pessoas depositavam em mim e não podia desperdiçar a chance de usar todo o meu potencial, meus ideais, a minha indignação com a injustiça e a experiência construída ao longo de sete anos como um gestor público moderno, para a construção de uma Alagoas diferente”. Rodrigo diz que a caminhada foi muito pé no chão, com uma mistura de criatividade, ousadia, desafiando tudo o que diziam ser “normal”  para fazer numa campanha política.

“Tinha confiança de que o povo alagoano enxergaria a mensagem da necessidade de se construir uma outra política. Mas, sinceramente, não esperava um retorno tão grande como esse.

Essa campanha foi diferente do que se vê por aí. Não contratei ninguém para me dar 10, 100 mil votos. A relação era direta eleitor-candidato. Andei, visitei comunidades, fui para o sinal de trânsito, porta de faculdades, tudo para conversar e buscar o voto através do convencimento. Realmente estou muito feliz com o resultado, até porque conseguimos provar que dá para fazer uma política limpa no nosso Estado”.

Questionado sobre qual será sua posição na Assembleia ao lado de colegas parlamentares acusados de envolvimento com corrupção, o advogado alegou que quem o conhece sabe da pessoa pacífica que ele é. “Faço questão de fazer as coisas da maneira correta e com eficiência. No entanto, ser tranquilo não significa ser covarde ou não ter firmeza. Sou determinado e obstinado na busca dos meus objetivos.

Provei isso ao lutar por justiça, sem vingança, no caso dos meus pais e saí da estatística dos cerca de 99% dos alagoanos que não conseguem justiça. Minha passagem à frente do Procon também demonstrou a minha capacidade. Sou representante do povo alagoano e tenho uma procuração assinada por 60.759 pessoas para lutar pelos interesses da sociedade, pelo bem comum e resgatar o sentimento de ser alagoano”. Rodrigo disse também que a Assembleia precisa voltar a ser uma casa do povo onde os interesses da sociedade sejam discutidos e atendidos.

“É preciso ter em mente que não basta ter uma postura honesta e decente. Isso por si só não concretiza projetos e nem realiza a transformação social. É preciso ter competência e projetos. Quero reunir estes dois atributos para fazer um mandato inovador assim como foi minha caminhada nas eleições.

Agirei sempre com a minha consciência e serei um defensor intransigente da ética na política, sem falso moralismo e sem compactuar com velhas práticas políticas. Podem ter certeza de que serei um guerreiro e honrarei os ensinamentos de minha mãe e a confiança do povo alagoano”, ressaltou. 

ARAPIRACA

Comenta-se nos bastidores da política que essa eleição seria uma ponte para 2016, no qual o objetivo de Rodrigo Cunha seria o de administrar Arapiraca. O ex-superintendente do Procon, respondeu o seguinte: “Fui eleito para representar o povo alagoano e realizar projetos que promovam a transformação social. Quero honrar o meu mandato.

Ainda é muito cedo para falar sobre 2016. Não tenho como pensar nisso agora. Esse é um novo momento em minha vida e quero muito ter a experiência de estar no legislativo. Amo Arapiraca, tenho orgulho de ser arapiraquense e voltei a morar na minha terra, tendo uma vida lá e continuando minhas atividades em Maceió também, porque quero entender como posso contribuir, sendo deputado, com o seu desenvolvimento, bem como com o de toda Alagoas”.

Por fim, Rodrigo Cunha foi indagado se achava que sua votação expressiva tinha relação com a tragédia ocorrida com sua família, ou seria voto de protesto, contra as práticas políticas do estado que são comandadas por oligarquias. “Não acredito nisso.Quatro anos após a tragédia, a irmã da minha mãe decidiu ser candidata e teve cerca de 16 mil votos.

Acredito sim, que teve relação com a vitória, com a luta de 13 anos por justiça. Muita gente se identifica com isso e com a forma correta com que tudo foi feito para dar um desfecho digno à morte dos meus pais. Quem me escolheu para representá-los é porque quer uma Assembleia diferente, um legislativo com mais justiça e cidadania. A minha votação expressiva é fruto de um sentimento de indignação que tomou conta do Brasil no ano passado e uma reação da sociedade que não aguenta mais conviver com práticas políticas ultrapassadas”.

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