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Edição nº 792 / 2014

15/10/2014 - 20:52:00

Biu de Lira esperava repetir votação de 2010

Odilon Rios Repórter

No âmbito majoritário o grande derrotado foi o senador Benedito de Lira (PP). Desde 2010 que o senador do PP acalentava o sonho de ser governador de Alagoas.

Acreditando no desempenho da sua eleição anterior, quando derrotou a vereadora Heloísa Helena (PSOL) e obteve mais votos que o próprio Renan Calheiros, Biu articulou, com ajuda indireta do governador Téo Vilela, uma frente de nove partidos que, por coincidência, participavam do governo estadual. Todos eles tinham secretarias de Estado, desde o Partido Progressista (PP) até o Democratas (DEM), passando por pequenas legendas como o PPS e PSB; mas, foram, um a um, para a frente de Biu sob o olhar complacente do governador.

Este ano, apesar desta frente ampla, Benedito de Lira perdeu por um somatório de razões. Nesta campanha, ele não conseguiu reeditar o mesmo programa de rádio e televisão de 2010, que desarmou o discurso de Heloísa Helena então favorita nas pesquisas. 

Sem um candidato competitivo para o Senado, teve que se contentar com um aliado que obteve meros 8% dos votos; e, sem uma ideia clara de programa, Biu foi muito prejudicado nos debates em que foi obrigado a participar, perdendo pontos preciosos nas pesquisas eleitorais.  É bom lembrar que na disputa para o Senado, em 2010, Biu de Lira não precisava enfrentar seus adversários em encontros públicos.

Para completar, a morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, deixou Biu de Lira numa saia justa, na medida em que  Marina Silva se recusou a vir apoiar sua candidatura e ele não podia apoiar o senador Aécio Neves (PSDB/MG), que já estava na campanha de Júlio Cézar do PSDB.

Renan FilhoA coligação de 14 partidos deu a Renan Filho um tempo privilegiado nos programas de rádio e televisão. O adversário real, que teria sido uma candidatura forte do PSDB e aliados governamentais, foi desativado e neutralizado pelo acordo de seu pai com o governador Téo Vilela.

Com certeza, Thomaz Nonô, lançado no primeiro semestre, teria um desempenho para o Senado bem melhor que Omar Coelho, assim como os ex-secretários de Estado – Marco Fireman e Luiz Otávio – e até mesmo o procurador Eduardo Tavares, na disputa para governador. A avaliação é interna. Mas, estranhamente, eles foram preteridos. O tucano Júlio Cézar optou por uma moderada estratégia de apenas defender o governo de Téo Vilela, sem nenhuma preocupação em combater o candidato do PMDB. Seguia o roteiro do acordão Renan-pai e Téo Vilela.

Nessa campanha, Júlio Cézar se transformou em nome para a disputa da Prefeitura de Palmeira dos Índios. Ou pode ajudar a agregar votos em torno de um quadro mais viável nas urnas.

Por outro lado, ao longo deste último ano, Fernando Collor tratou de desgastar a gestão tucana com uma série permanente de denúncias sobre fatos reais, que reforçou a opinião negativa sobre a administração estadual. Esse desgaste colocou Téo Vilela entre os piores avaliados em todo o país, facilitando em muito a tarefa de Renan Filho. Para completar, Renan Filho era o mais jovem e, nos debates, pareceu o mais preparado, detalhe importante para segmentos da opinião pública.Eleito, Renan Filho já conta com maioria absoluta na Assembleia Legislativa.

Por um lado, elegeu 14 deputados pelos partidos de sua coligação e todos estarão contemplados. Por outro, o que seria “oposição” carece de nomes e propostas para enfrentar um debate e, principalmente, votações contra propostas vindas do Palácio dos Martírios. Por representarem várias pequenas legendas, com interesses fragmentados e vinculados a famílias ou pequenos grupos, os deputados estaduais eleitos não formarão uma bancada de oposição minimamente coerente. Negociarão caso a caso, sem criar problemas para o novo governador.

A bancada federal – deputados e senadores – também é, majoritariamente, favorável ao governador do PMDB.O governo Téo terminou e a transição já está em curso. Os nomes anunciados para compor a equipe do PMDB revelarão quem poderá sentar nas principais cadeiras das secretarias da fazenda, educação, saúde, segurança e planejamento, que formam o governo real. As outras secretarias servem, na maior parte das vezes, para contemplar os interesses de parlamentares ou partidos que foram importantes nas eleições.


Senado

A disputa foi desigual e o resultado não poderia ser outro. Heloísa Helena sem tempo de rádio e televisão, sem estrutura partidária ou recursos financeiros e até mesmo sem apoiar a candidatura oficial de seu partido, Luciana Genro (PSOL), conseguiu 30% dos votos, ou seja, 390 mil. 

Deverá repetir o mandato de vereadora em Maceió, nas eleições municipais de 2016, e esperar pelas eleições gerais de 2018. Collor obteve o resultado anunciado pelas pesquisas ao longo da campanha. Diferentemente das vezes anteriores, quando fazia campanhas rápidas de poucas semanas antes do pleito, Fernando Collor visitou todas as localidades da capital e interior do Estado, costurando alianças e apoios por onde passava.

Com muito mais tempo no horário gratuito e uma boa estrutura financeira, pode se apresentar como o senador presente nos debates nacionais e que, ao mesmo tempo, traz recursos para Alagoas. Omar Coelho (DEM), sabendo que não polarizaria com Fernando Collor ou Heloísa Helena, desempenhou o mesmo papel de Júlio Cézar para governador: trabalhou seu próprio nome para uma eleição futura e defendeu a candidatura de Aécio Neves, sem, no entanto contar com o apoio de Téo Vilela. 


Segundo turno

A campanha presidencial sem um segundo turno local ficou fria, mas as forças políticas alagoanas irão se movimentar para a disputa entre os dois candidatos: Dilma Rousseff e Aécio Neves. Por um lado, o PSDB irá fazer a campanha de Aécio, com o apoio do DEM e do PPS. O resultado do primeiro turno em Alagoas foi ruim para Aécio, que perdeu para Dilma e Marina. Por seu lado, o PMDB liderará a campanha de Dilma Roussef no Estado, com forte apoio do PT e do PCdoB. O curioso é que Biu de Lira volta à base do governo federal, mas deverá ficar neutro na disputa entre Aécio e Dilma. Heloísa Helena, apesar de o PSOL nacional e de suas lideranças demonstrarem simpatias pela candidata do PT, deverá também ficar de fora deste segundo turno.

As eleições terminaram para muitos com Alagoas definindo seus deputados, governador e senador. A expectativa agora é com o mês de janeiro, quando a posse de Renan Filho mostrará quem tem força no governo e quem ficou na oposição. A partir de então, os políticos - com e sem mandato - começam a discutir as eleições municipais de 2016, quando os que foram eleitos este ano começarão a se movimentar em direção a essa nova disputa.

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