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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 792 / 2014

15/10/2014 - 20:30:00

Alagoas é terceiro no país em votos nulos

Primeiras eleições gerais pelo sistema biométrico evidenciam as falhas da Justiça Eleitoral

Vera Alves [email protected]

O alagoano volta às urnas no próximo dia 26, melhor dizendo, pode voltar, já que centenas de pessoas ainda não se recuperaram do verdadeiro trauma que foi depositar o voto no primeiro turno das eleições, dia 5. Filas gigantescas em um dia chuvoso, quedas de energia e o total despreparo de mesários frente aos problemas que surgiram - o maior deles, a falha na leitura biométrica pelas urnas -, fizeram muita gente já adiantar que não pretende comparecer na votação do segundo turno da eleição e que vai definir quem será o novo presidente da República.Se confirmada esta falta de disposição, Alagoas pode bater um novo recorde, o de abstenções.

Na votação de domingo passado, o estado conseguiu entrar para a lista dos campeões em votos nulos. Foi o terceiro do país, só perdendo para o Rio Grande do Norte e para Sergipe, enquanto no ranking de asbtenções se situou dentro da média nacional, que foi de 19,39%. Do total de 1.995.153 eleitores alagoanos aptos a votar, 382.657 não compareceram, o que representa 19,18% do eleitorado.

Mas o que chama a atenção é a quantidade de votos nulos. Enquanto a média nacional foi de 5,80%, o percentual em Alagoas ficou em 12,38% sobre o total de 1.612.496 votos computados. Em números absolutos, foram 199.638 eleitores que anularam o voto.

O líder do ranking foi o Rio Grande do Norte, com 16,29% de votos nulos para 1.935.105 votos válidos (eleitorado de 2.326.583), seguido de Sergipe, onde a quantidade de votos nulos chegou a 12,65%  dos 1.239.891 de votos válidos (eleitorado de 1.453.601).Em Alagoas, os votos em branco somaram 7,92% dos votos válidos, ou seja, 127.767 eleitores deixaram de escolher um candidato nas eleições de domingo passado, número que sobe para 327.405 quando somados aos votos nulos.

Juntemos então os números da abstenção e chegamos a 710.051 eleitores, o que representa 35,58% do eleitorado alagoano. Protesto ou apenas o “lavar as mãos”, o fato é que um contingente expressivo de eleitores abriu mão da responsabilidade efetiva de eleger seus representantes no Senado, Câmara, Assembleia, governo do Estado e Presidência da República.

TRANSTORNOS E PROBLEMAS

Num dia atípico para a primavera, o domingo do primeiro turno das eleições foi de transtornos para os eleitores de ao menos 240 seções no estado. O número refere-se às urnas que oficialmente, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apresentaram problemas na leitura biométrica.

E eram as mais novas, datadas de 2013 e que foram enviadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para Alagoas.Por falta de orientação da Justiça Eleitoral, que deveria ter previsto incidentes do tipo, houve atritos entre eleitores e mesários; quem estava na fila não conseguia entender a demora, enquanto os mesários, seguindo o que determina a legislação, permitiam ao eleitor tentar por até oito vezes proceder à identificação biométrica. Alguns conseguiam, outros não.

O resultado foi que a votação, que em uma situação normal deveria ser encerrada às 17 horas, se estendeu em várias seções por mais de três horas. O desencontro de informações deixou muita gente irritada. Em Maceió, na Escola Estadual Romeu de Avelar, localizada no Tabuleiro, a seção de número 104, pertencente à 54ª Zona Eleitoral, foi a que registrou o maior número de problemas. Como não houve troca da urna, foi preciso ficar mais de quatro horas na fila para votar. Às 17 horas, quando o portão foi fechado, era enorme o contingente de pessoas na fila.

Também em Maceió, na Escola Estadual Monsenhor Benício Dantas, no bairro do Poço, os eleitores das seções 130 e 131 da 2ª Zona Eleitoral foram agrupados inicialmente para votar em uma mesma sala do Centro de Educação Especial de Alagoas Wandete Gomes Castro, onde o maior problema foi a demora em votar por parte de eleitores menos instruídos e analfabetos.

Houve quem passasse até meia hora para concluir o voto e já passava das 18 horas e mais de 60 pessoas em cada uma das seções, já então em salas distintas, ainda enfrentavam a fila para votar, situação que se repetia na Escola de Ensino Fundamental Orlando Araújo, na Ponta Verde, onde quase 100 pessoas ainda aguardavam para votar, na 183ª seção, quando já passava das 17 horas. 

TRE divulgou números com votação em andamento

A votação ainda acontecia em Alagoas quando o Tribunal Regional Eleitoral começou a divulgar os primeiros resultados, comprometendo o processo eleitoral na medida em que a apuração em tempo real podia ser acompanhada por qualquer pessoa que ainda fosse votar em tablets  e pelo celular, através de aplicativos, inclusive o oficial da Justiça Eleitoral. Passava das 18 horas quando o EXTRA entrou em contato com o procurador Regional Eleitoral, Marcial Duarte Coêlho, e questionou o fato.

Às 18h14m20 a apuração foi suspensa e somente foi retomada por volta das 20 horas, quando então a votação já havia sido concluída em mais de 99% das 6.111 seções. É bom destacar que o TSE somente iniciou a apuração dos votos para presidente a partir das 19 horas para evitar que os boletins influenciassem eleitores das regiões onde a votação se encerrou mais tarde em função do fuso horário, como no Oeste do Amazonas e no Acre.

Em um estado onde 12,72% dos eleitores são analfabetos (253.802) e 15,9% apenas lê e escreve (316.706), faltou também por parte da Justiça Eleitoral um trabalho mais denso de orientação ao eleitor para uso da “cola”.

Lembrar de todos os 16 números necessários para escolher os candidatos a deputado estadual (5), deputado federal (4), senador (3), governador (2) e presidente (2) não era uma tarefa fácil, o que contribuiu para atrasar ainda mais a votação no estado. Esta semana, o EXTRA voltou a falar com o procurador sobre a falha na divulgação da apuração e tentou ouvir também, sobre isto e outros assuntos, via assessoria de Imprensa, a presidente do TRE, desembargadora Elisabeth Carvalho Nascimento, de quem não obteve retorno. Na avaliação do procurador Marcial Coêlho, não houve falha.

“O processo de apuração e divulgação ocorre automaticamente à medida em que os primeiros cartórios eleitorais encaminham os resultados, isso logo após as 17h. A divulgação, porém, pode ser sustada. E foi o que ocorreu quando se constatou que ainda havia algumas seções com atraso na votação”, afirmou.Nas respostas enviadas por email aos mesmos questionamentos feitos à presidente do TRE, Coêlho concordou que eram muitos números para o eleitor digitar, mas assinalou que o eleitor podia levar a sua “cola”. “Pudemos perceber que muitos deles fizeram isso. Às vezes problemas pontuais de dificuldade da votação - como até um ‘branco’ na hora de votar - podem ocorrer, inclusive para instruídos.

Mas vale lembrar que a urna eletrônica possui um grande teclado que imita os de um telefone comum, e ainda com esquema de cores em suas teclas. Com tudo isso, mesmo o analfabeto consegue votar sem maiores problemas”.Sobre os problemas de leitura biométrica, confirmou que as falhas foram relativas às urnas mais novas, modelo de 2013, enquanto as de 2009 não apresentaram problemas.

“Fui informado que todas elas haviam sido testadas, mas o ‘teste na vida real’ trouxe problemas não detectados. De toda forma, foi o primeiro ano de biometria integral, e erros nesses sistemas informáticos, como todos nós sabemos, embora se trabalhe para evitá-los, acontecem mais do que se deseja”. O procurador Regional Eleitoral acredita que no segundo turno não se repitam os problemas verificados no dia 5 mediante a substituição das urnas que apresentaram falhas.

Revelou, ainda, que de uma forma geral foram poucas as ocorrências envolvendo crime eleitoral, casos de propaganda irregular durante o pleito e transporte ilegal de eleitores.E para o próximo dia 26, quando o alagoano, assim como todos os brasileiros, deverá optar entre a reeleição da presidente Dilma Rous-seff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB), faz apenas uma recomendação: “Deixo aqui o desejo de que eles avaliem profundamente os dois candidatos que restaram, suas vidas pregressas, seus projetos para o Brasil, seus planos de governo e pensem no que seria melhor para o povo brasileiro como um todo, e não apenas no que seria melhor para aquele próprio eleitor”.

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