Acompanhe nas redes sociais:

13 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 792 / 2014

14/10/2014 - 18:52:00

JORGE OLIVEIRA

Aécio assume em janeiro

Rio - Não vou arriscar nenhum palpite. Vou, sim, fazer um prognóstico real das eleições presidenciais do segundo turno: Aécio ganha e, depois de doze anos, os petistas serão apeados do poder. A reação do candidato tucano nas últimas quarenta oito horas antes do dia da votação, a sua curva ascendente e a baixa rejeição são ingredientes que me levam  à certeza da vitória do Aécio.

Ao não passar dos 40%, Dilma bateu no teto e por pouco o tucano, que vinha se arrastando na casa dos 20%, não a alcançou no final da apuração dos votos. Agora, no segundo turno, com tempos iguais de dez minutos para cada um, Aécio não só deve explicar melhor seu programa de governo como rebater as acusações da Dilma de que o “povo brasileiro não quer voltar ao passado”, ao se referir a sua candidatura.

Aécio chegou ao segundo turno porque teve a ousadia de não esconder os feitos de Fernando Henrique Cardoso, o que não ocorreu nas duas campanhas de José Serra.

Atropelou a Marina. Viu sabidamente na candidatura dela fragilidade de programa de governo, desorganização e um discurso de vítima do sistema, de coitadinha. Tentou conquistar o eleitor retratando seu passado de fome e de miséria, o que certamente afugentou aqueles que queriam um discurso de estadista de fôlego e determinação para governar o país.

Perdeu-se mais ainda quando foi buscar na “velha política” o fisiologismo  para atrair o voto dos miseráveis com a proposta de um décimo terceiro para o Bolsa Família. Agora, os brasileiros vão julgar dois governos. Um, dos petistas, de doze anos de corrupção e desmando. Outro, dos tucanos, de privatização, que o PT considera de lesa pátria.

Como o mapa das eleições mostrou, o PT ainda tira grande proveito dos 50 milhões de pessoas beneficiadas pelo Bolsa Família,  o que faz a diferença numa eleição plebiscitaria de segundo turno. Mas certamente vai parar por aí. Há uma clara objeção e ojeriza de boa parte dos brasileiros aos petistas, que vão partir pra cima dos tucanos com gosto de sangue na boca.

Ao Aécio cabe produzir um programa eleitoral moderado, de propostas. Deve fugir da baixaria e se apresentar como um candidato moderno, experiente, e de um bom gestor.

Mostrar o currículo de quem administrou um estado como Minas Gerais com competência e com uma equipe qualificada para se contrapor a uma Dilma leniente à corrupção e ao atraso.Responsável por uma administração caótica e de fracasso na economia e na política externa.

Privatização

Aécio deveria, logo de cara, defender as privatizações e mostrar que o Brasil avançou e se modernizou quando desestatizou a economia e privatizou elefantes brancos  que só serviam de cabide de emprego e de guarda-chuvas para militares aposentados que sobraram da  ditadura. Unificou os ministérios militares no Ministério da Defesa, reduzindo a máquina estatal e devolvendo os militares aos quarteis.  

Atraiu o capital externo, reduziu a inflaçãoa índices suportáveis e transformou o Brasil numa potência competitiva no mercado mundial. Entregou ao PT, oito anos depois, um país com as finanças organizadas e com os índices sociais melhorados, depois que criou os bolsas, programas depois unificados e  denominados pelo PT de Bolsa Família. Com dez minutos de programa, os tucanos podem agora explicar melhor o neoliberalismo para o qual  os esquerdistas de botequim ainda torcem o nariz mas tiram proveito dele quando tiram o pé da lama.

Defensiva

À Dilma cabe ficar na defensiva, insistir no aumento das famílias beneficiadas pelos bolsas, defender a corrupção que campeia no seu governo, tentar justificar o encolhimento econômico do país, explicar a prisão dos mensaleiros e o propinoduto da Petrobrás. Precisa explicar também ao povo brasileiro o seu programa de privatização disfarçado de concessões. 


Dissidência

Como tudo isso não bastasse, governadores e parlamentares já eleitos vão correr para o candidato que mais apresentar perspectiva de poder. Além disso, a classe política não morre de amores pela Dilma.


Velha política

A Marina, que até então aparecia com um discurso de vanguarda, progressista, não demorou muito para mostrar que também é adepta da “velha política” que começou combatendo nos seus pronunciamentos e programas eleitorais. Apresentar aos brasileiros a proposta do décimo terceiro salário para os que ganham Bolsa Família é, na verdade, um fisiologismo eleitoreiro só visto nos currais eleitorais mais decadentes do Norte/Nordeste. Se a ideia da Marina era complementar a esmola oficial dos petistas aos miseráveis dos guetos brasileiros, o tiro saiu pela culatra. Ela simplesmente se igualou aos defensores do Bolsa Família que distribuem dinheiro para manter um curral eleitoral de mais de 50 milhões de pessoas que permite manter esse poder corrupto do PT. 

Pobreza

Marina, que em princípio parecia ser a alternativa ao poder que está aí, desmoronou-se com suas propostas e seus discursos evasivos e pobres para quem imaginava assumir a liderança de um país – a sexta economia do mundo – onde empresários, empresas e governos de todo universo estão vigilantes a qualquer movimento do xadrez político. Não foi para o segundo turno das eleições no domingo 5, como mostraram as pesquisas de opinião. Marina jamais terá outra oportunidade como esta. Deve deixar os socialistas e lutar para construir seu novo partido, a Rede, para onde devem convergir os marinistas que um dia sonharam chegar ao poder.


Fúria

A eleição chega ao fim da sua primeira etapa sem que Marina e Aécio tenham convencido a população da corrupção do governo Dilma. Ambos trataram do assunto superficialmente. A impressão que se tem é que os petistas viraram o jogo. De um governo cheio de lama de corrupção até o pescoço parece nadar em águas cristalinas tal o cinismo de conseguir reverter as coisas. Veja: a Dilma, no debate da Globo, disse que o Lula demitiu um funcionário do Ministério do Meio Ambiente por corrupção quando Marina estava à frente da Pasta. Além de mentir e encurralar a Marina, que ficou falando sozinha fora do tempo permitido, Dilma ainda jogou nas costas da adversária uma demissão como se tivesse ocorrida em outro governo que não o PT. 

Cinismo

O descaramento dos petistas para se livrar da nódoa de um governo corrupto e inoperante não tem limite.  O engenheiro Paulo Roberto Costa, o delator, disse com todas as letras ao Ministério Público que o Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, ex-tesoureiro da primeira campanha da Dilma, pediu uma colaboração de 2 milhões de reais. O dinheiro foi repassado (?) à  conta pelo doleiro Alberto Youssef, o homem que movimentou quase 10 bilhões de reais em propinas das empresas estatais brasileiras. Mesmo assim quando questionada, Dilma, instruída por assessores, simplesmente diz que a Polícia Federal atuou em seu governo para desmontar a máquina da corrupção.


Propinoduto

Não explica como esse dinheiro, fruto da corrupção dentro da Petrobrás, foi bater nas suas contas de campanha. Nem seus adversários cobram com mais firmeza todos os escândalos ocorridos até agora no seu governo e no do ex-presidente Lula. Não se falou até agora nos mensaleiros na cadeia, nas dezenas de funcionários presos dentro do Ministério do Trabalho pela Polícia Federal, nos escândalos de pedofilia dentro do Palácio do Planalto, na compra da refinaria de Pasadena superfaturada, no aparelhamento do estado, nos rombos do fundo de pensão, na estagnação da economia, no discurso da ONU defendendo os terroristas degoladores de inocentes e a desconexão entre o que ela pensa e o que ela fala por absoluta falta de cultura política e econômica.Trata-se, meus senhores e minhas senhoras, de uma estadista meia-sola. O Brasil não merece!

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia