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12 de Novembro de 2018

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Edição nº 791 / 2014

08/10/2014 - 19:00:00

Arthur Lira entrou na folha da ALE com 15 anos de idade

Filho de Biu de Lira ingressou no serviço público “pela janela” quando era menor, graças à influência do pai, que foi presidente da Assembleia

DA REDAÇÃO

No guia eleitoral das eleições deste ano, o deputado federal Arthur Lira (PP), filho do senador e atual candidato a governo de Alagoas Benedito de Lira (PP), tem aparecido dizendo-se “preocupado com a manutenção dos empregos dos trabalhadores alagoanos”.

No entanto, muito antes dessa preocupação, Arthur Lira só pensava em manter o seu próprio salário, mesmo que para isso precisasse fraudar o Programa de Demissão Voluntária (PDV), durante o último governo de Divaldo Suruagy, no final da década de 90.Arthur Lira entrou na folha de pessoal da Assembleia Legislativa de Alagoas “pela janela”, ou seja, sem fazer concurso público. O pai, Benedito de Lira, foi deputado estadual por três mandatos – e duas vezes presidente da Assembleia Legislativa, com todos os poderes que o cargo confere.


Esperteza e impunidade

Quando Arthur Lira assumiu o mandato de vereador em Maceió, deveria ter pedido exoneração do cargo que tinha na Assembleia. Mas a esperteza e a certeza da impunidade falaram mais alto. Ele decidiu ficar e continuar recebendo sem trabalhar, acumulando esses rendimentos com os vencimentos da Câmara Municipal de Maceió.Para se livrar do PDV, Arthur Lira retroagiu em dois anos a data de sua admissão na Assembleia Legislativa. Só esqueceu que, ao fazer isso, estaria confessando que entrou na folha da Casa de Tavares Bastos quando ainda era menor de idade – o que é flagrantemente ilegal.

Em março de 1998, a então deputada estadual Heloísa Helena (na época do PT) teve acesso à folha de pagamento dos funcionários da Assembleia. Ela descobriu a fraude e denunciou Arthur Lira.O escândalo ganhou as manchetes dos jornais em Alagoas e tirou o então vereador e seu pai deputado da zona de conforto.

Arthur teve que procurar a imprensa para tentar explicar o inexplicável. Negou que fosse menor de idade quando entrou na Assembleia. Como os documentos o desmentiam, alegou que teria havido um “erro do Centro de Processamento de Dados” da Casa. E prometeu processar Heloísa.Tudo encenação. Arthur Lira nunca processou Heloísa por esse motivo, até porque sabia que a então deputada estadual petista tinha razão.


A encruzilhada

O filho de Biu ficou numa encruzilhada, entre duas acusações. Ou ele havia entrado na folha da Assembleia quando era menor de idade, ou fraudou documentos para retroagir em dois anos a data de seu ingresso, para escapulir do PDV. Entre admitir uma fraude ou outra, o filho do candidato “que resolve” resolveu da maneira que está acostumado: tentou comprar o silêncio da imprensa.Pagou aos jornais por direito de resposta e buscou impedir que a fraude continuasse sendo noticiada.

Decidido a sepultar o assunto incômodo, Arthur Lira montou a versão de que tinha sido admitido na Assembleia em 1988 e demitido em 1998 – ou seja, um ano depois de instituído o PDV.Na verdade, Arthur Lira fez como muitos servidores apadrinhados que entraram no serviço público “pela janela” e procuraram abrigo na chamada Lei José Tavares, para tentar se livrar do PDV.

No entanto, para ser beneficiado pela Lei José Tavares, ele retroagiu – ou mandou retroagir – a sua data de admissão da ALE em dois anos. Mas, ao montar esse álibi, esqueceu-se da sua própria data de nascimento. Aí, foi acusado de entrar no serviço público quando era menor de idade e de ter fraudado o PDV para continuar recebendo sem trabalhar.

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