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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 791 / 2014

08/10/2014 - 18:57:00

Notícia foi publicada em março de 1998

DA REDAÇÃO

Na época, o escândalo ocupou as manchetes na imprensa alagoana. No dia 13 de março de 1998, o diário O Jornal, de Maceió, publicou no alto da primeira página “Vereador foi incluido na folha da ALE aos 15 anos”. Na página interna, a reportagem tinha o título “Arthur Lira está na folha da Assembleia desde os 15 anos”.

A reportagem de O Jornal foi feita com base na denúncia da então deputada estadual Heloisa Helena, que teve acesso à relação alfa-numérica com os nomes de todos os funcionários da ALE.No dia seguinte, O Jornal publica um esclarecimento de Arthur Lira, também com chamada de capa. O então vereador negava ter entrado no serviço público menor de idade. Mas como poderia negar, se os documentos da ALE comprovavam a denúncia? Ora, fácil: basta botar a culpa nos outros. Então, na versão de Arthur, a culpa tinha sido do “erro” na relação na Assembleia.

Para calçar sua alegação, Arthur Lira pediu e obteve um depoimento a seu favor, do então chefe de Recursos Humanos da ALE, Ivaldo Buarque.No entanto, o “esclarecimento” não esclarece o motivo de Arthur Lira não ter sido incluído no PDV – já que o programa era obrigatório para todos os servidores que, como ele, haviam entrado no serviço público sem concurso.

Em março de 1997, um ano antes de esse escândalo vir à tona, em entrevista à imprensa, o então governador Divaldo Suruagy disse que o PDV era obrigatório para quem entrou “pela janela”, e avisou: quem não aderisse ao programa de desligamento voluntário seria exonerado sem direito a nada. Ou seja, a única saída para o então vereador Arthur Lira seria ter aderido ao PDV, que atingiu cerca de 25 mil servidores públicos. Para pagar as indenizações do PDV, o governo do Estado teve que tomar dinheiro emprestado e gastou cerca de R$ 300 milhões com as indenizações.


Exemplo do pai

Arthur Lira segue o exemplo do pai, Benedito de Lira, que tem três aposentadorias: além da ALE, recebe proventos como ex-vereador e como procurador do Estado aposentado, fora os altos vencimentos de senador. No total, Biu embolsa por mês R$ 62 mil brutos e R$ 55 mil, limpos, dos cofres públicos municipais, estaduais e federais.

Já Arthur Lira estava se preparando para também se aposentar pela Assembleia – foi impedido pela denúncia de Heloisa, que hoje é vereadora e candidata ao Senado pelo PSOL.

O atual deputado federal, que em seu programa eleitoral tem jurado “preocupação” com o emprego dos eleitores, preocupou-se primeiro com o emprego dele próprio, burlando a lei e tentando manter-se no serviço público de forma irregular, e sem trabalhar.

Arthur Lira não teve êxito nesse propósito porque a então deputada Heloisa Helena denunciou as manobras da Mesa Diretora da ALE para evitar que funcionários nas mesmas condições que ele fossem exonerados sumariamente.

Segundo a reportagem de O Jornal sobre o assunto, a folha da ALE vinha sendo “maquiada” para proteger apadrinhados políticos, entre eles Arthur Lira, que entrou na Assembleia pela “janela”, graças à influência do pai, Benedito de Lira, que foi duas vezes presidente da Casa de Tavares Bastos.  

De acordo com a reportagem de O Jornal, entre as irregularidades apontadas, o caso mais grotesco era o do então vereador Arthur Lira. O nome dele aparece na lista de funcionários da ALE, publicada no Diário Oficial do Estado, em 10 de fevereiro de 1998, com data de admissão de 14 de maio de 1986.

Nesta data, Arthur Lira tinha apenas 15 anos de idade. Não poderia jamais ter acesso ao serviço público com essa idade, muito menos ser nomeado sem concurso público.

Segundo a reportagem, outros funcionários admitidos depois da Emenda José Tavares utilizaram-se do mesmo expediente do filho de Biu de Lira: retroagiram fraudulentamente a data de admissão na Assembleia para se livrar do PDV e continuar recebendo salários sem trabalhar. O problema é que a tramóia praticada por Arthur Lira foi grosseira e o tiro terminou saindo pela culatra. 

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