Acompanhe nas redes sociais:

21 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 791 / 2014

08/10/2014 - 18:31:00

Decálogo do voto cidadão

Cláudio Vieira Advogado e escritor membro da Academia Maceioense de Letras

As eleições têm sempre o condão de fazer-me rememorar a primeira vez que votei; isso aos dezoito anos. A minha secção eleitoral, na primeira zona, situava-se na Praça D. Pedro II, e para lá dirigi-me, bem cedo, vestido como usual na época, conforme orientação do meu pai: terno e gravata.

O uso do traje formal era uma homenagem à importância daquele ato cidadão. Eu estava orgulhoso de exercê-lo.O presidente da mesa, para minha surpresa, era um querido amigo e colega de turma no Colégio Guido de Fontgalland, o hoje Professor, Advogado e Acadêmico Edson Alcântara. Faltara um mesário, e o Edson, imbuído do poder de presidente da secção, convocou-me a preencher a lacuna. Fi-lo com o orgulho aumentado.

Os tempos mudaram, o terno não é mais a vestimenta adotada pelos eleitores, todavia, penso, a solenidade é a mesma. Por quê? Ora, o voto é o pleno exercício daquilo que Abraham Lincoln, em seu famoso discurso em Gettysbourg, durante a Guerra da Secessão America, definiu, em maravilhosa síntese, o “governo do povo, pelo povo e para o povo”: a democracia. Eis o por quê! Mas, o voto para ser esse real exercício da democracia, deve ser cidadão e assim, a meu ver, cumprir restritas regras:

1. Deve ser livre, ou seja, será uma escolha estritamente pessoal sua, insubmisso a pressões de outrem, ou das circunstâncias, ou da emoção, ou de interesses subalternos.

2. É seu direito individual de escolher os representantes do povo, seja no Executivo ou no Legislativo. É, pois, impositiva a compreensão de que a autoridade é você,  e os eleitos apenas seus mandatários, e não o oposto, como a grande maioria dos políticos pensa.

3. É um dever, porquanto o exercício do seu direito de voto impõe-lhe responsabilidades com o futuro, não apenas seu, mas do País e da Nação.  

4. Deve ser responsável, uma vez que, impondo-lhe responsabilidades com o futuro do País e da Nação, não deverá ser outorgado irresponsavelmente a qualquer candidato.

5. Deve ser útil, não aquela utilidade que os políticos tanto apreciam: o voto sem caráter que é dado ao candidato apenas porque pesquisas o apontam como vencedor.

A utilidade do seu voto de que falo é aquela que diz respeito ao provimento dos anseios coletivos. 

6. É sua esperança em um futuro melhor, e isso só será concretizado quando outorgado a candidatos que realmente tenham honestidade de propósitos.

7. É incorruptível. Lembremo-nos de que corrupção não envolve apenas a paga de dinheiro. É corrupção, também, a permuta do voto por qualquer favor, individual ou familiar que lhe ofereça algum candidato.

O seu voto deve estar, portanto, imune a qualquer investida desonesta de cooptá-lo.

8. É inalienável, só podendo ser exercido por você, o que lhe impõe o dever de resistir aos desonestos que o desrespeitam oferecendo-lhe qualquer tipo de bem em troca. Repudie-os, e assim estará bem servindo ao País, à Nação e, em consequência, a você mesmo.   

9. É programático, pois você deverá escolher aquele candidato que mais represente a sua compreensão de vida comunitária, os anseios da sociedade e o exercício honesto do mandato.

10. É sábio, porque fruto do amadurecimento político, da reflexão crítica, inteligente e honesta.

À vista disso, entendo que ao votar seguindo essas e outras premissas, estarei exercendo o meu voto cidadão, lutando por meus direitos fundamentais, sempre advertido e atento àquela frase de Ruy Barbosa: “Quem não luta por seus direitos não é digno deles”. E você, caro (e)leitor?

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia