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Edição nº 790 / 2014

01/10/2014 - 23:04:00

Elias Barros entra com representação contra Heloísa por ter sido chamado de “laranja”

Candidato ao Senado também presta queixa de agressão na polícia contra irmão da candidata pelo PSOL

Da Redação

O embate em que se transformou o debate entre os candidatos ao Senado promovido no último sábado (20) pela TV Pajuçara continua rendendo “frutos”, neste caso ações judiciais impetradas tanto peloadvogado Elias Barros Dias (PTC) como pela vereadora Heloísa Helena (PSOL). Ambos protagonizaram os momentos mais acirrados do encontro que tinha por objetivo levar ao eleitor as propostas de cada um dos candidatos.

Chamado de candidato “laranja” pela vereadora, Elias Barros ingressou na última terça-feira com uma representação contra ela junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), na qual pede, inclusive, direito de resposta no tempo dedicado à candidata do PSOL no guia eleitoral do rádio e da televisão.

Em outra representação, ele também aciona o portal de notícias CadaMinuto, por declarações com o mesmo cunho, ou seja, de que seria um candidato forjado apenas para tirar votos e prejudicar outras candidaturas.Na segunda-feira, o candidato ao Senado pelo PTC registrou duas queixas na polícia, uma contra a vereadora e a outra contra o irmão dela, Hélio Moraes, candidato a deputado estadual pelo PSOL, a quem acusa de agressão e ameaça durante o debate na TV Pajuçara.

A agressão, que não foi vista pelos telespectadores, teria acontecido, de acordo com o advogado, no intervalo, logo após o primeiro bloco do encontro.Barros afirma que foi agredido com um tapa no ombro por Hélio Moraes, que teria se aborrecido com ele pelo fato de, logo no início de sua intervenção, haver dito para Heloísa Helena que o ex-senador Luis Estevão havia lhe mandado um “forte abraço”.

O advogado admite que sua intenção foi a de provocar a adversária e que, ao citar o nome de Estevão, quis relembrar o polêmico episódio da cassação do mesmo, na época em que a hoje vereadora exercia o mandato de senadora. (Leia mais no box ao lado)“Quem disputa uma eleição deve estar preparado para tudo, e ela demonstrou que não tem preparo psicológico para enfrentar isto, quanto mais ser senadora”, afirma o advogado, que também reafirma suas declarações de que Heloísa Helena nunca trouxe recursos ou defendeu uma obra importante para Alagoas a despeito de estar há 22 anos na vida pública.

Elias Barros nega, ainda, a pecha de “laranja” com que vem sendo tratado durante a campanha. Ao TRE ele pede direito de resposta no guia eleitoral da candidata do PSOL ao Senado. E, em outra representação, pede que seja cancelado o direito de resposta a ela concedido pela justiça eleitoral dentro do seu espaço no guia.


A POSIÇÃO DE HELOíSA

A candidata do PSOL manteve ao longo da semana uma posição de distanciamento frente às declarações de Elias Barros nos sites de notícias e jornais locais e que tiveram grande repercussão principalmente nos veículos da Organização Arnon de Mello, de propriedade do senador e candidato à reeleição Fernando Collor (PTB) que, aliás, não compareceu ao debate promovido pela Pajuçara.De acordo com a assessoria da candidata do PSOL, ela considera infrutífera a troca de acusações nos meios de comunicação por entender que em nada acrescenta ao processo eleitoral.

Em relação ao episódio do debate de sábado passado, informou que a vereadora já adotou as providências que considera cabíveis quanto à postura do advogado Elias Barros e que incluem representações junto ao TRE.A assessoria informou, ainda, que Heloísa Helena continuará recorrendo à justiça parater o direito de respostaao que denomina de ataques por parte de Elias Barros e está convicta de que terá concedido este direito, como já o vem tendo em outros programas do candidato, considerados ofensivos pela própria justiça eleitoral. Finalizou afirmando que o mais importante para ela, no momento, é continuar a caminhada em busca de um mandato que honre Alagoas.

Estevão e a violação do painel do Senado

Em 28 de junho de 2000 o Plenário do Senado cassou, por 52 votos a favor, 18 contra e 10 abstenções, o mandato do então senador Luiz Estevão (PMDB-DF), acusado de quebra de decoro parlamentar por envolvimento no desvio de R$ 169 milhões das obras do novo Fórum Trabalhista de São Paulo.

A votação foi secreta, mas a lista com o voto de cada um dos senadores foi parar nas mãos do presidente da Casa na época, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), graças à violação do painel eletrônico do Senado, uma manobra engendrada em conjunto com o então líder do governo Fernando Henrique Cardoso, José Roberto Arruda (PSDB-DF).O caso viria à tona em 2001, depois de ACM ter espalhado que Heloísa Helena, então senadora pelo PT, havia votado contra a cassação de Estevão.

Denúncias na imprensa e uma conversa de ACM com o procurador-geral da República Luiz Francisco de Souza, na qual revelou que sabia como cada senador havia votado, resultaram numa investigação que culminou com a confirmação da violação do painel eletrônico do Senado, periciado por especialistas da Universidade de Campinas (Unicamp).  

Ao longo das investigações pelo Conselho de Ética da Casa, a ex-diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado, Regina Célia Borges, confessou a violação a mando de ACM e Arruda. Ambos renunciaram aos mandatos para não serem cassados, mas voltariam a ser eleitos um ano depois, Antônio Carlos Magalhães para o Senado e Arruda, que trocara o PSDB pelo PFL —atual DEM —, foi eleito deputado federal.

Em 2012, Arruda foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região a pagar multa de cem vezes o salário dele como senador em 2000 por causa da violação do painel e teve os direitos políticos suspensos por cinco anos. ACM morreu em 2007.

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