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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 790 / 2014

01/10/2014 - 20:22:00

Governador é pressionado para assinar contrato suspeito

Negócio de R$ 64 milhões montado durante o “império” de Biu e Arthur Lira na Educação está prestes a estourar: é o novo escândalo dos kits escolares

DA REDAÇÃO

Nas últimas semanas, com a proximidade das eleições, os bastidores da política alagoana “vazaram” uma informação que não conseguem mais manter em círculo fechado.

Embora seja bombástico, o caso não chega a surpreender, por causa dos personagens envolvidos. Trata-se, por assim dizer, de um escândalo anunciado. Ou melhor, de um escândalo ensaiado no ano passado, em valor menor, e prestes a se repetir – desta vez envolvendo um volume muito maior de dinheiro desviado dos cofres públicos. O caso ganha dimensão de urgência por causa das circunstâncias que o envolvem. É uma corrida contra o tempo.

Cresceu de forma avassaladora, nos últimos dias, a pressão sobre o governador Teotonio Vilela Filho por parte de um grupo político e empresarial para consumar um negócio multimilionário, polêmico e colocado sob suspeita desde o ano passado.Vilela ainda não tomou a decisão de assinar um controvertido contrato (na verdade, mais um) com uma empresa sediada no Recife, para a compra de 600 mil kits de material escolar pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE), no valor global de quase R$ 64 milhões, para distribuição com os alunos das escolas estaduais.


Os cinco personagens e o papel de cada um

São cinco os personagens principais dessa trama em que os cofres públicos se arriscam a perder algo em torno de R$ 20 milhões – valor estimado do superfaturamento da compra. Uma bolada de dinheiro que estaria prestes a ser desviada para contas particulares, se o contrato for assinado.Teotonio Vilela Filho, o primeiro e óbvio personagem, é o alvo da pressão porque dele depende a autorização para que o contrato seja assinado.

Diga-se, por questão de justiça, que o governador tem resistido o quanto pode às insinuações e “argumentos” do grupo diretamente interessado no contrato suspeito. Em fim de governo, politicamente debilitado, sem a mínima chance de eleger o sucessor e correndo sério risco de caminhar para o ostracismo e a irrelevância política, Vilela talvez esteja resistindo às pressões, neste caso, para salvar sua biografia, pelo menos.

Mas  as pressões são grandes.A segunda personagem é Josicleide Moura, ex-secretária de Educação do Estado, que era a titular do cargo quando foi escolhida a empresa que vende os kits superfaturados para o governo. É séria candidata a responder, no futuro, a um processo por improbidade administrativa, pelo potencial explosivo que o escândalo dos kits possui. Ministério Público, Tribunal de Contas e Polícia Federal já olham o caso com a devida atenção.O terceiro e o quarto personagens aparecem sempre juntos. É natural, já que são pai e filho.

Formam o núcleo político do esquema e metem medo nos servidores pelo poder que possuem. São eles o senador e atual candidato a governador Benedito de Lira (o Biu) e o não menos notório deputado federal e candidato à reeleição Arthur Lira, ambos do PP. O poder de mando da dupla dinâmica no governo estadual foi exercido, quase sem limites, sobretudo no segundo governo Vilela, na Secretaria de Estado da Educação, uma das mais ricas e cobiçadas sob seu comando, já que é fartamente alimentada com repasses obrigatórios do governo federal.

Biu e Arthur assumiram o domínio da Secretaria na modalidade “porteira fechada”, ou seja, indicaram a secretária Josicleide Moura e os ocupantes dos cargos mais importantes na pasta, que lhes prestavam obediência fiel, como havia sido com os secretários anteriores.

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